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Questão de Medicina — Pneumologia — Avança SP 2024

MedicinaPneumologia
Código
qg080737
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Cirurgião Geral)
Paciente: Mulher de 35 anos, tabagista há 20 anos, com história de sibilância e dispneia aos esforços desde a infância. Relata tosse crônica matinal e piora dos sintomas durante a noite e em ambientes com poeira.Exame físico: sibilância expiratória difusa.Espirometria: VEF1/CVF = 60%, VEF1 pré-broncodilatador = 70% do previsto.Qual o diagnóstico mais provável?
  1. ADoença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
  2. BPneumonia.
  3. CAsma Brônquica.
  4. DInsuficiência Cardíaca Congestiva.
  5. EFibrose Cística.
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GabaritoC — Asma Brônquica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Diagnóstico diferencial: Asma Brônquica versus DPOC

Gabarito: letra C. O quadro é de asma brônquica: mulher jovem (35 anos), sintomas desde a infância, sibilância e dispneia aos esforços, piora noturna e com exposição a poeira, além de espirometria com obstrução (VEF1/CVF = 60%) e VEF1 = 70% do previsto — padrão compatível com asma, especialmente pela história de sintomas desde a infância e pela variabilidade dos sintomas (piora à noite e com alérgenos). A DPOC, embora também cause obstrução, é doença de adultos mais velhos (geralmente > 40 anos), com história de tabagismo prolongado e sintomas progressivos, sem a característica de sintomas desde a infância.

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, caracterizada por hiper-responsividade brônquica e obstrução variável ao fluxo aéreo, frequentemente reversível espontaneamente ou com tratamento. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na tríade clássica: dispneia, tosse e sibilância. A espirometria é utilizada para confirmar e classificar, sendo a prova broncodilatadora positiva (aumento do VEF1 ≥ 200 mL e ≥ 12% do valor pré-broncodilatador, ou ≥ 7% do previsto) o principal critério funcional. No caso, a paciente apresenta VEF1/CVF = 60% (obstrução) e VEF1 = 70% do previsto (obstrução moderada), mas a história clínica é o que mais pesa para o diagnóstico de asma.

A DPOC, por sua vez, é definida como uma doença comum, evitável e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo aéreo, geralmente progressiva e não totalmente reversível, causada por exposição a partículas ou gases nocivos, com destaque para o tabagismo. O diagnóstico é confirmado pela espirometria pós-broncodilatador com relação VEF1/CVF < 0,70. A tosse crônica matinal é típica da bronquite crônica (fenótipo da DPOC), mas a paciente tem sintomas desde a infância, o que é muito mais sugestivo de asma. Além disso, a DPOC é mais comum em adultos acima de 40 anos, e a paciente tem apenas 35 anos.

A distinção entre asma e DPOC é um dos diagnósticos diferenciais mais importantes na pneumologia, e a banca explora exatamente essa confusão. A tabela abaixo resume as principais diferenças:

Critério

Asma

DPOC

Idade de início

Frequentemente na infância

Geralmente > 40 anos

História de tabagismo

Pode estar presente, mas não é determinante

Quase sempre presente (tabagismo prolongado)

Sintomas

Variáveis, piora noturna, com alérgenos, exercício

Progressivos, tosse matinal produtiva, dispneia aos esforços

Obstrução ao fluxo aéreo

Variável, reversível (prova broncodilatadora positiva)

Persistente, não totalmente reversível

Resposta ao tratamento

Excelente resposta a broncodilatadores e corticoides

Resposta parcial, progressão lenta

A pegadinha desta questão é que a paciente é tabagista, o que pode levar o candidato a pensar em DPOC. No entanto, o tabagismo não exclui asma, e a história de sintomas desde a infância, com piora noturna e em ambientes com poeira, é fortemente indicativa de asma. A DPOC seria mais provável se a paciente tivesse mais de 40 anos, com história de tabagismo prolongado (mais de 20 maços-ano) e sintomas progressivos, sem a característica de sintomas desde a infância.

As demais alternativas são distratores: pneumonia cursa com febre, tosse produtiva e infiltrado pulmonar; insuficiência cardíaca congestiva pode causar dispneia e sibilância (asma cardíaca), mas é mais comum em idosos com cardiopatia de base, e a espirometria não mostraria obstrução; fibrose cística é doença genética diagnosticada na infância, com sintomas gastrointestinais e infecções respiratórias de repetição, além de alterações no teste do suor.

Asma brônquica
  • 1Sintomas desde a infância
  • 2Piora noturna e com poeira
  • 3Obstrução variável e reversível
  • 4Boa resposta a broncodilatador
  • 5DPOC
    • Início após 40 anos
    • Tabagismo prolongado
    • Obstrução fixa e progressiva
    • Tosse matinal produtiva
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A DPOC é uma possibilidade, mas não é o diagnóstico mais provável. A paciente tem 35 anos e sintomas desde a infância, o que é atípico para DPOC, que geralmente se manifesta após os 40 anos em tabagistas de longa data. Além disso, a piora noturna e em ambientes com poeira sugere componente alérgico, mais característico de asma. A DPOC cursa com obstrução não totalmente reversível, mas a história clínica é o diferencial.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Pneumonia é uma infecção aguda do parênquima pulmonar, com febre, tosse produtiva, dor torácica e infiltrado na radiografia. A paciente tem sintomas crônicos desde a infância, sem febre ou outros sinais de infecção aguda. A espirometria com obstrução não é compatível com pneumonia isolada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A asma brônquica é o diagnóstico mais provável: mulher jovem, sintomas desde a infância, sibilância e dispneia aos esforços, piora noturna e com exposição a poeira (fator desencadeante típico). A espirometria mostra obstrução (VEF1/CVF = 60%) com VEF1 = 70% do previsto, compatível com asma moderada. A prova broncodilatadora positiva confirmaria, mas a história clínica já é suficiente para o diagnóstico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Insuficiência cardíaca congestiva pode causar dispneia e sibilância (asma cardíaca), mas é mais comum em idosos com cardiopatia de base, e a espirometria não mostraria obstrução ao fluxo aéreo. A paciente é jovem, sem fatores de risco cardiovascular, e os sintomas desde a infância não são compatíveis.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Fibrose cística é doença genética autossômica recessiva, diagnosticada na infância, com sintomas gastrointestinais (insuficiência pancreática) e infecções respiratórias de repetição, além de alterações no teste do suor. A paciente tem 35 anos e não apresenta esses sinais; a história de tabagismo e a ausência de sintomas gastrointestinais afastam essa hipótese.

Gabarito: letra C

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