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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — INSTITUTO AOCP 2025

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
qa670190
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF MS
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )

O LINGUISTA LIBERTÁRIO

 

Carlos Fioravanti (Jornal da Unicamp)

 

Quem foi e como era sua primeira professora ou professor de português?

Ataliba Castilho – Foi o professor Amaury de Assis Ferreira (1920-1995), pai do apresentador de TV Amauri Jr. Era um professor muito bom, lia e estudava muito, mostrava os livros que comprava com muito entusiasmo. De vez em quando eu ia na casa dele, meu pai era eletricista e ia trocar a resistência de seu fogão elétrico. A) Ele me chamava e mostrava a biblioteca e os livros que tinha comprado. Ele tinha muito prazer no que ele fazia. Pensei: “Quero ser um cara assim”. Depois peguei outros professores ótimos em São Paulo, como o Theodoro Maurer, meu orientador de doutorado. Quietinho, magrinho, filho de suíços, ele escreveu sozinho um dos trabalhos mais extensos do mundo sobre a gramática e a sintaxe do latim vulgar.

 

Qual sua participação no Museu da Língua Portuguesa?

Ataliba Castilho – Em 2004, Jarbas Mantovanini, que atuava na Fundação Roberto Marinho, apareceu na USP, apresentou o projeto do museu e disse que queria me fazer dois pedidos. O primeiro era dar ideias para o museu. O segundo era para fazer a linha do tempo sobre a história do português. Aryon iria fazer a parte das línguas indígenas e Yeda Pessoa de Castro, da Universidade Federal da Bahia, se ocuparia das línguas africanas. Jarbas disse para chamar quem eu quisesse. B) Chamei Mário Viaro e Marilza de Oliveira, os dois da USP, para fazer outras partes. Jarbas me perguntou como eu queria representar a linha do tempo, se com filmes ou painéis fixos. Preferi os painéis, porque já haveria filmes do outro lado da sala. C) Entreguei o projeto, ele gostou: “Está tudo muito bonito, mas no lugar do último quadro vou colocar um espelho. Todos vão percorrer aquela baita história de 2 mil anos e quando chegam no final vão ver a si mesmos”. Sabe que ele acertou na mosca? Muita gente que via a própria imagem D), depois de fazer o percurso histórico, caía no choro D). Uma colega de Minas, Maria Antonieta Cohen, ia no começo para ver o museu E) e depois para ver as pessoas quando chegavam no espelho. Ela me perguntou: “Por que será que elas choram?”. Fiquei pensando muito naquilo. As pessoas choravam, decerto, porque viam ali sua identidade. O que é a língua portuguesa? Sou eu, que represento agora todo esse percurso. A língua é minha identidade.

 

Adaptado de: https://unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2017/10/06/o- linguista-libertario/. Acesso em: 04 de abr. de 2025.

Leia o Texto 2 para responder à questão

 

Texto 2

 

Sobre as regras de concordância da língua portuguesa e a flexão dos vocábulos, assinale a alternativa correta.

  1. ANo excerto “De vez em quando eu ia na casa dele, meu pai era eletricista e ia trocar a resistência de seu fogão elétrico.”, os verbos estão flexionados no mesmo tempo, modo, número e pessoa para concordar com o sujeito.
  2. BNo excerto “Jarbas disse para chamar quem eu quisesse.”, os verbos destacados possuem a mesma desinência modo-temporal.
  3. CNo excerto “Preferi os painéis, porque já haveria filmes do outro lado da sala.”, o verbo destacado é utilizado no singular para concordar com o núcleo do sintagma nominal em função de sujeito.
  4. DNo excerto “Muita gente que via a própria imagem [...] caía no choro.”, o sujeito sintático do verbo destacado é representado pelo pronome que o antecede, mas a concordância ocorre com um sintagma nominal.
  5. ENo excerto “Uma colega de Minas, Maria Antonieta Cohen, ia no começo para ver o museu [...]”, o verbo destacado fica no infinitivo, pois seu sujeito é uma oração substantiva.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — No excerto “Muita gente que via a própria imagem [...] caía no choro.”, o sujeito sintático do verbo destacado é representado pelo pronome que o antecede, mas a concordância ocorre com um sintagma nominal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal com pronome relativo e expressões partitivas

Gabarito: letra D. A alternativa correta é a única que descreve com precisão o mecanismo de concordância no trecho: o verbo caía concorda com o núcleo do sujeito muita gente, e não com o pronome relativo que, que é apenas o sujeito sintático da oração adjetiva. Como se lê no texto: "Muita gente que via a própria imagem [...] caía no choro." — o verbo caía está no singular porque concorda com gente, núcleo do sintagma nominal muita gente.

O comando da questão

A questão pede que você analise regras de concordância e a flexão dos vocábulos em excertos do texto. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: você não precisa interpretar o sentido global, mas sim identificar, em cada trecho, se a afirmação sobre a concordância ou a flexão está correta. O comando "assinale a alternativa correta" indica que apenas uma é verdadeira — as demais contêm um erro de análise sintática ou morfológica.

