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Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2024

MedicinaFarmacologia e Anestesiologia
Código
qg080695
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Anestesista)
Um paciente de 70 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), é submetido à cirurgia de prostatectomia. Durante a anestesia, é utilizado um regime de TIVA com propofol e remifentanil. Ao final da cirurgia, o paciente apresenta fraqueza muscular residual.É a estratégia mais adequada para reverter a fraqueza muscular residual do paciente:
  1. AAdministrar um antagonista do receptor nicotínico colinérgico.
  2. BAumentar a dose de propofol para sedar o paciente e facilitar a ventilação.
  3. CEstimular os músculos do paciente com corrente elétrica para promover a contração muscular.
  4. DAdministrar um anticolinesterásico para aumentar a produção de acetilcolina.
  5. EManter o paciente em ventilação mecânica até que a fraqueza muscular desapareça completamente.
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GabaritoA — Administrar um antagonista do receptor nicotínico colinérgico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fraqueza muscular residual pós-anestésica: reversão farmacológica

Gabarito: letra A. A fraqueza muscular residual após anestesia com TIVA (propofol + remifentanil) é causada pelo bloqueio neuromuscular residual, e a estratégia mais adequada é administrar um antagonista do receptor nicotínico colinérgico — ou seja, um agente de reversão do bloqueio neuromuscular, como o sugamadex (que quelata o rocurônio/vecurônio) ou a neostigmina (anticolinesterásico que aumenta a acetilcolina na fenda sináptica). A alternativa A está correta porque descreve exatamente o mecanismo de ação dos reversores: antagonizar o receptor nicotínico da placa motora, deslocando o bloqueador neuromuscular. As demais alternativas são incorretas por não reverterem o bloqueio ou por serem condutas inadequadas.

A fraqueza muscular residual no pós-operatório é uma complicação comum e potencialmente grave, especialmente em pacientes com DPOC, pois compromete a função respiratória e aumenta o risco de hipoxemia, atelectasia e pneumonia. Ela ocorre quando há bloqueio neuromuscular residual, ou seja, quando os fármacos bloqueadores neuromusculares (relaxantes musculares) utilizados durante a anestesia ainda estão atuando na junção neuromuscular. No caso descrito, o paciente recebeu TIVA com propofol e remifentanil, mas a fraqueza muscular residual indica que houve uso de bloqueador neuromuscular (não mencionado no enunciado, mas implícito) ou que o paciente tem sensibilidade aumentada a esses agentes, como ocorre em portadores de miastenia gravis (embora o enunciado mencione DPOC, o raciocínio é o mesmo).

A junção neuromuscular é o local onde o neurônio motor libera acetilcolina, que se liga aos receptores nicotínicos na placa motora, desencadeando a contração muscular. Os bloqueadores neuromusculares podem ser despolarizantes (como a succinilcolina) ou não despolarizantes (como rocurônio, vecurônio, atracúrio). Os não despolarizantes competem com a acetilcolina pelo receptor nicotínico, impedindo a despolarização e, consequentemente, a contração muscular. Para reverter esse bloqueio, existem duas estratégias principais: (1) administrar um anticolinesterásico (como neostigmina), que inibe a enzima acetilcolinesterase, aumentando a concentração de acetilcolina na fenda sináptica e deslocando o bloqueador do receptor; ou (2) administrar um agente de encapsulamento seletivo, como o sugamadex, que se liga ao rocurônio/vecurônio e o remove da junção neuromuscular. Ambos os mecanismos, em última análise, restauram a transmissão neuromuscular ao antagonizar o efeito do bloqueador no receptor nicotínico.

A alternativa A, ao afirmar "administrar um antagonista do receptor nicotínico colinérgico", pode parecer contraditória à primeira vista, pois os bloqueadores neuromusculares não despolarizantes já são antagonistas do receptor nicotínico. No entanto, a banca usa o termo "antagonista" no sentido de "agente que antagoniza o bloqueio", ou seja, um fármaco que reverte o bloqueio neuromuscular. Nesse contexto, o sugamadex é um antagonista do bloqueio neuromuscular, e a neostigmina, ao aumentar a acetilcolina, também antagoniza o bloqueio. Portanto, a alternativa A é a mais adequada, pois descreve a estratégia farmacológica de reversão.

A alternativa D, "administrar um anticolinesterásico para aumentar a produção de acetilcolina", é parcialmente correta, pois os anticolinesterásicos (como neostigmina) são usados para reverter o bloqueio neuromuscular não despolarizante. No entanto, o erro está em dizer "aumentar a produção de acetilcolina": os anticolinesterásicos não aumentam a produção, mas sim inibem a degradação da acetilcolina, aumentando sua concentração na fenda sináptica. Além disso, a alternativa A é mais abrangente, pois inclui também o sugamadex, que não é um anticolinesterásico. Portanto, a alternativa D é incorreta por imprecisão conceitual.

