Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2024
- Código
- qg080698
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- FSPSS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Especialista (Anestesista)
- ADesflurano.
- BMidazolam.
- CRemifentanil.
- DDexmedetomidina.
- EEtomidato.
GabaritoE — Etomidato.
Gabarito: letra E. O etomidato é um hipnótico intravenoso frequentemente utilizado como componente principal em regimes de TIVA, destacando-se pela indução rápida e recuperação previsível, com estabilidade hemodinâmica. A questão cobra o conhecimento das propriedades farmacológicas dos agentes anestésicos, e a alternativa correta é a que descreve o etomidato, que se encaixa perfeitamente na descrição do enunciado.
A TIVA (Anestesia Total Intravenosa) é uma técnica anestésica em que a indução e a manutenção da anestesia são realizadas exclusivamente por fármacos administrados por via intravenosa, sem o uso de agentes inalatórios. Para que um fármaco seja adequado como componente principal da TIVA, ele deve apresentar características farmacocinéticas favoráveis, como rápido início de ação, meia-vida curta e recuperação previsível, além de perfil de segurança adequado. O etomidato é um hipnótico não barbitúrico que se destaca por essas propriedades, sendo amplamente utilizado em procedimentos que exigem estabilidade hemodinâmica, como em pacientes cardiopatas ou hipovolêmicos.
O etomidato atua como agonista do receptor GABA-A, potencializando a ação do ácido gama-aminobutírico, o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central. Isso resulta em rápida perda de consciência, com início de ação em cerca de 30 a 60 segundos após a administração intravenosa. Sua recuperação é previsível e relativamente rápida, embora possa haver sedação residual em infusões prolongadas. Uma das principais vantagens do etomidato é a manutenção da estabilidade cardiovascular, pois causa mínima depressão miocárdica e pouca alteração na resistência vascular periférica, diferentemente de outros hipnóticos como o propofol, que pode causar hipotensão significativa.
No entanto, o etomidato não está isento de efeitos adversos. O mais notório é a supressão adrenocortical, mesmo após dose única, devido à inibição da enzima 11-beta-hidroxilase, o que reduz a produção de cortisol. Esse efeito é geralmente transitório e clinicamente relevante em pacientes críticos ou com sepse, onde a reserva adrenal pode estar comprometida. Além disso, o etomidato pode causar dor à injeção, mioclonias e náuseas e vômitos no pós-operatório. Apesar dessas limitações, suas propriedades farmacocinéticas o tornam uma escolha frequente em TIVA, especialmente quando se deseja evitar instabilidade hemodinâmica.
A banca explora a confusão entre os diferentes agentes anestésicos, especialmente entre aqueles que são usados como adjuvantes ou em contextos específicos. O candidato pode ser tentado a escolher o remifentanil, por ser um opioide de ação ultracurta, mas ele não é um hipnótico e não é usado como componente principal da TIVA, mas sim como analgésico. Da mesma forma, o midazolam é um benzodiazepínico com início de ação mais lento e recuperação menos previsível, sendo mais utilizado como sedativo ou coadjuvante. O desflurano é um agente inalatório, não intravenoso, e a dexmedetomidina é um sedativo alfa-2-agonista, mais usado para sedação em UTI ou como adjuvante, não como hipnótico principal.
Portanto, a alternativa correta é a letra E, pois o etomidato é o fármaco que melhor se enquadra na descrição de "componente principal em regimes de TIVA" devido à indução rápida e recuperação previsível. As demais alternativas apresentam fármacos que não possuem essas características ou não são utilizados como hipnóticos principais nessa técnica.
O desflurano é um anestésico inalatório, não intravenoso. Ele é utilizado para indução e manutenção da anestesia por via inalatória, não sendo um componente da TIVA. A banca tenta confundir o candidato ao listar um agente inalatório entre as opções intravenosas.
O midazolam é um benzodiazepínico com início de ação mais lento (2 a 3 minutos) e recuperação menos previsível, especialmente em infusões prolongadas, devido ao acúmulo de metabólitos ativos. Ele é mais utilizado como sedativo, pré-anestésico ou coadjuvante, não como componente principal da TIVA.
O remifentanil é um opioide de ação ultracurta, utilizado como analgésico durante a anestesia, não como hipnótico. Ele não promove perda de consciência e, portanto, não é usado como componente principal da TIVA, mas sim como adjuvante para analgesia.
A dexmedetomidina é um agonista alfa-2-adrenérgico, utilizado principalmente para sedação em UTI, procedimentos diagnósticos ou como adjuvante anestésico. Seu início de ação é mais lento e a recuperação pode ser prolongada, não sendo adequada como componente principal da TIVA.
O etomidato é um hipnótico intravenoso com início de ação rápido (30 a 60 segundos) e recuperação previsível, sendo frequentemente utilizado como componente principal em regimes de TIVA, especialmente em pacientes com instabilidade hemodinâmica, devido à sua capacidade de manter a estabilidade cardiovascular.
A banca explora a confusão entre os papéis dos fármacos na anestesia: o candidato pode pensar que o remifentanil, por ser de ação ultracurta, seria o principal, mas ele é apenas analgésico. O etomidato é o hipnótico que se encaixa na descrição. Fique atento à função de cada fármaco: hipnótico (perda de consciência) vs. analgésico (alívio da dor) vs. sedativo (ansiólise/sedação leve).
Para questões sobre TIVA, lembre-se dos principais hipnóticos intravenosos: propofol, etomidato, cetamina e tiopental. O etomidato é o único que combina indução rápida com estabilidade hemodinâmica, sendo a escolha clássica em pacientes cardiopatas. Compare com o propofol, que tem início rápido, mas causa hipotensão, e com a cetamina, que tem recuperação mais lenta e efeitos psicodislépticos.
Gabarito: letra E
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