Questão de Português — Uso do Hífen — INSTITUTO AOCP 2025
Português›Uso do Hífen
Código
qa670198
Banca
INSTITUTO AOCP
Órgão
IF MS
Ano
2025
Cargo
PEBTT ( )
A SELVA DOS TEMPOS VERBAIS
Alessandro Boechat de Medeiro
No português e em muitas línguas, verbos expressam tempo. Por exemplo, na frase (1) abaixo, sabemos pela terminação do verbo comprar que a ação que ele designa ocorreu no passado, ou seja, antes do momento em que a frase foi dita:
(1) Mario comprou uma vara de pesca.
A terminação -ou, que exprime esse passado, é adicionada à raiz verbal compr-, raiz de um verbo regular de primeira conjugação da língua. Sabemos das nossas aulas de português na escola que essa terminação não codifica somente o tempo passado, mas também outras coisas importantes, como a concordância com o sujeito, o aspecto e o modo, pelo menos.
As línguas do mundo variam no que diz respeito ao que “colocam” no verbo. Por exemplo, além do tempo e do aspecto, os verbos podem carregar concordâncias de sujeito e objeto – como é o caso da língua georgiana, língua caucasiana meridional falada na Geórgia. Podem expressar inúmeras coisas através de partículas ou morfemas acoplados: concordâncias, advérbios, objetos indiretos etc. – como é o caso da língua terena, língua aruak falada principalmente no Mato Grosso do Sul. Podem simplesmente não expressar tempo algum nem concordâncias com afixos, recorrendo, para a veiculação do tempo dos acontecimentos descritos, a advérbios ou partículas, que podem estar em outras partes da frase – como acontece com o mandarim, língua sino-tibetana falada por mais ou menos 850 milhões de pessoas na China. Contudo, grande parte das línguas estudadas pelos linguistas e antropólogos expressa alguma dimensão temporal no verbo [...].
Disponível em: https://lefufrj.wordpress.com/wp- content/uploads/2023/12/1702995734270_ebook_nos- linguistica.pdf. Acesso em: 04 de abr. de 2025.
Leia o Texto 3 para responder à questão
Texto 3
Sobre as regras de uso do hífen estabelecidas pelo novo acordo ortográfico, assinale a alternativa correta.
AEm palavras derivadas por prefixação, utiliza-se o hífen quando o prefixo termina com a mesma vogal com a qual se inicia a base.
BForam mantidas sem alteração as disposições sobre o uso de hífen em palavras compostas que perderam a noção de composição.
CNão se emprega hífen quando em uma derivação prefixal a base começa com h, com exceção para os casos de des- e de in- diante de bases que perderam o h inicial.
DManteve-se o hífen em palavras com prefixo diante de r ou s, excetuando-se os casos de derivação cujo prefixo termina em -r, quando se dispensa o hífen.
EEm palavras derivadas por prefixação, utiliza-se o hífen quando o prefixo termina com uma vogal diferente daquela que inicia a base de formação.
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GabaritoA — Em palavras derivadas por prefixação, utiliza-se o hífen quando o prefixo termina com a mesma vogal com a qual se inicia a base.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Regras do hífen no novo acordo ortográfico
Gabarito: letra A. A alternativa correta é a que afirma: "Em palavras derivadas por prefixação, utiliza-se o hífen quando o prefixo termina com a mesma vogal com a qual se inicia a base." Essa é a regra geral do novo acordo: vogais iguais → hífen; vogais diferentes → sem hífen. Como se vê no material de apoio: "Usa-se para vogais iguais: Micro-ondas; contra-ataque; anti-inflamatório; auto-observação" e "Não se usa hífen para unir vogais diferentes: autoestrada, agroindustrial, anteontem, extraoficial".
O comando pede que você assinale a alternativa correta sobre as regras do hífen estabelecidas pelo novo acordo ortográfico. Isso é uma questão de conhecimento normativo (gramática), não de interpretação de texto — o texto-base sobre tempos verbais é apenas pretexto. Você precisa dominar as regras do hífen na derivação prefixal.
A regra central é: quando o prefixo termina em vogal e a base começa com a mesma vogal, usa-se hífen (ex.: micro-ondas, anti-inflamatório). Quando as vogais são diferentes, não se usa hífen (ex.: autoestrada, extraoficial). Essa é a regra que a alternativa A descreve com precisão.
As demais alternativas contêm erros sutis: algumas invertem a regra, outras generalizam exceções, outras misturam casos específicos. Vamos analisar cada uma.