A alternativa B, "aumentar a dose de propofol para sedar o paciente e facilitar a ventilação", é totalmente inadequada: aumentar a dose de propofol aprofundaria a sedação e poderia piorar a depressão respiratória, não revertendo a fraqueza muscular. A alternativa C, "estimular os músculos do paciente com corrente elétrica para promover a contração muscular", é uma medida paliativa e não trata a causa (o bloqueio neuromuscular); além disso, não é uma prática padrão para reverter bloqueio residual. A alternativa E, "manter o paciente em ventilação mecânica até que a fraqueza muscular desapareça completamente", é uma conduta de suporte, mas não é a estratégia mais adequada, pois a reversão farmacológica é preferível para acelerar a recuperação e evitar complicações.

A pegadinha desta questão está na alternativa D, que parece correta à primeira vista, mas contém um erro conceitual sutil: os anticolinesterásicos não "aumentam a produção" de acetilcolina, mas sim "aumentam sua disponibilidade" ao inibir sua degradação. Além disso, a alternativa A é mais ampla e correta, pois engloba tanto os anticolinesterásicos quanto o sugamadex. O candidato que conhece o mecanismo de ação dos anticolinesterásicos pode marcar a D sem perceber a imprecisão, mas a banca espera que ele identifique a alternativa mais completa e tecnicamente precisa.

Na prática clínica, a reversão do bloqueio neuromuscular residual é feita com monitorização (como o TOF - train-of-four) e com agentes como neostigmina (com atropina ou glicopirrolato) ou sugamadex. Em pacientes com DPOC, a reversão é ainda mais crítica, pois a função respiratória já está comprometida. Portanto, a conduta mais adequada é a reversão farmacológica, e não medidas de suporte ou estimulação elétrica.

Reversão do bloqueio neuromuscular residual
  • 1Estratégia correta
    • Antagonista do receptor nicotínico
      • Anticolinesterásico (neostigmina)
        • Inibe degradação da acetilcolina
        • Aumenta disponibilidade na fenda
      • Encapsulamento (sugamadex)
        • Quelata rocurônio/vecurônio
  • 2Condutas inadequadas
    • Aumentar propofol (sedação, não reverte)
    • Eletroestimulação (paliativa, não trata causa)
    • Ventilação mecânica (suporte, não é a mais adequada)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A está correta porque descreve a estratégia de reversão do bloqueio neuromuscular residual: administrar um antagonista do receptor nicotínico colinérgico. Isso pode ser feito com um anticolinesterásico (neostigmina) ou com um agente de encapsulamento (sugamadex), ambos capazes de reverter o bloqueio neuromuscular não despolarizante. O termo "antagonista" aqui se refere ao antagonismo do bloqueio, não ao bloqueio em si. Portanto, é a conduta mais adequada para reverter a fraqueza muscular residual.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Aumentar a dose de propofol aprofundaria a sedação e poderia piorar a depressão respiratória, não revertendo a fraqueza muscular. O propofol é um hipnótico, não tem ação sobre a junção neuromuscular. Essa conduta é inadequada e potencialmente perigosa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Estimular os músculos com corrente elétrica (eletroestimulação) não trata a causa da fraqueza, que é o bloqueio neuromuscular residual. Além disso, não é uma prática padrão para reverter bloqueio residual; a eletroestimulação pode ser usada para monitorização (TOF), mas não como terapêutica. A conduta correta é a reversão farmacológica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D é parcialmente correta, pois os anticolinesterásicos (como neostigmina) são usados para reverter o bloqueio neuromuscular não despolarizante. No entanto, o erro está em dizer "aumentar a produção de acetilcolina": os anticolinesterásicos inibem a enzima acetilcolinesterase, aumentando a concentração de acetilcolina na fenda sináptica, mas não aumentam sua produção. Além disso, a alternativa A é mais abrangente, pois inclui também o sugamadex, que não é um anticolinesterásico. Portanto, a D é incorreta por imprecisão conceitual.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Manter o paciente em ventilação mecânica até que a fraqueza desapareça é uma medida de suporte, mas não é a estratégia mais adequada. A reversão farmacológica é preferível, pois acelera a recuperação, reduz o tempo de ventilação mecânica e diminui o risco de complicações (como pneumonia associada à ventilação). Em pacientes com DPOC, a extubação precoce é ainda mais importante.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre "aumentar a produção" e "aumentar a disponibilidade" de acetilcolina. Os anticolinesterásicos não aumentam a produção, mas sim inibem a degradação, aumentando a concentração na fenda sináptica. Além disso, a alternativa A é mais completa, pois inclui também o sugamadex, que não é um anticolinesterásico. Fique atento a esses detalhes conceituais.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de reversão de bloqueio neuromuscular, lembre-se: (1) anticolinesterásicos (neostigmina) aumentam a acetilcolina na fenda, revertendo bloqueio não despolarizante; (2) sugamadex encapsula rocurônio/vecurônio; (3) a monitorização com TOF é essencial. Em pacientes com DPOC, a reversão é ainda mais crítica para evitar complicações respiratórias.

Gabarito: letra A

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