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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
qa670173
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF MS
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )

ARGUMENTAR NA REDE

   

Monica Graciela Zoppi Fontana

 

A argumentação é um fato de linguagem tão presente no nosso dia a dia que nem sempre percebemos sua força. Ela está presente nas mais diversas relações cotidianas: em conversas entre amigos, familiares e desconhecidos, nas reclamações de quem se encontra em uma fila de espera e demanda atendimento, nas estratégias para conseguir agendar uma consulta médica, na discussão sobre uma nota com um professor ou sobre um preço com um vendedor e até mesmo em situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri.

 

Argumentar é uma prática de linguagem que envolve uma relação entre os interlocutores e com a situação do dizer. Argumentamos a partir do já-dito, ou seja, dos sentidos já produzidos socialmente na história e presentes como memória discursiva. E ao argumentar estabelecemos uma relação particular com o não-dito e com o silêncio, pois a língua fornece a base material para essa prática.

 

Argumentamos por meio de palavras (casebre, mansão, pouco, um pouco, muito e muitas outras presentes no léxico da língua). Sufixos e prefixos também participam na argumentação (contradiscurso, antibelicista, pseudointelectual), assim como diminutivos e aumentativos (carrão, favorzinho, mulherzinha, garotão). Temos ainda locuções adverbiais (mesmo que, só que, apesar de, tanto quanto, por exemplo) e frases idiomáticas (descascar um abacaxi, enfiar o pé na jaca). E ainda há interjeições com valor argumentativo (vixe!, credo!). Argumentamos também por meio da forma de construção dos enunciados (a ordem das palavras na frase, construções passivas ou ativas, elipses etc.). As diversas formas de encadeamento dos enunciados no texto têm valor argumentativo. Algumas palavras, como as conjunções (portanto, porém, entre outras), explicitam o tipo de relação argumentativa presente no encadeamento.

 

Assim, a forma específica como os enunciados estão formulados afeta a interpretação, orientando o sentido produzido em uma determinada direção. Mas toda prática de linguagem é produzida por falantes constituídos enquanto tais em um tempo e um espaço específicos. Todo dizer é assim determinado pelos processos históricos e pelos espaços de enunciação nos quais é produzido. E isso afeta constitutivamente a argumentação.

 

Nas novas tecnologias de linguagem, a argumentação ganha contornos diferenciados, por meio de funcionamentos próprios do digital, como hashtags, memes, gifs e vídeos. Algumas expressões que surgiram na internet atravessam as fronteiras das redes sociais e são incorporadas na oralidade pelos falantes em suas trocas linguageiras.

 

A Linguística estuda essas questões e reflete sobre os diversos modos de argumentar ao longo do tempo e em diversos espaços de enunciação. Questões semânticas e discursivas devem ser abordadas para compreender melhor o funcionamento da argumentação nos dias atuais e para ponderar seus efeitos nas práticas de linguagem na sociedade.

 

Adaptado de:

https://www.blogs.unicamp.br/linguistica/2017/08/16/argumentar-na-rede/. Acesso em: 04 de abr. de 2025.

Leia o Texto 1 para responder à questão

 

Texto 1

   

No Texto 1, a autora descreve o papel dos itens lexicais e gramaticais na construção da argumentação. A exemplo disso, ela afirma que “Algumas palavras, como as conjunções (portanto, porém, entre outras), explicitam o tipo de relação argumentativa presente no encadeamento.”. Com base no exposto, leia o trecho a seguir e assinale a alternativa em que o termo ou a expressão em destaque marca o argumento mais forte na escala argumentativa composta no excerto.

“A argumentação é um fato de linguagem tão presente no nosso dia a dia que nem sempre percebemos sua força. Ela está presente nas mais diversas relações cotidianas: em conversas entre amigos, familiares e desconhecidos, nas reclamações de quem se encontra em uma fila de espera e demanda atendimento, nas estratégias para conseguir agendar uma consulta médica, na discussão sobre uma nota com um professor ou sobre um preço com um vendedor e até mesmo em situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri.”.

  1. ANem sempre.
  2. BSua força.
  3. CPara.
  4. DOu.
  5. EAté mesmo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Até mesmo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Escala argumentativa: o papel de "até mesmo" no trecho

Gabarito: letra E. O termo que marca o argumento mais forte na escala argumentativa é "até mesmo", pois ele introduz o ponto culminante da enumeração, indicando que o último item citado é o mais extremo ou inesperado. No trecho, a autora lista situações cotidianas de argumentação e finaliza com "até mesmo em situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri", em que "até mesmo" sinaliza que esse exemplo é o ápice da gradação, superando os anteriores em formalidade e complexidade.