Hífen na prefixação (novo acordo)
1Vogais iguais
Usa hífen
Ex.: micro-ondas, anti-inflamatório
2Vogais diferentes
Não usa hífen
Ex.: autoestrada, extraoficial
3Antes de H
Sempre hífen
Ex.: anti-higiênico, super-homem
4Prefixo + R/S
Termina em vogal
Sem hífen, dobra a consoante
Ex.: antirrábico, minissaia
Termina em consoante
Hífen (mesma consoante)
Ex.: inter-racial, super-romântico
5Perda da noção de composição
Sem hífen
Ex.: girassol, paraquedas
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmação está correta e é a única inteiramente fiel à regra do novo acordo. O material de apoio confirma:
"Usa-se para vogais iguais: Micro-ondas; contra-ataque; anti-inflamatório; auto-observação"
A alternativa diz exatamente isso: "utiliza-se o hífen quando o prefixo termina com a mesma vogal com a qual se inicia a base". Exemplos: anti-inflamatório (anti + inflamatório), micro-ondas (micro + ondas), contra-ataque (contra + ataque). É a regra geral, sem exceções indevidas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A afirmação diz que "foram mantidas sem alteração as disposições sobre o uso de hífen em palavras compostas que perderam a noção de composição". Isso é falso: o novo acordo aboliu o hífen em várias palavras que perderam a noção de composição, como girassol, mandachuva, paraquedas (antes: para-quedas). O material de apoio registra:
"Não se usa o hífen em certas palavras que perderam a noção de composição: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas (e derivados)."
Portanto, houve alteração (supressão do hífen), não manutenção. A alternativa contradiz o texto e a realidade normativa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A afirmação diz que "não se emprega hífen quando em uma derivação prefixal a base começa com h, com exceção para os casos de des- e de in- diante de bases que perderam o h inicial". Isso está invertido: a regra é exatamente o contrário — antes de h, SEMPRE se usa hífen (ex.: anti-higiênico, super-homem, pré-história). O material de apoio é claro:
"Antes de palavra com H, SEMPRE HÁ HÍFEN: anti-higiênico, circum-hospitalar, contra-harmônico, extra-humano, pré-história, sub-hepático, super-homem, ultra-hiperbólico, geo-história, neo-helênico, pan-helenismo, semi-hospitalar"
A exceção citada (des- e in- diante de bases que perderam o h inicial) é real, mas a regra geral foi invertida. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A afirmação diz que "manteve-se o hífen em palavras com prefixo diante de r ou s, excetuando-se os casos de derivação cujo prefixo termina em -r, quando se dispensa o hífen". Isso é parcialmente verdadeiro, mas incompleto e impreciso. A regra atual é: quando o prefixo termina em vogal e a base começa com r ou s, dobra-se a consoante e NÃO se usa hífen (ex.: antirrábico, minissaia, cosseno). O hífen só permanece quando o prefixo termina em consoante e a base começa com a mesma consoante (ex.: inter-racial, super-romântico). O material de apoio:
"Quando o prefixo termina com vogal e o elemento seguinte começa com R ou S: Dobre a consoante e não use o hífen: Exemplos: corréu (co + réu), autorretrato (auto + retrato), ultrassonografia (ultra + sonografia), contrarregra (contra + regra), antirreligioso (anti + religioso), corresponsável (co + responsável)."
A alternativa generaliza de forma incorreta, pois não distingue prefixo terminado em vogal (sem hífen, com dobra) de prefixo terminado em consoante (com hífen se mesma consoante). Restringe indevidamente o alcance da regra.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmação diz que "utiliza-se o hífen quando o prefixo termina com uma vogal diferente daquela que inicia a base de formação". Isso é o oposto da regra: vogais diferentes → sem hífen. O material de apoio:
"Não se usa hífen para unir vogais diferentes: autoestrada, agroindustrial, anteontem, extraoficial, videoaulas, autoaprendizagem, coautor, infraestrutura, semianalfabeto"
A alternativa inverte a regra, trocando o conectivo lógico: onde o texto diz "não se usa", ela diz "utiliza-se". É uma clássica pegadinha de troca de vocábulo que inverte o sentido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre vogais iguais (hífen) e vogais diferentes (sem hífen), além de inverter a regra do h inicial e do r/s. Fique atento: a regra do h é sempre hífen, e a do r/s com prefixo terminado em vogal é dobra e sem hífen.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de hífen, decore o par: vogais iguais → hífen; vogais diferentes → sem hífen. E lembre: antes de H, sempre hífen; com prefixo terminado em vogal + R/S, dobra a consoante e sem hífen.
Conclusão: a única alternativa que reproduz fielmente uma regra do novo acordo é a letra A. As demais ou invertem a regra (C, E), ou generalizam exceções (D), ou negam alterações que ocorreram (B).