Questão de Português — Orações Subordinadas Substantivas — Quadrix 2025
Português›Orações Subordinadas Substantivas
Código
qa675062
Banca
Quadrix
Órgão
SEE DF
Ano
2025
Cargo
Prof ST ( )
A educação e, mais propriamente, o trabalho escolar de ensino e aprendizagem têm sido objeto de pesquisa sistemática. É desejável que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico.
A pesquisa em sala de aula insere‑se no campo da pesquisa social e pode ser construída de acordo com um paradigma quantitativo, que deriva do positivismo, ou com um paradigma qualitativo, que provém da tradição epistemológica conhecida como interpretativismo. O positivismo e o interpretativismo são as duas principais tradições no desenvolvimento da pesquisa social. O positivismo começou a ser empregado nas ciências exatas e foi depois importado pelas ciências sociais, a partir do início do século XIX, desfrutando desde então de grande prestígio.
Durante o século XX, a humanidade avançou mais na produção de conhecimento científico do que em todos os milênios de sua existência até agora. As ciências estão organizadas em associações científicas, guardiãs da tradição e da fidedignidade da produção dos cientistas e responsáveis pela intensa divulgação de seus progressos. Mas não se pode imaginar que o nascedouro das ciências seja contemporâneo das modernas tecnologias. O conhecimento científico tem avançado juntamente com a história da humanidade. Contudo, há alguns períodos nessa história em que o avanço foi mais rápido e mais intenso.
Há muitos registros de atividade científica entre os povos antigos. Exemplos são os conhecimentos de astronomia dos maias, pré‑colombianos; a técnica de mumificação e de construção das pirâmides no antigo Egito; a tecnologia náutica entre os fenícios e outros povos navegadores. Mas foram os gregos, no século IV a.C., que usaram extensivamente a escrita para registrar a evolução de pensamento nas diversas ciências. Essa herança está, praticamente, nas raízes de todo o acervo científico ocidental.
BORTONI‑RICARDO, Stella Maris. O professor
pesquisador: introdução à pesquisa qualitativa. São Paulo: Parábola Editorial, 2008, p. 10‑12 (com adaptações).
No que diz respeito aos aspectos gramaticais do texto, julgue o item a seguir. O papel da oração “que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico” no período “É desejável que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico” é o de complementar a significação do adjetivo “desejável”.
CCerto
EErrado
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GabaritoE — Errado
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Oração subordinada substantiva subjetiva: função sintática no período
Gabarito: E (Errado). A oração “que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico” não complementa o adjetivo “desejável”; ela exerce a função de sujeito do verbo “É” (verbo de ligação), sendo, portanto, uma oração subordinada substantiva subjetiva. A banca tenta confundir o candidato ao sugerir que a oração seria um complemento nominal, mas a estrutura sintática do período prova o contrário.
Desenvolvimento: entendendo a função sintática da oração
1. O comando da questão: o enunciado pede que se julgue a afirmação sobre o papel sintático da oração destacada. Isso é uma questão de análise sintática — não de interpretação de texto. O candidato precisa identificar a função que a oração exerce dentro do período, e não apenas compreender o sentido global.
2. A estrutura do período: “É desejável que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico”.
Oração principal: “É desejável” — verbo “ser” (verbo de ligação) + predicativo do sujeito “desejável”.
Oração subordinada: “que os professores e todos os atores envolvidos com a educação tenham uma postura pró‑ativa na produção de conhecimento científico” — introduzida pela conjunção integrante “que”.
3. A técnica para classificar: orações subordinadas substantivas podem ser substituídas por “isso” ou “isto”. Veja:
“É desejável isso.”
Agora, pergunte: o que é desejável? A resposta é “isso” — ou seja, a oração “que os professores... tenham uma postura pró‑ativa” responde à pergunta “o que é desejável?”. Isso indica que a oração exerce a função de sujeito do verbo “é”.
4. A regra que decide: quando a oração subordinada substantiva funciona como sujeito do verbo da oração principal, ela é classificada como subjetiva. O verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular justamente porque o sujeito é oracional. No caso, “É desejável” — o “é” está na 3ª pessoa do singular, concordando com o sujeito oracional.
5. Por que não é complemento nominal? O complemento nominal completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e, quando é oracional, vem introduzido por preposição. Exemplo: “Tenho certeza de que você vai passar” — “de que você vai passar” é complemento nominal de “certeza”. No período em análise, não há preposição antes do “que”, e a oração não completa o sentido de um nome; ela é o próprio sujeito da oração principal.
6. A pegadinha da banca: a banca tenta fazer o candidato acreditar que a oração complementa o adjetivo “desejável”. Isso seria verdade se houvesse uma preposição (ex.: “É desejável de que...”), mas não há. A estrutura “É + adjetivo + que” é um caso clássico de oração subordinada substantiva subjetiva, como em “É importante que você estude” ou “É preciso que você venha”.
Oração subordinada substantiva: Subjetiva (Função: sujeito do verbo, Teste: substituir por "isso", Ex.: "É desejável isso"); Completiva nominal (Função: complementa nome, Exige preposição, Ex.: "certeza de que..."); Pegadinha da banca (Sugere complemento do adjetivo, Ausência de preposição = subjetiva)
Alternativa E — ❌ Errado ⟵ GABARITO
A afirmação está errada. A oração não complementa o adjetivo “desejável”; ela exerce a função de sujeito do verbo “é”. A prova está na substituição por “isso”:
“É desejável isso.”
“Isso” é o sujeito de “é”. Portanto, a oração “que os professores... tenham uma postura pró‑ativa” é uma oração subordinada substantiva subjetiva, e não um complemento nominal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre oração subjetiva e completiva nominal. A ausência de preposição antes do “que” é a pista decisiva: se fosse complemento nominal, haveria preposição (ex.: “É desejável de que...”).
PEGA ESSA DICA!
Ao classificar orações subordinadas substantivas, substitua a oração por “isso” ou “isto”. Se a oração responder à pergunta “o que é...?”, ela é subjetiva. Se completar um nome com preposição, é completiva nominal.
Conclusão: a oração em questão é sujeito do verbo “é”, e não complemento do adjetivo “desejável”. Portanto, o item está errado.