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Questão de Português — Figuras de Linguagem — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa670160
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF MS
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )

Texto III

 

Sabiá

 

(Chico Buarque e Tom Jobim)

 

Vou voltar

Sei que ainda vou voltar

Para o meu lugar

Foi lá e é ainda lá

Que eu hei de ouvir cantar

Uma sabiá

 

Vou voltar

Sei que ainda vou voltar

Vou deitar à sombra

De uma palmeira que já não há

Colher a flor que já não dá

E algum amor talvez

Possa espantar as noites

Que eu não queria

E anunciar o dia

 

Vou voltar

Sei que ainda vou voltar

Não vai ser em vão

Que fiz tantos planos

De me enganar

Como fiz enganos

De me encontrar

Como fiz estradas

De me perder

Fiz de tudo e nada

De te esquecer

 

Vou voltar

Sei que ainda vou voltar

E é pra ficar

Sei que o amor existe

Eu não sou mais triste

E que a nova vida

Já vai chegar

E que a solidão

Vai se acabar

 

Buarque, C. (s.d.). Sabiá. Disponível em: https://www.letras.mus.br/blog/sabia. Acesso em: 21 mar. 2025.

Leia o Texto III, a seguir, para responder à questão     A linguagem utilizada na canção “Sabiá” constrói sentidos simbólicos, recorrendo a diversos recursos expressivos. O verso “fiz estradas de me perder”, por exemplo, é especialmente significativo nesse contexto. Sobre a figura de linguagem presente nesse verso, assinale a alternativa correta.
  1. ATrata-se de uma metonímia, pois “estradas” substituem o destino pelo percurso.
  2. BO verso exemplifica uma paronomásia, visto que “estradas” são figurativas, representando trajetórias de vida que levam ao desequilíbrio emocional.
  3. CA construção revela uma metáfora, já que “estradas” não são reais, mas simbolizam caminhos existenciais que conduzem à desorientação interior.
  4. DÉ um exemplo de paradoxo, pois, de forma contraditória, atribui, a ação humana de “perder-se” a um elemento inanimado como “estradas”.
  5. EO trecho traz uma ironia sutil, pois revela uma contradição entre o ato de construir estradas e o objetivo de se perder.
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GabaritoC — A construção revela uma metáfora, já que “estradas” não são reais, mas simbolizam caminhos existenciais que conduzem à desorientação interior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Metáfora em "fiz estradas de me perder" — figura de palavra

Gabarito: letra C. O verso "fiz estradas de me perder" é uma metáfora, pois "estradas" não são reais, mas simbolizam caminhos existenciais que conduzem à desorientação interior. A construção é uma comparação implícita, sem conectivo, entre o ato de construir estradas e o percurso da vida que leva ao desvio — exatamente o que a alternativa C descreve. Como se lê no texto, o eu lírico afirma: "Como fiz estradas / De me perder", em que "estradas" assume sentido figurado, representando escolhas e trajetórias que resultam em perda de rumo.

O comando pede que se identifique a figura de linguagem presente no verso. Isso é uma questão de conceito — não de compreensão literal do texto, mas de reconhecimento de um recurso expressivo. A banca quer que o candidato distinga metáfora de metonímia, paronomásia, paradoxo e ironia, aplicando a definição correta ao contexto. Para resolver, é preciso saber: metáfora é comparação implícita sem conectivo; metonímia é substituição por relação de proximidade; paronomásia é aproximação de palavras com sons parecidos; paradoxo é contradição lógica; ironia é dizer o contrário do que se quer.

No texto, "fiz estradas de me perder" não descreve uma ação física de construir vias. O eu lírico fala de "planos", "enganos", "estradas" e "perder" como metáforas das experiências de vida. A palavra "estradas" é transferida do campo concreto (vias de locomoção) para o campo abstrato (trajetórias existenciais), criando uma imagem simbólica. Não há conectivo comparativo (como "como", "tal qual"), o que afasta a comparação/símile e confirma a metáfora. A alternativa C capta exatamente isso: "estradas não são reais, mas simbolizam caminhos existenciais que conduzem à desorientação interior".

