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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
qa670165
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF MS
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )

ARGUMENTAR NA REDE

   

Monica Graciela Zoppi Fontana

 

A argumentação é um fato de linguagem tão presente no nosso dia a dia que nem sempre percebemos sua força. Ela está presente nas mais diversas relações cotidianas: em conversas entre amigos, familiares e desconhecidos, nas reclamações de quem se encontra em uma fila de espera e demanda atendimento, nas estratégias para conseguir agendar uma consulta médica, na discussão sobre uma nota com um professor ou sobre um preço com um vendedor e até mesmo em situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri.

 

Argumentar é uma prática de linguagem que envolve uma relação entre os interlocutores e com a situação do dizer. Argumentamos a partir do já-dito, ou seja, dos sentidos já produzidos socialmente na história e presentes como memória discursiva. E ao argumentar estabelecemos uma relação particular com o não-dito e com o silêncio, pois a língua fornece a base material para essa prática.

 

Argumentamos por meio de palavras (casebre, mansão, pouco, um pouco, muito e muitas outras presentes no léxico da língua). Sufixos e prefixos também participam na argumentação (contradiscurso, antibelicista, pseudointelectual), assim como diminutivos e aumentativos (carrão, favorzinho, mulherzinha, garotão). Temos ainda locuções adverbiais (mesmo que, só que, apesar de, tanto quanto, por exemplo) e frases idiomáticas (descascar um abacaxi, enfiar o pé na jaca). E ainda há interjeições com valor argumentativo (vixe!, credo!). Argumentamos também por meio da forma de construção dos enunciados (a ordem das palavras na frase, construções passivas ou ativas, elipses etc.). As diversas formas de encadeamento dos enunciados no texto têm valor argumentativo. Algumas palavras, como as conjunções (portanto, porém, entre outras), explicitam o tipo de relação argumentativa presente no encadeamento.

 

Assim, a forma específica como os enunciados estão formulados afeta a interpretação, orientando o sentido produzido em uma determinada direção. Mas toda prática de linguagem é produzida por falantes constituídos enquanto tais em um tempo e um espaço específicos. Todo dizer é assim determinado pelos processos históricos e pelos espaços de enunciação nos quais é produzido. E isso afeta constitutivamente a argumentação.

 

Nas novas tecnologias de linguagem, a argumentação ganha contornos diferenciados, por meio de funcionamentos próprios do digital, como hashtags, memes, gifs e vídeos. Algumas expressões que surgiram na internet atravessam as fronteiras das redes sociais e são incorporadas na oralidade pelos falantes em suas trocas linguageiras.

 

A Linguística estuda essas questões e reflete sobre os diversos modos de argumentar ao longo do tempo e em diversos espaços de enunciação. Questões semânticas e discursivas devem ser abordadas para compreender melhor o funcionamento da argumentação nos dias atuais e para ponderar seus efeitos nas práticas de linguagem na sociedade.

 

Adaptado de:

https://www.blogs.unicamp.br/linguistica/2017/08/16/argumentar-na-rede/. Acesso em: 04 de abr. de 2025.

Leia o Texto 1 para responder à questão   Texto 1     Durante a preparação de uma aula sobre produção de textos argumentativos, um professor se depara com o texto “Argumentar na rede”, no qual a autora descreve como a argumentação permeia as mais variadas situações de interação entre sujeitos. Partindo dessa explanação e em conformidade com a concepção de texto em uma abordagem interacionista, qual é o correto conceito de argumentação a ser utilizado na aula do professor?
  1. AArgumentação como forma textual estável, pois constitui um gênero textual.
  2. BArgumentação como sequências linguísticas e modos textuais, pois constitui um tipo textual.
  3. CArgumentação como base física ou virtual em que o texto se materializa, pois constitui um suporte.
  4. DArgumentação como resultado de novas tecnologias e mídias digitais, pois constitui um gênero emergente.
  5. EArgumentação como prática que organiza os textos nas funções da linguagem, pois constitui uma esfera de interação social.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Argumentação como sequências linguísticas e modos textuais, pois constitui um tipo textual.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conceito de argumentação na abordagem interacionista

Gabarito: letra B. A questão pede o conceito de argumentação em conformidade com a concepção interacionista de texto, e a alternativa correta é a que a define como sequências linguísticas e modos textuais, pois constitui um tipo textual. O texto-base sustenta essa leitura ao afirmar que "as diversas formas de encadeamento dos enunciados no texto têm valor argumentativo" e que "a forma específica como os enunciados estão formulados afeta a interpretação, orientando o sentido produzido em uma determinada direção" — ou seja, a argumentação é tratada como uma tipologia textual, materializada em sequências linguísticas, e não como gênero, suporte ou esfera.

O comando da questão

O enunciado pede o "correto conceito de argumentação a ser utilizado na aula do professor", partindo do texto e "em conformidade com a concepção de texto em uma abordagem interacionista". Isso muda tudo: não se trata de localizar uma informação literal, mas de identificar a categoria teórica (tipo textual, gênero, suporte, esfera) que o texto de Zoppi Fontana mobiliza. A banca testa se o candidato distingue tipo textual (sequências linguísticas: narração, descrição, dissertação, injunção, exposição) de gênero textual (textos concretos: artigo, crônica, charge) e de suporte (meio físico ou virtual).

