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Questão de Português — Figuras de Linguagem — Quadrix 2025

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
qa675077
Banca
Quadrix
Órgão
SEE DF
Ano
2025
Cargo
Prof ST ( )

Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete e andava arrecadando opiniões. Suspeitei que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com as suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando minha defesa. Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Verissimo errado? Não. Então vamos em frente.


Respondi que a linguagem é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática). A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas.


Claro que eu não disse tudo isso para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas – isso eu disse – vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato‑as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas.


VERISSIMO, Luís Fernando. O gigolô das palavras. In: Luís Fernando Verissimo. Para gostar de ler; Luís Fernando Verissimo: o nariz e outras crônicas. 10a . ed. São Paulo: Ática, 2002. p. 77 (com adaptações).

Com base nos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item seguinte.   Na estrutura da oração “A Gramática é o esqueleto da língua”, há uma figura de linguagem denominada comparação.
  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

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Metáfora ou comparação? A figura em "A Gramática é o esqueleto da língua"

Gabarito: E (Errado). A oração "A Gramática é o esqueleto da língua" não contém uma comparação (símile), mas sim uma metáfora — pois não há conectivo comparativo explícito (como, tal qual, que nem, etc.) ligando os dois termos. A metáfora é uma comparação implícita, sem conectivo; a comparação exige o conectivo. Como o texto não traz nenhum elemento que sinalize a comparação, a assertiva está errada.

"A Gramática é o esqueleto da língua."

A passagem acima é a única que sustenta a análise: o verbo é estabelece uma identificação entre Gramática e esqueleto, não uma aproximação com conectivo. É exatamente o que caracteriza a metáfora.


O comando da questão

O enunciado pede para julgar (certo/errado) uma afirmação sobre aspectos gramaticais do texto, especificamente sobre a figura de linguagem presente na oração. Isso é uma questão de conceito — não de interpretação de sentido global, mas de reconhecimento de figura de linguagem com base na definição técnica. Portanto, a resolução depende de saber a diferença entre metáfora e comparação.

O texto e o trecho relevante

O texto de Verissimo discute a relação entre Gramática e língua. No segundo parágrafo, o autor afirma que a Gramática é o esqueleto da língua, ou seja, algo que dá estrutura, mas que não é a língua em si. Essa é uma imagem metafórica: a Gramática não é literalmente um esqueleto, mas funciona como um esqueleto para a língua. A comparação está implícita — não há palavra como "como" ou "tal qual" explicitando a relação.

A técnica que decide: metáfora × comparação

A comparação (ou símile) é uma figura de linguagem em que se estabelece uma relação explícita entre dois termos, geralmente por meio de conectivos comparativos: como, tal qual, que nem, assim como, feito, etc. Exemplo: "Ele é forte como um touro."

A metáfora é uma comparação implícita, em que um termo é usado no lugar de outro, sem conectivo, criando uma identificação entre eles. Exemplo: "Ele é um touro" (em vez de "forte como um touro").

Na oração do texto, temos:

  • Sujeito: A Gramática

  • Verbo de ligação: é

  • Predicativo: o esqueleto da língua

O verbo é não é um conectivo comparativo; ele atribui uma qualidade ao sujeito, identificando-o com o predicativo. Não há palavra como "como" ou "tal qual". Portanto, a figura é metáfora, não comparação.

Figuras de linguagem
  • 1Comparação (símile)
    • Relação explícita
    • Conectivo comparativo (como, tal qual)
  • 2Metáfora
    • Comparação implícita
    • Sem conectivo
    • Identificação entre termos
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Análise da assertiva

A assertiva afirma que há uma comparação. Isso está errado, pois falta o conectivo comparativo. A figura correta é a metáfora.


Conclusão

A banca tentou confundir o candidato com a proximidade entre os conceitos. A regra de ouro: se há conectivo comparativo explícito, é comparação; se não há, é metáfora. Na frase em questão, não há conectivo, logo é metáfora. Portanto, a assertiva está errada.

Gabarito: E (Errado).

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