O texto e o ponto central

O texto é uma entrevista com o linguista Ataliba Castilho, que fala sobre sua formação e sua participação no Museu da Língua Portuguesa. O trecho relevante para a questão é aquele em que ele descreve a reação das pessoas ao se verem no espelho ao final do percurso histórico: "Muita gente que via a própria imagem [...] caía no choro." A banca explora exatamente a estrutura sintática dessa frase: há um sujeito composto por uma expressão partitiva (muita gente) seguida de uma oração adjetiva introduzida pelo pronome relativo que.

A técnica que decide a questão

A regra central é: quando o sujeito é formado por uma expressão partitiva (como "muita gente", "a maioria de", "grande parte de") seguida de um pronome relativo, o verbo da oração principal concorda com o núcleo do sintagma nominal, não com o pronome relativo. No trecho, o sujeito de caía é muita gente — o núcleo é gente (substantivo feminino singular). O pronome que é o sujeito da oração adjetiva que via a própria imagem, e o verbo via concorda com o antecedente gente (3ª pessoa do singular). Portanto, a alternativa D está correta ao afirmar que o sujeito sintático do verbo destacado é o pronome que, mas a concordância ocorre com o sintagma nominal muita gente.

"Muita gente que via a própria imagem [...] caía no choro."

Aqui, que retoma gente e é o sujeito de via; caía tem como sujeito muita gente. A concordância de caía é feita com o núcleo gente, no singular.

Análise das alternativas

Concordância verbal
  • 1Sujeito partitivo + pronome relativo
    • Verbo principal concorda com o núcleo do sintagma
    • Ex.: "Muita gente que via... caía"
      • "caía" concorda com "gente"
      • "que" é sujeito da oração adjetiva
  • 2Verbo "haver" impessoal
    • Sem sujeito
    • Ex.: "haveria filmes" — "filmes" é objeto direto
  • 3Infinitivo em oração reduzida
    • Valor de finalidade
    • Ex.: "para ver o museu"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"De vez em quando eu ia na casa dele, meu pai era eletricista e ia trocar a resistência de seu fogão elétrico."

A afirmação diz que os verbos estão flexionados no mesmo tempo, modo, número e pessoa. Isso é falso: ia (1ª pessoa do singular, pretérito imperfeito do indicativo) e era (3ª pessoa do singular, pretérito imperfeito do indicativo) estão no mesmo tempo e modo, mas em pessoas diferentes (1ª e 3ª). Além disso, ia trocar é uma locução verbal com o auxiliar ia na 1ª pessoa. Portanto, a alternativa contradiz o texto ao afirmar que há identidade de pessoa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Jarbas disse para chamar quem eu quisesse."

A afirmação diz que os verbos destacados possuem a mesma desinência modo-temporal. Os verbos são disse (pretérito perfeito do indicativo) e quisesse (pretérito imperfeito do subjuntivo). As desinências modo-temporais são diferentes: -u (indicativo) e -sse (subjuntivo). Portanto, a alternativa contradiz o texto ao afirmar que são iguais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Preferi os painéis, porque já haveria filmes do outro lado da sala."

A afirmação diz que o verbo destacado (haveria) é usado no singular para concordar com o núcleo do sintagma nominal em função de sujeito. Isso é falso: o verbo haver no sentido de "existir" é impessoal — não possui sujeito. A forma haveria está no singular porque o verbo é impessoal, e não por concordância com um sujeito. O termo filmes é objeto direto, não sujeito. A alternativa extrapola ao atribuir uma concordância que não existe.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Muita gente que via a própria imagem [...] caía no choro."

Como explicado, o sujeito sintático do verbo caía é o pronome relativo que (que retoma gente), mas a concordância é feita com o núcleo do sintagma nominal muita gente, ou seja, com gente. A alternativa descreve exatamente esse mecanismo: o pronome que é o sujeito da oração adjetiva, mas o verbo principal concorda com o sintagma nominal. Portanto, está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Uma colega de Minas, Maria Antonieta Cohen, ia no começo para ver o museu [...]"

A afirmação diz que o verbo destacado (ver) fica no infinitivo porque seu sujeito é uma oração substantiva. Isso é falso: ver é um infinitivo que faz parte de uma oração reduzida de infinitivo com valor de finalidade ("para ver o museu"). O sujeito de ver é o mesmo de ia (a colega), e não uma oração substantiva. A alternativa extrapola ao inventar uma relação que não existe no texto.

Conclusão

A questão testa a habilidade de identificar o sujeito sintático e o núcleo do sujeito em estruturas com pronome relativo. A alternativa D é a única que acerta ao distinguir esses dois planos. Lembre-se: em "Muita gente que via...", o que é sujeito da oração adjetiva, mas o verbo principal concorda com gente. Essa distinção é clássica em provas de concordância.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar concordância, identifique primeiro o núcleo do sujeito — o substantivo ou pronome que comanda a flexão do verbo. Não se deixe enganar por pronomes relativos que aparecem entre o sujeito e o verbo.

Gabarito: letra D

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