O texto e o movimento argumentativo

O texto "Argumentar na rede" descreve a argumentação como prática de linguagem presente em situações cotidianas, mas o ponto decisivo está no terceiro parágrafo, em que a autora enumera os recursos linguísticos da argumentação: palavras, sufixos, prefixos, diminutivos, locuções, interjeições, ordem das palavras, construções passivas/ativas, elipses e conjunções. É aí que mora a resposta: a argumentação é apresentada como sequências linguísticas — "as diversas formas de encadeamento dos enunciados no texto têm valor argumentativo". A autora não fala de um gênero específico (como o artigo de opinião), mas de modos textuais que atravessam qualquer texto.

A técnica que decide

A armadilha central é a confusão entre tipo e gênero textual. O tipo textual é a sequência linguística predominante (narrar, descrever, dissertar, argumentar, injungir); o gênero é o texto concreto que circula socialmente (carta, e-mail, artigo, charge). O texto de Zoppi Fontana trata a argumentação como tipo, pois descreve os recursos linguísticos que a materializam em qualquer enunciado. As alternativas A, C, D e E cometem erros do catálogo: A tangencia ao chamar de gênero; C extrapola ao falar de suporte; D restringe ao atribuir a argumentação às novas tecnologias; E extrapola ao falar de esfera de interação social.

1Tipo textual (✅ gabarito)
Sequências linguísticas
Modos textuais
Recursos: palavras, conectivos, ordem
2Gênero textual (❌)
Texto concreto: artigo, crônica
3Suporte (❌)
Base física ou virtual
4Gênero emergente (❌)
Resultado das novas tecnologias
5Esfera de interação (❌)
Funções da linguagem
Argumentação (abordagem interacionista)
LEVELsoulevel.com.br
Argumentação (abordagem interacionista): Tipo textual (✅ gabarito) (Sequências linguísticas, Modos textuais, Recursos: palavras, conectivos, ordem); Gênero textual (❌) (Texto concreto: artigo, crônica); Suporte (❌) (Base física ou virtual); Gênero emergente (❌) (Resultado das novas tecnologias); Esfera de interação (❌) (Funções da linguagem)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a argumentação é "forma textual estável, pois constitui um gênero textual". O texto não sustenta isso: a autora descreve a argumentação como prática que se manifesta por sequências linguísticas (palavras, conjunções, ordem dos enunciados), não como um gênero estável. O erro é de troca de conceito: confunde tipo textual com gênero textual. O texto não menciona gêneros específicos; fala de "formas de encadeamento dos enunciados", o que é tipologia.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa define a argumentação como "sequências linguísticas e modos textuais, pois constitui um tipo textual". Isso é exatamente o que o texto afirma no terceiro parágrafo:

"Argumentamos por meio de palavras... Sufixos e prefixos também participam na argumentação... As diversas formas de encadeamento dos enunciados no texto têm valor argumentativo."

A autora trata a argumentação como tipo textual, materializada em recursos linguísticos (léxico, morfologia, sintaxe, conectivos). A alternativa é uma paráfrase fiel do texto, sem acrescentar nem restringir nada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a argumentação é "base física ou virtual em que o texto se materializa, pois constitui um suporte". O texto não fala de suporte; fala de recursos linguísticos da argumentação. O erro é de extrapolação: o conceito de suporte (papel, tela, rádio) não aparece no texto. A autora menciona "novas tecnologias de linguagem" (hashtags, memes), mas como funcionamentos do digital, não como suporte da argumentação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a argumentação é "resultado de novas tecnologias e mídias digitais, pois constitui um gênero emergente". O texto menciona hashtags, memes e gifs, mas como contornos diferenciados da argumentação no digital, não como sua origem ou definição. O erro é de restrição: a argumentação não é resultado das novas tecnologias — ela é prática de linguagem anterior e mais ampla. O texto diz que "nas novas tecnologias de linguagem, a argumentação ganha contornos diferenciados", o que pressupõe que ela já existia antes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a argumentação é "prática que organiza os textos nas funções da linguagem, pois constitui uma esfera de interação social". O texto fala de "relação entre os interlocutores e com a situação do dizer", mas isso não equivale a "esfera de interação social" (conceito de Bakhtin ligado a gêneros do discurso). O erro é de extrapolação: o texto não organiza a argumentação pelas funções da linguagem (referencial, emotiva, conativa etc.), e o conceito de esfera não é mobilizado pela autora.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão clássica entre tipo textual e gênero textual. O texto fala de sequências linguísticas (tipo), mas as distratoras A e D tentam atrair o candidato com "gênero".

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "tipo textual", procure no texto a descrição de recursos linguísticos (palavras, conectivos, ordem dos enunciados); ao ver "gênero", procure a menção a textos concretos (artigo, crônica, charge). O texto de Zoppi Fontana só descreve recursos — logo, é tipo.

Gabarito: letra B. A argumentação, no texto, é um tipo textual — sequências linguísticas e modos textuais — e não gênero, suporte ou esfera. A regra de ouro: quando a banca pedir o conceito "em conformidade com o texto", teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta categoria, ou exige acrescentar um conceito de fora?

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