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Questão de Português — Sujeito — Quadrix 2025

PortuguêsSujeito
Código
qa675113
Banca
Quadrix
Órgão
SEE DF
Ano
2025
Cargo
Prof ST ( )

O educador democrático não pode negar‑se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis. E esta rigorosidade metódica não tem nada que ver com o discurso “bancário” meramente transferidor do perfil do objeto ou do conteúdo. É exatamente neste sentido que ensinar não se esgota no “tratamento” do objeto ou do conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível. E essas condições implicam ou exigem a presença de educadores e de educandos criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. Faz parte das condições em que aprender criticamente é possível a pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos. Pelo contrário, nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Só assim podemos falar realmente de saber ensinado, em que o objeto ensinado é apreendido na sua razão de ser e, portanto, aprendido pelos educandos.


Percebe‑se, assim, a importância do papel do educador, o mérito da paz com que viva a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo. Daí a impossibilidade de vir a tornar‑se um professor crítico se, mecanicamente memorizador, é muito mais um repetidor cadenciado de frases e de ideias inertes do que um desafiador. O intelectual memorizador, que lê horas a fio, domesticando‑se ao texto, temeroso de arriscar‑se, fala de suas leituras quase como se estivesse recitando‑as de memória – não percebe, quando realmente existe, nenhuma relação entre o que leu e o que vem ocorrendo no seu país, na sua cidade, no seu bairro. Repete o lido com precisão, mas raramente ensaia algo pessoal. Fala bonito de dialética, mas pensa mecanicistamente. Pensa errado. É como se os livros todos a cuja leitura dedica tempo farto nada devessem ter com a realidade de seu mundo. A realidade com que eles têm que ver é a realidade idealizada de uma escola que vai virando cada vez mais um dado aí, desconectado do concreto.


Não se lê criticamente como se fazê‑lo fosse a mesma coisa que comprar mercadoria por atacado. Ler vinte livros, trinta livros. A leitura verdadeira me compromete de imediato com o texto que a mim se dá e a que me dou e de cuja compreensão fundamental me vou tornando também sujeito.


FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia 

saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Coleção Leitura (com adaptações).

Em relação ao texto, às ideias nele expressas e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.

 

Na oração “Faz parte das condições”, no trecho “Faz parte das condições em que aprender criticamente épossível a pressuposição por parte dos educandos”, a flexão verbal na terceira pessoa do singular justifica‑se pela concordância do verbo com o fato expresso no período anterior, entendendo‑se presente, na referida oração, a forma pronominal elíptica Isso – Isso faz parte das condições.

  1. CCerto
  2. EErrado
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GabaritoE — Errado

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal: o sujeito de “Faz parte” é oracional, não o período anterior

Gabarito: E (Errado). A flexão do verbo “faz” na terceira pessoa do singular não se justifica por concordância com o período anterior, mas sim porque o sujeito da oração é uma oração subordinada substantiva subjetiva — “a pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos”. Quando o sujeito é oracional, o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular, como se lê no trecho: “Faz parte das condições em que aprender criticamente é possível a pressuposição por parte dos educandos...”. A afirmação de que haveria uma forma pronominal elíptica “Isso” como sujeito é incorreta: o sujeito está explícito na oração, apenas posposto ao verbo.

O comando pede um julgamento de Certo/Errado sobre uma justificativa gramatical. A tarefa é de análise sintática e concordância verbal aplicada ao texto — não de interpretação de ideias. Para resolver, é preciso identificar o sujeito da oração “Faz parte das condições” e verificar se a explicação dada no item corresponde à regra gramatical.

No trecho, a oração principal é “Faz parte das condições”. O verbo “fazer”, nesse contexto, é transitivo indireto (fazer parte de algo). O sujeito de “faz” é a longa sequência que vem depois: “a pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos”. O núcleo do sujeito é “a pressuposição”, que vem posposto ao verbo. Como esse núcleo é um substantivo singular, o verbo fica no singular — mas isso é concordância com o sujeito oracional/posposto, não com o “período anterior”.

A regra que decide a questão: quando o sujeito é uma oração subordinada substantiva subjetiva (ou quando o núcleo do sujeito é posposto), o verbo da oração principal fica na 3ª pessoa do singular. Exemplo clássico: “É fundamental que os alunos façam as atividades” — o “é” concorda com a oração “que os alunos façam...”, não com algo externo. No texto, “Faz parte” concorda com “a pressuposição...”, que é o sujeito.

A banca tenta confundir ao afirmar que a flexão se justifica pela concordância com o “fato expresso no período anterior” e que haveria um “Isso” elíptico. Isso é um erro de análise: o sujeito não é elíptico, está explícito e posposto. A forma “Isso” não está subentendida; o que ocorre é a posposição do sujeito ao verbo, recurso estilístico comum em textos formais.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inventa um sujeito elíptico (“Isso”) e atribui a concordância a uma relação com o período anterior, quando, na verdade, o sujeito está explícito e posposto. A armadilha é trocar o referente do sujeito — o candidato que não identifica o sujeito oracional cai na explicação falsa.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens de concordância, sublinhe o verbo e pergunte “quem faz?”. Se a resposta for uma oração ou um termo posposto, a concordância é com ele, não com o que veio antes.

1Sujeito
Oracional (subjetiva)
Posposto ao verbo
Núcleo: "a pressuposição"
2Justificativa do item
"Isso" elíptico (não existe)
Concordância com período anterior (não ocorre)
3Regra
Sujeito oracional → verbo na 3ª pessoa do singular
Concordância de "Faz parte"
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Concordância de "Faz parte": Sujeito (Oracional (subjetiva), Posposto ao verbo, Núcleo: "a pressuposição"); Justificativa do item ("Isso" elíptico (não existe), Concordância com período anterior (não ocorre)); Regra (Sujeito oracional → verbo na 3ª pessoa do singular)

Item — ❌ Errado ⟵ GABARITO

A justificativa apresentada está incorreta por dois motivos:

  1. O sujeito não é elíptico. A forma “Isso” não está subentendida. O sujeito de “Faz parte” é a oração “a pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos”, que está explícita no texto, apenas posposta ao verbo.

  1. A concordância não se dá com o período anterior. O verbo “faz” concorda com o sujeito oracional (ou com o núcleo “a pressuposição”), não com um “fato expresso no período anterior”. A regra é: sujeito oracional → verbo na 3ª pessoa do singular.

Veja a estrutura:

“Faz parte das condições em que aprender criticamente é possível a pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos.”

O trecho em negrito é o sujeito. O verbo “faz” concorda com ele, não com o período anterior. Portanto, a afirmação do item é falsa.

Conclusão: a flexão na 3ª pessoa do singular justifica-se pela concordância com o sujeito oracional posposto, e não por uma forma pronominal elíptica “Isso” referente ao período anterior. O item está errado.

Gabarito: E (Errado).

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