A armadilha central da questão é confundir metáfora com outras figuras de palavra ou de pensamento. A banca oferece distratores que usam termos técnicos corretos, mas aplicados a conceitos errados. Por exemplo, a metonímia (A) exige relação de contiguidade — não há aqui substituição de um termo por outro com proximidade real. O paradoxo (D) exigiria contradição lógica explícita, o que não ocorre. A ironia (E) exigiria intenção de dizer o contrário, ausente no verso. A paronomásia (B) exigiria semelhança sonora entre palavras, o que não é o caso. A única leitura que o texto autoriza é a metafórica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de conceito: oferece definições tecnicamente plausíveis (metonímia, paronomásia, paradoxo, ironia) para tentar o candidato que não domina a distinção entre figuras. A chave é testar cada definição contra o verso: há comparação implícita? Sim → metáfora. Há substituição por proximidade? Não. Há contradição? Não.

1Metáfora
Comparação implícita
Sem conectivo
Sentido figurado
2Metonímia
Substituição por proximidade
3Paronomásia
Sons semelhantes
4Paradoxo
Contradição lógica
5Ironia
Dizer o contrário
Figuras de linguagem
LEVELsoulevel.com.br
Figuras de linguagem: Metáfora (Comparação implícita, Sem conectivo, Sentido figurado); Metonímia (Substituição por proximidade); Paronomásia (Sons semelhantes); Paradoxo (Contradição lógica); Ironia (Dizer o contrário)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há metonímia, pois "estradas" substituem o destino pelo percurso. Isso está errado. Metonímia exige relação de contiguidade ou proximidade semântica (autor pela obra, parte pelo todo, causa pelo efeito). No verso, "estradas" não substitui "destino" — ela é uma imagem que representa trajetórias de vida. Não há substituição de um termo por outro com vínculo real; há transferência de sentido por semelhança, o que caracteriza metáfora. A alternativa troca o conceito: aplica a definição de metonímia a um caso de metáfora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa fala em paronomásia, definindo-a como "estradas figurativas que representam trajetórias de vida". Há dois erros: primeiro, paronomásia é a aproximação de palavras com sons semelhantes (ex.: "quem com ferro fere, com ferro será ferido"), o que não ocorre aqui; segundo, a explicação dada — "estradas figurativas representando trajetórias" — é justamente a definição de metáfora, não de paronomásia. A alternativa confunde o nome da figura com a explicação correta, criando um distrator que parece plausível para quem não domina a nomenclatura.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao identificar metáfora. No verso "fiz estradas de me perder", "estradas" é usada em sentido figurado: não há construção real de vias, mas a representação simbólica de caminhos existenciais que levam à desorientação. Isso é metáfora — comparação implícita, sem conectivo, entre dois universos distintos (o concreto das estradas e o abstrato das escolhas de vida). O texto autoriza essa leitura: o eu lírico fala de "planos", "enganos" e "estradas" como metáforas das experiências que o levaram a "se perder". A alternativa C capta com precisão o mecanismo: "estradas não são reais, mas simbolizam caminhos existenciais que conduzem à desorientação interior".

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que há paradoxo, pois "atribui a ação humana de perder-se a um elemento inanimado como estradas". Isso está errado por dois motivos. Primeiro, paradoxo é a união de termos contraditórios (ex.: "é ferida que dói e não se sente") — não há contradição lógica em "fiz estradas de me perder". Segundo, a explicação dada descreve na verdade personificação (atribuir ação humana a ser inanimado), não paradoxo. A alternativa troca o conceito: usa o nome de uma figura de pensamento para descrever um mecanismo que não está presente no verso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa fala em ironia sutil, "revelando contradição entre o ato de construir estradas e o objetivo de se perder". Ironia é dizer o contrário do que se quer comunicar, com tom crítico ou humorístico. No verso, não há intenção de dizer o oposto — o eu lírico expressa, de forma lírica e simbólica, que suas escolhas ("estradas") o levaram a se perder. Não há tom irônico, nem contradição explícita. A alternativa extrapola: projeta uma intenção irônica que o texto não autoriza, confundindo a ambiguidade poética com ironia.

PEGA ESSA DICA!

Para distinguir metáfora de outras figuras, pergunte: há comparação implícita sem conectivo? → metáfora. Há substituição por proximidade real? → metonímia. Há contradição lógica? → paradoxo. Há intenção de dizer o contrário? → ironia. Aplique o teste ao verso e a resposta aparece sozinha.

Gabarito: letra C.

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