Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2024

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg080734
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Cirurgião Geral)
Uma paciente de 45 anos, com histórico de pneumonia, apresenta febre persistente, tosse com expectoração purulenta e dor torácica. A radiografia de tórax revela opacidade pleural espessa com derrame pleural loculado. Qual a melhor opção de tratamento?
  1. AToracotomia para decorticação pulmonar.
  2. BAdministração de antibióticos orais por 10 dias.
  3. CDrenagem torácica pigtail e antibioticoterapia intravenosa.
  4. DDrenagem pleural por agulha e instilação de antibiótico intrapleural.
  5. EObservação clínica por 7 dias, com reavaliação ambulatorial.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Drenagem torácica pigtail e antibioticoterapia intravenosa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Derrame pleural parapneumônico complicado: manejo

Gabarito: letra C. A paciente apresenta derrame pleural parapneumônico complicado (opacidade pleural espessa com derrame loculado), condição em que a drenagem torácica é mandatória, sendo o pigtail uma opção eficaz, associada à antibioticoterapia intravenosa. A base está no conceito de que derrames complicados/empiema não resolvem apenas com antibióticos, exigindo drenagem do foco infeccioso.

O derrame pleural parapneumônico é a principal causa de derrame pleural inflamatório, definido como o exsudato que se associa a um episódio de pneumonia. Quando há indícios de infecção do líquido pleural, o derrame passa a ser chamado de parapneumônico complicado; se o aspecto macroscópico for purulento, define-se como empiema. Em ambos os casos, a drenagem torácica é procedimento mandatório, pois a antibioticoterapia isolada não é suficiente para resolver o quadro — a mortalidade desses pacientes com foco infeccioso fechado é alta.

O grande desafio é identificar quais derrames não purulentos necessitam de drenagem. A presença de critérios como pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL, LDH > 1000 U/L, ou a presença de loculações, é muito sugestiva de que a antibioticoterapia isolada não será suficiente. No caso da paciente, a radiografia revela opacidade pleural espessa com derrame loculado, o que configura um derrame complicado — a drenagem é obrigatória.

A drenagem pode ser feita com dreno tubular ou com dispositivo pigtail. Estudos recentes mostram que o calibre do dreno não é decisivo no resultado pós-drenagem, e drenos de menor calibre, como o pigtail, podem ser utilizados com a mesma eficácia que um dreno tubular maior. O posicionamento adequado do dreno é fundamental para o bom resultado. Além da drenagem, a antibioticoterapia intravenosa é essencial, guiada para Streptococcus sp. e germes anaeróbios, podendo ser ajustada após culturas do líquido pleural.

A alternativa C é a única que combina os dois pilares do tratamento: drenagem torácica (com pigtail, opção válida) e antibioticoterapia intravenosa. As demais alternativas falham por omitir a drenagem (A, B, E) ou por propor abordagens inadequadas para um derrame loculado (D).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre derrame parapneumônico simples e complicado. No simples, antibióticos podem bastar; no complicado (loculado, com critérios de infecção), a drenagem é mandatória. A alternativa B (antibióticos orais) parece razoável, mas ignora que o derrame loculado não resolve sem drenagem — e a alternativa D (drenagem por agulha) é insuficiente para loculações, que exigem dreno definitivo.

  1. 1Identificar critérios de complicação
  2. 2Drenagem torácica (pigtail)
  3. 3Antibioticoterapia intravenosa
  4. 4Ajuste por cultura do líquido
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A toracotomia para decorticação pulmonar é um procedimento cirúrgico reservado para casos de empiema organizado ou quando há falha do tratamento inicial com drenagem e antibióticos. Não é a primeira opção de tratamento para um derrame loculado recém-diagnosticado. A abordagem inicial deve ser menos invasiva, com drenagem torácica percutânea.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Antibióticos orais por 10 dias são inadequados para um derrame pleural complicado. A presença de loculações indica que a antibioticoterapia isolada não será suficiente para resolver o quadro, sendo mandatória a drenagem torácica. Além disso, a via oral não é apropriada para um paciente com febre persistente e derrame complicado, que requer antibioticoterapia intravenosa.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A drenagem torácica com pigtail é uma opção eficaz para derrames pleurais, incluindo os loculados, e a antibioticoterapia intravenosa é o tratamento adjuvante essencial. O pigtail, apesar de ter sido desenvolvido para pneumotórax, tem mostrado bons resultados em efusões pleurais, com eficácia semelhante a drenos maiores. A combinação de drenagem + antibióticos intravenosos é o padrão de tratamento para derrame parapneumônico complicado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A drenagem pleural por agulha (toracocentese) é um procedimento diagnóstico, não terapêutico para derrames complicados. A instilação de antibiótico intrapleural não é uma prática recomendada — os antibióticos devem ser administrados por via sistêmica (intravenosa). Para um derrame loculado, a drenagem por agulha é insuficiente, sendo necessário um dreno definitivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A observação clínica por 7 dias é totalmente inadequada para um derrame pleural complicado. Atrasos na identificação e drenagem dos derrames complicados estão associados a mortalidade ainda maior. A paciente apresenta critérios claros de derrame complicado (loculado), e a conduta expectante pode levar a complicações graves, como empiema e sepse.

Gabarito: letra C — drenagem torácica pigtail e antibioticoterapia intravenosa é a conduta correta para derrame pleural parapneumônico complicado loculado.

Link permanente: /questoes/qg080734