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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — Quadrix 2025

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
qa675117
Banca
Quadrix
Órgão
SEE DF
Ano
2025
Cargo
Prof ST ( )

O educador democrático não pode negar‑se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. Uma de suas tarefas primordiais é trabalhar com os educandos a rigorosidade metódica com que devem se “aproximar” dos objetos cognoscíveis. E esta rigorosidade metódica não tem nada que ver com o discurso “bancário” meramente transferidor do perfil do objeto ou do conteúdo. É exatamente neste sentido que ensinar não se esgota no “tratamento” do objeto ou do conteúdo, superficialmente feito, mas se alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível. E essas condições implicam ou exigem a presença de educadores e de educandos criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. Faz parte das condições em que aprender criticamente é possível a pressuposição por parte dos educandos de que o educador já teve ou continua tendo experiência da produção de certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser simplesmente transferidos. Pelo contrário, nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Só assim podemos falar realmente de saber ensinado, em que o objeto ensinado é apreendido na sua razão de ser e, portanto, aprendido pelos educandos.


Percebe‑se, assim, a importância do papel do educador, o mérito da paz com que viva a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também ensinar a pensar certo. Daí a impossibilidade de vir a tornar‑se um professor crítico se, mecanicamente memorizador, é muito mais um repetidor cadenciado de frases e de ideias inertes do que um desafiador. O intelectual memorizador, que lê horas a fio, domesticando‑se ao texto, temeroso de arriscar‑se, fala de suas leituras quase como se estivesse recitando‑as de memória – não percebe, quando realmente existe, nenhuma relação entre o que leu e o que vem ocorrendo no seu país, na sua cidade, no seu bairro. Repete o lido com precisão, mas raramente ensaia algo pessoal. Fala bonito de dialética, mas pensa mecanicistamente. Pensa errado. É como se os livros todos a cuja leitura dedica tempo farto nada devessem ter com a realidade de seu mundo. A realidade com que eles têm que ver é a realidade idealizada de uma escola que vai virando cada vez mais um dado aí, desconectado do concreto.


Não se lê criticamente como se fazê‑lo fosse a mesma coisa que comprar mercadoria por atacado. Ler vinte livros, trinta livros. A leitura verdadeira me compromete de imediato com o texto que a mim se dá e a que me dou e de cuja compreensão fundamental me vou tornando também sujeito.


FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia 

saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. Coleção Leitura (com adaptações).

Em relação ao texto, às ideias nele expressas e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.   No segmento “fala de suas leituras quase como se estivesse recitando‑as de memória”, a forma verbal “estivesse”, flexionada no pretérito imperfeito do subjuntivo, integra uma comparação hipotética.
  1. CCerto
  2. EErrado
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Certo

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Flexão verbal: pretérito imperfeito do subjuntivo em comparação hipotética

Gabarito: C (Certo). A forma verbal “estivesse” está flexionada no pretérito imperfeito do subjuntivo e integra uma comparação hipotética, exatamente como afirma o item. A pista decisiva está na estrutura “quase como se estivesse recitando‑as de memória”: a locução conjuntiva “como se” introduz uma oração subordinada adverbial comparativa que expressa uma hipótese (algo irreal, suposto), e o modo subjuntivo é justamente o modo da irrealidade, da possibilidade, do que não é fato consumado.

O comando

O item pede um julgamento (Certo/Errado) sobre uma afirmação metalinguística: ele não pergunta o que o texto diz, mas se a análise gramatical apresentada está correta. São duas proposições encadeadas: (1) “estivesse” está no pretérito imperfeito do subjuntivo; (2) essa forma integra uma comparação hipotética. Para julgar, é preciso verificar as duas — se uma falhar, o item é Errado.

O texto

No trecho, Paulo Freire critica o “intelectual memorizador”, que “fala de suas leituras quase como se estivesse recitando‑as de memória”. A comparação estabelecida é entre o ato de falar de leituras e o ato de recitar de memória — uma aproximação hipotética, pois o sujeito não está, de fato, recitando; apenas parece que está. O autor usa a comparação para caracterizar, de forma crítica, o comportamento do memorizador.

A técnica que decide

A chave é reconhecer a estrutura comparativa hipotética com “como se”. Vejamos a análise:

  • “estivesse”: verbo estar conjugado na 1ª ou 3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do subjuntivo (desinência modo-temporal -sse). O modo subjuntivo expressa irrealidade, dúvida, hipótese — não um fato.

  • “como se”: locução conjuntiva que introduz oração subordinada adverbial comparativa. Quando seguida de verbo no subjuntivo, a comparação é hipotética (irreal): compara-se com uma situação suposta, não com um fato.

“fala de suas leituras quase como se estivesse recitando‑as de memória

A expressão “quase como se” reforça a hipótese: o sujeito não está recitando de memória; a comparação é apenas aproximada e imaginária. O subjuntivo (“estivesse”) é o modo que materializa essa hipótese. Portanto, a afirmação do item é duplamente correta: a forma verbal está corretamente classificada e a função de comparação hipotética está corretamente identificada.

Distinção importante: comparação real × comparação hipotética

Tipo

Estrutura

Modo verbal

Exemplo

Comparação real

“como” + verbo no indicativo

Indicativo (fato)

“Ele fala como fala um professor.”

Comparação hipotética

“como se” + verbo no subjuntivo

Subjuntivo (hipótese)

“Ele fala como se fosse um professor.”

No texto, temos a segunda: “como se estivesse recitando”. A presença do “se” e do subjuntivo é o que torna a comparação hipotética.

NÃO CAIA NESSA!

A banca poderia tentar confundir o candidato dizendo que “estivesse” está no pretérito imperfeito do indicativo (que seria “estava”) ou que a comparação é real. A armadilha é trocar o modo (subjuntivo × indicativo) ou o tipo de comparação (hipotética × real). Aqui, a desinência -sse e a locução “como se” desfazem qualquer dúvida.

PEGA ESSA DICA!

Ao julgar itens sobre flexão verbal, identifique primeiro a desinência modo-temporal (no subjuntivo, o pretérito imperfeito tem -sse ou -ce) e depois observe o conectivo que introduz a oração. “Como se” + subjuntivo = comparação hipotética; “como” + indicativo = comparação real.

Conclusão

O item está Certo: “estivesse” é, de fato, pretérito imperfeito do subjuntivo e integra uma comparação hipotética introduzida por “como se”. A análise gramatical apresentada é fiel ao texto e à norma.

Gabarito: C (Certo).

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