O comando da questão

A questão pede que você identifique, entre os termos destacados, aquele que marca o argumento mais forte na escala argumentativa. Isso não é uma pergunta de compreensão literal, mas de interpretação do valor semântico-pragmático de cada expressão dentro do encadeamento do texto. A banca quer que você reconheça qual operador argumentativo tem a função de maximizar ou culminar a força do que está sendo dito.

O texto e o movimento argumentativo

No trecho, a autora enumera diversas situações em que a argumentação está presente, indo de contextos mais informais ("conversas entre amigos") até contextos mais formais ("julgamento no tribunal do Júri"). Essa enumeração é construída como uma gradação ascendente: cada item é, de certa forma, mais "forte" ou mais "institucional" que o anterior. O conectivo "até mesmo" é o responsável por marcar o ponto máximo dessa escala, pois introduz o elemento que, por ser o mais extremo, confirma e reforça a tese de que a argumentação está em toda parte.

A técnica que decide

A chave é reconhecer que "até mesmo" é um operador argumentativo de inclusão com valor de culminância. Ele não apenas soma um item à lista, mas o apresenta como o mais forte, o mais surpreendente ou o mais improvável — e é exatamente por isso que ele coroa a escala. Os demais termos destacados têm outras funções: "nem sempre" é um advérbio de frequência que restringe; "sua força" é um sintagma nominal que retoma uma ideia; "para" é uma preposição que introduz finalidade; "ou" é uma conjunção que estabelece alternância. Nenhum deles tem a função de escalonar a argumentação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre operadores de inclusão ("até mesmo") e operadores de alternância ("ou") ou de restrição ("nem sempre"). O candidato pode ser tentado a escolher "ou" por ser uma conjunção, mas o que a questão pede é o termo que maximiza a força argumentativa, não o que apenas conecta.

Análise das alternativas

1Maximizadores (culminância)
Até mesmo
Inclusive
Sobretudo
2Restritores (atenuação)
Nem sempre
Apenas
3Alternância
Ou
4Finalidade
Para
Operadores argumentativos
LEVELsoulevel.com.br
Operadores argumentativos: Maximizadores (culminância) (Até mesmo, Inclusive, Sobretudo); Restritores (atenuação) (Nem sempre, Apenas); Alternância (Ou); Finalidade (Para)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Nem sempre" é um advérbio de frequência que restringe a afirmação anterior ("tão presente... que nem sempre percebemos"). Ele não marca o argumento mais forte; pelo contrário, introduz uma limitação ou exceção. Na escala argumentativa, ele atua como um atenuador, não como um maximizador.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Sua força" é um sintagma nominal que retoma a ideia de que a argumentação tem força. Ele é o objeto da percepção, não um operador que escalona a argumentação. Não há, nesse termo, nenhum valor de gradação ou culminância.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Para" é uma preposição que introduz uma finalidade ("para conseguir agendar uma consulta médica"). Ela estabelece uma relação de objetivo, mas não participa da escala argumentativa de força. É um elemento de coesão sequencial com valor semântico de finalidade, não de intensidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Ou" é uma conjunção alternativa que estabelece uma relação de alternância ("sobre uma nota com um professor ou sobre um preço com um vendedor"). Ela conecta dois elementos de mesmo nível, sem criar qualquer hierarquia ou gradação entre eles. Portanto, não marca o argumento mais forte.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Até mesmo" é um operador argumentativo de inclusão com valor de culminância. Ele introduz o último elemento da enumeração como o mais forte, o mais extremo ou o mais inesperado. No trecho, ele coroa a escala ao apresentar o "julgamento no tribunal do Júri" como a situação mais formal e institucional, superando todas as anteriores. É exatamente essa função de maximizar que a questão pede.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o argumento mais forte em uma escala, procure por operadores como "até mesmo", "inclusive", "sobretudo", "principalmente" — eles têm a função de culminância. Conectivos como "ou" (alternância) e "nem sempre" (restrição) nunca exercem esse papel.

Gabarito: letra E — "até mesmo" é o único termo que, no contexto, atua como operador de culminância, marcando o ponto máximo da escala argumentativa construída pela autora.

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