Questão de Engenharia de Software — Geral — FUNDATEC 2025
Engenharia de Software›Geral
Código
qa700035
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Sertão PE
Ano
2025
Cargo
AnaTI ( )
Sobre os fundamentos da qualidade de software, analise a sentença abaixo:
De acordo com Sommerville (2019), o gerenciamento da qualidade de software, inspirado em práticas da indústria manufatureira, parte do pressuposto de que a qualidade do processo de desenvolvimento está diretamente relacionada à qualidade do produto final (1ª parte), entretanto, essa relação é mais complexo em software, pois o projeto é um processo criativo no qual a padronização pode, em alguns casos, inibir a criatividade e resultar em um produto de qualidade inferior (2ª parte), sendo a avaliação da qualidade, portanto, um processo objetivo que se baseia exclusivamente na conformidade do software com sua especificação, de forma análoga à tolerância dimensional na manufatura (3ª parte).
Quais partes estão corretas?
AApenas a 1ª parte.
BApenas a 2ª parte.
CApenas a 1ª e a 2ª partes.
DApenas a 1ª e a 3ª partes.
ETodas as partes.
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GabaritoC — Apenas a 1ª e a 2ª partes.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Fundamentos da qualidade de software: processo, criatividade e avaliação
Gabarito: letra C. Estão corretas apenas a 1ª e a 2ª partes. A 1ª parte reflete a premissa clássica, defendida por Sommerville, de que a qualidade do processo de desenvolvimento está diretamente relacionada à qualidade do produto final. A 2ª parte também está correta, pois reconhece que o desenvolvimento de software é um processo criativo, no qual a padronização excessiva pode inibir a criatividade e, em alguns casos, resultar em um produto de qualidade inferior. A 3ª parte está incorreta, pois a avaliação da qualidade de software não é um processo puramente objetivo, baseado exclusivamente na conformidade com a especificação, como a tolerância dimensional na manufatura.
A qualidade de software é um conceito multifacetado, que vai muito além da simples conformidade com a especificação. Segundo a norma ISO/IEC 25010, a qualidade de um produto de software é composta por diversas características, como funcionalidade, confiabilidade, usabilidade, eficiência, manutenibilidade e portabilidade. A conformidade com a especificação é apenas um dos aspectos — e não o único critério de avaliação. Na manufatura, a tolerância dimensional permite medir objetivamente se uma peça está dentro dos limites especificados; no software, a especificação pode estar incompleta, ambígua ou até mesmo incorreta, e o produto pode atender à especificação mas não satisfazer as reais necessidades do usuário.
Sommerville, em sua obra clássica, destaca que a qualidade de software é mais do que conformidade com a especificação. Ele argumenta que a qualidade deve ser avaliada sob múltiplas perspectivas, incluindo a satisfação do usuário, a adequação ao propósito e a experiência do usuário. A avaliação da qualidade de software envolve, portanto, tanto aspectos objetivos (como a conformidade com requisitos funcionais) quanto aspectos subjetivos (como a usabilidade e a percepção de valor pelo usuário). Essa complexidade torna a avaliação da qualidade de software um processo que combina medição objetiva e julgamento subjetivo, diferentemente da tolerância dimensional na manufatura, que é puramente objetiva.
A relação entre processo e produto é um dos pilares do gerenciamento da qualidade de software. A ideia de que a qualidade do processo influencia a qualidade do produto é inspirada em práticas da indústria manufatureira, como o controle estatístico de processo e a melhoria contínua. No entanto, essa relação é mais complexa em software, pois o desenvolvimento é um processo criativo e intelectual, no qual a padronização excessiva pode inibir a inovação e a criatividade. Por isso, o gerenciamento da qualidade de software busca equilibrar a padronização de processos com a flexibilidade necessária para a criatividade e a inovação.
A pegadinha desta questão está na 3ª parte, que tenta equiparar a avaliação da qualidade de software à tolerância dimensional da manufatura. Essa analogia é atraente, mas incorreta, pois ignora a natureza subjetiva e multifacetada da qualidade de software. A banca explora a confusão entre a qualidade como conformidade (visão da manufatura) e a qualidade como satisfação do usuário e adequação ao propósito (visão da engenharia de software). Guarde essa distinção: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Afirma que apenas a 1ª parte está correta. A 1ª parte está correta, mas a 2ª parte também está correta, pois reconhece a natureza criativa do desenvolvimento de software e o risco de a padronização excessiva inibir a criatividade. A alternativa ignora a validade da 2ª parte, que é um ponto central na visão de Sommerville sobre a complexidade da relação entre processo e produto em software.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que apenas a 2ª parte está correta. A 2ª parte está correta, mas a 1ª parte também está correta, pois reflete a premissa clássica de que a qualidade do processo influencia a qualidade do produto. A alternativa ignora a validade da 1ª parte, que é um fundamento básico do gerenciamento da qualidade de software.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Estão corretas apenas a 1ª e a 2ª partes. A 1ª parte está correta, pois reflete a premissa de que a qualidade do processo de desenvolvimento está diretamente relacionada à qualidade do produto final. A 2ª parte está correta, pois reconhece que o desenvolvimento de software é um processo criativo, no qual a padronização excessiva pode inibir a criatividade e resultar em um produto de qualidade inferior. A 3ª parte está incorreta, pois a avaliação da qualidade de software não é um processo puramente objetivo, baseado exclusivamente na conformidade com a especificação, como a tolerância dimensional na manufatura.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que estão corretas apenas a 1ª e a 3ª partes. A 1ª parte está correta, mas a 3ª parte está incorreta, pois a avaliação da qualidade de software não é um processo puramente objetivo, baseado exclusivamente na conformidade com a especificação. A alternativa ignora a validade da 2ª parte e inclui a 3ª parte, que é justamente a que contém o erro conceitual.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que todas as partes estão corretas. A 1ª e a 2ª partes estão corretas, mas a 3ª parte está incorreta, pois a avaliação da qualidade de software não é um processo puramente objetivo, baseado exclusivamente na conformidade com a especificação. A alternativa inclui a 3ª parte, que contém o erro conceitual de equiparar a avaliação da qualidade de software à tolerância dimensional da manufatura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer você acreditar que a avaliação da qualidade de software é um processo objetivo, como a tolerância dimensional na manufatura. Essa é uma analogia atraente, mas incorreta: a qualidade de software envolve aspectos subjetivos, como usabilidade e satisfação do usuário, que não podem ser medidos objetivamente como uma peça mecânica. Fique atento a essa armadilha clássica!
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões sobre qualidade de software, lembre-se de que a qualidade não é apenas conformidade com a especificação. Ela envolve múltiplas dimensões, como funcionalidade, confiabilidade, usabilidade, eficiência, manutenibilidade e portabilidade. Quando a questão mencionar "conformidade com a especificação" como único critério, desconfie: a qualidade de software é mais ampla e inclui a satisfação do usuário e a adequação ao propósito.