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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — Quadrix 2025

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
qa675110
Banca
Quadrix
Órgão
SEE DF
Ano
2025
Cargo
Prof ST ( )

O educador democrático não pode negar‑se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis. E esta rigorosidade metódica não tem nada que ver com o discurso “bancário” meramente transferidor do perfil do objeto ou do conteúdo. É exatamente neste sentido que ensinar não se esgota no “tratamento” do objeto ou do conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível. E essas condições implicam ou exigem a presença de educadores e de educandos criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. Faz parte das condições em que aprender criticamente é possível a pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos. Pelo contrário, nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Só assim podemos falar realmente de saber ensinado, em que o objeto ensinado é apreendido na sua razão de ser e, portanto, aprendido pelos educandos.


Percebe‑se, assim, a importância do papel do educador, o mérito da paz com que viva a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo. Daí a impossibilidade de vir a tornar‑se um professor crítico se, mecanicamente memorizador, é muito mais um repetidor cadenciado de frases e de ideias inertes do que um desafiador. O intelectual memorizador, que lê horas a fio, domesticando‑se ao texto, temeroso de arriscar‑se, fala de suas leituras quase como se estivesse recitando‑as de memória – não percebe, quando realmente existe, nenhuma relação entre o que leu e o que vem ocorrendo no seu país, na sua cidade, no seu bairro. Repete o lido com precisão, mas raramente ensaia algo pessoal. Fala bonito de dialética, mas pensa mecanicistamente. Pensa errado. É como se os livros todos a cuja leitura dedica tempo farto nada devessem ter com a realidade de seu mundo. A realidade com que eles têm que ver é a realidade idealizada de uma escola que vai virando cada vez mais um dado aí, desconectado do concreto.


Não se lê criticamente como se fazê‑lo fosse a mesma coisa que comprar mercadoria por atacado. Ler vinte livros, trinta livros. A leitura verdadeira me compromete de imediato com o texto que a mim se dá e a que me dou e de cuja compreensão fundamental me vou tornando também sujeito.


FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia 

saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Coleção Leitura (com adaptações).

Em relação ao texto, às ideias nele expressas e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.

 

Sem prejuízo da coerência das ideias do texto, o vocábulo “cognoscíveis”, no trecho “Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se ‘aproximar’ dos objetos cognoscíveis.”, poderia ser substituído por de conhecimento.

  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de vocábulo: “cognoscíveis” por “de conhecimento”

Gabarito: C (Certo). A substituição de “cognoscíveis” por “de conhecimento” preserva o sentido e a coerência do texto, pois ambos os termos remetem à mesma ideia: objetos que podem ser conhecidos. A palavra “cognoscíveis” é um adjetivo erudito que significa “que se pode conhecer”, e a expressão “de conhecimento” cumpre exatamente essa função, mantendo a referência aos objetos do saber. A troca é válida porque não altera a relação de sentido estabelecida no trecho, nem compromete a progressão textual.

O comando da questão é de reescritura de frases, especificamente de substituição de palavras ou trechos. Nesse tipo de questão, o que se avalia é se a troca proposta mantém o sentido original, a coerência e a coesão do texto. Não se trata de julgar se a substituição é “melhor” ou “mais elegante”, mas se ela é semanticamente equivalente e não provoca prejuízo à compreensão.

No trecho em análise, o autor Paulo Freire afirma que uma das tarefas do educador é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis. O adjetivo “cognoscíveis” qualifica os objetos que podem ser conhecidos, ou seja, os objetos do conhecimento. A expressão “de conhecimento” tem exatamente o mesmo valor semântico: “objetos de conhecimento” são aqueles que podem ser conhecidos. Portanto, a substituição é perfeitamente adequada.

A banca explora aqui um falso distrator: o candidato pode estranhar a troca de um adjetivo por uma locução adjetiva, mas a equivalência de sentido é total. A palavra “cognoscível” vem do latim cognoscere (conhecer) e é sinônima de “conhecível”, “que se pode conhecer”. Já a locução “de conhecimento” funciona como adjetivo, qualificando o substantivo “objetos”. Não há qualquer mudança de sentido, de regência ou de classe gramatical que comprometa a estrutura da frase.

“Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se ‘aproximar’ dos objetos cognoscíveis.”

A passagem mostra que “cognoscíveis” é um atributo dos “objetos”, indicando que eles são passíveis de serem conhecidos. A substituição por “de conhecimento” mantém essa mesma qualificação: “objetos de conhecimento” são aqueles que podem ser conhecidos. A coerência do texto permanece intacta, pois a ideia central — a aproximação metódica dos educandos aos objetos do saber — não se altera.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmativa está correta. A substituição de “cognoscíveis” por “de conhecimento” é válida, pois ambos os termos expressam a mesma ideia: objetos que podem ser conhecidos. A troca não altera o sentido do trecho, não quebra a coerência e não compromete a coesão textual. A palavra “cognoscíveis” é um adjetivo erudito, e a locução “de conhecimento” cumpre a mesma função adjetiva, mantendo a referência aos objetos do saber.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A afirmativa está incorreta porque a substituição é plenamente possível. Quem marca esta alternativa comete o erro de superestimar a diferença entre o adjetivo erudito e a locução comum, imaginando que a troca alteraria o sentido. No entanto, “cognoscíveis” e “de conhecimento” são semanticamente equivalentes: ambos qualificam os objetos como passíveis de serem conhecidos. Não há prejuízo à coerência nem ao sentido original.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a falsa impressão de que um termo erudito não pode ser substituído por uma expressão simples. O candidato pode achar que “cognoscíveis” tem um sentido técnico específico que “de conhecimento” não capturaria, mas ambos são sinônimos perfeitos no contexto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição de palavras, pergunte-se: “a troca mantém o sentido literal e a função sintática do termo original?”. Se sim, a substituição é válida. Não se deixe intimidar por palavras eruditas — busque o significado e compare com a expressão proposta.

Gabarito: letra C (Certo).

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