Questão de Português — Figuras de Linguagem — INSTITUTO AOCP 2025
Português›Figuras de Linguagem
Código
qa670192
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF MS
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )
A SELVA DOS TEMPOS VERBAIS
Alessandro Boechat de Medeiro
No português e em muitas línguas, verbos expressam tempo. Por exemplo, na frase (1) abaixo, sabemos pela terminação do verbo comprar que a ação que ele designa ocorreu no passado, ou seja, antes do momento em que a frase foi dita:
(1) Mario comprou uma vara de pesca.
A terminação -ou, que exprime esse passado, é adicionada à raiz verbal compr-, raiz de um verbo regular de primeira conjugação da língua. Sabemos das nossas aulas de português na escola que essa terminação não codifica somente o tempo passado, mas também outras coisas importantes, como a concordância com o sujeito, o aspecto e o modo, pelo menos.
As línguas do mundo variam no que diz respeito ao que “colocam” no verbo. Por exemplo, além do tempo e do aspecto, os verbos podem carregar concordâncias de sujeito e objeto – como é o caso da língua georgiana, língua caucasiana meridional falada na Geórgia. Podem expressar inúmeras coisas através de partículas ou morfemas acoplados: concordâncias, advérbios, objetos indiretos etc. – como é o caso da língua terena, língua aruak falada principalmente no Mato Grosso do Sul. Podem simplesmente não expressar tempo algum nem concordâncias com afixos, recorrendo, para a veiculação do tempo dos acontecimentos descritos, a advérbios ou partículas, que podem estar em outras partes da frase – como acontece com o mandarim, língua sino-tibetana falada por mais ou menos 850 milhões de pessoas na China. Contudo, grande parte das línguas estudadas pelos linguistas e antropólogos expressa alguma dimensão temporal no verbo [...].
Disponível em: https://lefufrj.wordpress.com/wp- content/uploads/2023/12/1702995734270_ebook_nos- linguistica.pdf. Acesso em: 04 de abr. de 2025.
Leia o Texto 3 para responder à questão
Texto 3
Qual é a figura de linguagem presente no título do Texto 3?
AMetonímia.
BComparação.
CPerífrase.
DMetáfora.
EPleonasmo.
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GabaritoD — Metáfora.
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A Selva dos Tempos Verbais: metáfora no título
Gabarito: letra D (Metáfora). O título "A Selva dos Tempos Verbais" é uma metáfora, pois emprega a palavra "selva" em sentido figurado, fora do seu sentido básico (floresta densa), para designar metaforicamente a complexidade e a variedade dos tempos verbais. Como se lê no texto, o autor discorre sobre como "as línguas do mundo variam no que diz respeito ao que 'colocam' no verbo", e o título antecipa essa ideia de um conjunto vasto e intrincado de possibilidades, comparando-o a uma selva.
A questão pede a identificação da figura de linguagem presente no título do Texto 3. O comando é direto: não se trata de interpretar uma passagem, mas de reconhecer um recurso expressivo (figura de palavra) em uma expressão específica. Para isso, é preciso dominar a definição de cada figura listada nas alternativas e aplicá-la ao contexto do título.
O texto, de natureza expositiva, explica como os verbos expressam tempo em diferentes línguas, citando exemplos do português, georgiano, terena e mandarim. O título "A Selva dos Tempos Verbais" não é uma descrição literal — não há uma selva real de tempos verbais. A palavra "selva" é usada em sentido conotativo (figurado), estabelecendo uma comparação implícita entre a complexidade, a diversidade e a imprevisibilidade dos tempos verbais e a densidade de uma selva. Essa comparação sem conectivo comparativo (como, tal qual) é a essência da metáfora.
A técnica para resolver é: (1) identificar que o título usa linguagem figurada; (2) verificar se há um conectivo comparativo explícito (o que caracterizaria comparação/símile) — não há; (3) verificar se há uma substituição por relação de proximidade (metonímia) ou por uma característica/qualidade (perífrase) — não há; (4) verificar se há repetição de ideia (pleonasmo) — não há. O que resta é a metáfora: uma palavra ("selva") empregada fora do seu sentido próprio para criar uma imagem comparativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre metáfora e comparação. A comparação (símile) exige um conectivo comparativo explícito ("como", "tal qual", "assim como"). No título, não há conectivo; a comparação é implícita, o que caracteriza a metáfora.
Figuras de linguagem: Metáfora (Comparação implícita, Sem conectivo, Sentido figurado); Comparação (Conectivo explícito (como, tal qual)); Metonímia (Relação de proximidade); Perífrase (Relação de designação); Pleonasmo (Repetição de ideia)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Metonímia é a substituição de um termo por outro com base em uma relação de proximidade lógica (parte pelo todo, autor pela obra, continente pelo conteúdo, etc.). No título, "selva" não substitui "tempos verbais" por uma relação de contiguidade; não há uma relação de parte-todo ou causa-efeito entre eles. A relação é de semelhança (comparação implícita), não de proximidade. A alternativa tangencia o tema ao citar uma figura de palavra, mas a relação estabelecida é outra.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Comparação (ou símile) é a figura que estabelece uma comparação explícita, com o uso de conectivos como "como", "tal qual", "assim como", "que nem". No título "A Selva dos Tempos Verbais", não há conectivo comparativo; a comparação é implícita, subentendida. A alternativa confunde o conceito de comparação explícita com o de metáfora (comparação implícita).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Perífrase (ou antonomásia) é a substituição de um nome por uma expressão que o designa por meio de uma característica, qualidade ou fato notório (ex.: "Cidade Maravilhosa" por Rio de Janeiro; "Rei do Futebol" por Pelé). No título, "A Selva dos Tempos Verbais" não é uma forma alternativa de nomear algo já conhecido; é uma criação imagética que atribui uma qualidade figurada ao conjunto de tempos verbais. A alternativa extrapola o conceito de perífrase, que exige uma relação de designação, não de comparação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Metáfora é o emprego de uma palavra ou expressão em sentido figurado, fora do seu sentido básico, estabelecendo uma comparação implícita entre seres de universos distintos, sem o uso de conectivo comparativo. No título, "selva" é usada metaforicamente: os tempos verbais não são uma selva literal, mas são comparados a ela por sua complexidade, diversidade e imprevisibilidade. O texto reforça essa ideia ao longo do desenvolvimento, mostrando a variedade de formas de expressar tempo nas línguas do mundo. A alternativa está inteiramente sustentada pelo texto, pois o título antecipa, de forma figurada, o tema central do texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Pleonasmo é a repetição de uma ideia por meio de palavras diferentes (ex.: "subir para cima", "entrar para dentro"). No título, não há repetição de ideia; há uma comparação implícita. A alternativa contradiz a natureza do título, que é expressivo e imagético, não redundante.
Conclusão: a questão testa o domínio das figuras de palavra. A chave é distinguir a metáfora (comparação implícita, sem conectivo) da comparação (explícita, com conectivo). No título, a ausência de conectivo e o uso figurado de "selva" apontam inequivocamente para a metáfora.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar figuras de linguagem, pergunte-se: há conectivo comparativo? Se sim, é comparação. Se não, e há comparação implícita, é metáfora. Metonímia exige relação de proximidade; perífrase, relação de designação; pleonasmo, repetição de ideia.