Com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos
linguísticos do texto, julgue o item.
Depreende‑se da leitura do texto que o home office e a precarização das condições de trabalho, com a perda da privacidade do lar e a invasão das telas, foram as consequências mais graves da pandemia.
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GabaritoE — Errado
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Inferência textual: home office e precarização como consequências da pandemia
Gabarito: E (Errado). O item extrapola o texto ao afirmar que o home office e a precarização das condições de trabalho, com a perda da privacidade do lar e a invasão das telas, foram as consequências mais graves da pandemia. O texto, embora trate desses temas, não os classifica como os mais graves — essa hierarquização é uma opinião que o autor não externou. A banca adiciona um juízo de valor ausente do texto, transformando uma simples menção em uma afirmação superlativa.
O comando: "depreende-se" pede inferência, mas com âncora
O verbo "depreender" indica que a questão exige uma inferência — ou seja, uma conclusão que não está literal, mas que deve ser obrigatoriamente sustentada por pistas do texto. A pegadinha aqui é que a banca mistura elementos que realmente aparecem no texto (home office, precarização, perda de privacidade, invasão das telas) com um elemento novo: a ideia de que esses seriam os efeitos "mais graves" da pandemia. Essa gradação superlativa não está em lugar nenhum do texto.
A técnica: teste o alcance da afirmação
A alternativa usa a palavra "mais" — um superlativo absoluto que restringe o alcance da afirmação. Para que o item estivesse correto, o texto precisaria dizer algo como "as consequências mais graves foram..." ou "o que mais marcou foi...". Sem essa hierarquização explícita, a afirmação é uma extrapolação: o texto vai até certo ponto (menciona os problemas), e a alternativa ultrapassa esse ponto (classifica-os como os piores).
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro. O home office e a precarização realmente são mencionados no texto — mas a alternativa acrescenta o superlativo "mais graves", que o autor não afirmou. O candidato que concorda com a ideia no mundo real acaba marcando "Certo" sem perceber que o texto não autoriza a hierarquização.
Por que a alternativa está errada
O texto discute os impactos da pandemia no trabalho, incluindo o home office e a invasão das telas na privacidade do lar. No entanto, em nenhum trecho o autor afirma que esses são os efeitos mais graves da pandemia. Pode até ser que, no mundo real, alguém considere isso verdade — mas a questão não pergunta o que é verdade no mundo; pergunta o que se depreende do texto. Como a hierarquia "mais graves" não está no texto, a inferência é ilegítima.
Conclusão
A alternativa erra ao generalizar indevidamente: pega elementos presentes no texto e os eleva a uma categoria superlativa que o autor não estabeleceu. Para acertar questões assim, pergunte-se sempre: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige que eu acrescente algo de fora? Se a resposta for a segunda, a alternativa está errada.