Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2024
Medicina›Endocrinologia
Código
qg080755
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Endocrinologista)
Uma paciente de 32 anos relata irritabilidade, palpitações, perda de 3 kg no último mês e bócio indolor, difuso e firme. Qual a causa mais provável para o quadro dessa paciente?
ADoença de Graves.
BDoença de Plummer.
CTireoidite subaguda.
DAdenoma tóxico.
ECâncer de tireoide.
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GabaritoA — Doença de Graves.
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Tireotoxicose: diagnóstico diferencial das causas de hipertireoidismo
Gabarito: letra A (Doença de Graves). O quadro de irritabilidade, palpitações, perda de peso e bócio difuso, indolor e firme em mulher jovem é a apresentação clássica da doença de Graves, a causa mais comum de tireotoxicose, conforme a literatura médica de referência. A doença de Graves é uma condição autoimune em que anticorpos estimulam o receptor de TSH, levando ao aumento difuso da glândula e à produção excessiva de hormônios tireoidianos.
A tireotoxicose é a síndrome clínica resultante da exposição dos tecidos a níveis elevados de hormônios tireoidianos livres (T3 e T4). As manifestações são variadas e incluem sintomas de hiperatividade adrenérgica, como nervosismo, irritabilidade, palpitações, tremores, sudorese, intolerância ao calor, hipercinesia e perda de peso, frequentemente com aumento do apetite. No exame físico, podem ser encontrados taquicardia, hipertensão sistólica, pele quente e úmida, hiper-reflexia e fraqueza muscular. A intensidade dos sintomas varia com a idade: pacientes mais jovens tendem a apresentar mais sintomas de ativação simpática, enquanto idosos podem ter manifestações cardiovasculares predominantes, como fibrilação atrial e dispneia, configurando o chamado hipertireoidismo apático.
A doença de Graves é a causa mais comum de tireotoxicose, sendo uma doença autoimune que afeta predominantemente mulheres jovens, na proporção de 7:1, com pico de incidência entre 20 e 50 anos. A tríade característica compreende bócio difuso, hipertireoidismo e oftalmopatia, sendo que cerca de 50% dos pacientes apresentam manifestações oculares clinicamente evidentes, que podem variar desde lacrimejamento e retração palpebral até proptose, paralisia dos músculos extraoculares e comprometimento do nervo óptico. O mixedema pré-tibial é uma manifestação menos comum, presente em cerca de 5% dos casos. O bócio na doença de Graves é difuso, simétrico, indolor e de consistência firme, podendo apresentar sopro à ausculta devido ao aumento do fluxo sanguíneo.
O diagnóstico diferencial das causas de tireotoxicose é essencial, pois o tratamento varia conforme a etiologia. As principais causas são a doença de Graves, o adenoma tóxico (nódulo solitário hiperfuncionante) e o bócio multinodular tóxico (doença de Plummer). Causas menos comuns incluem tireoidite subaguda, tireoidite de Hashimoto com fase hipertireoidiana transitória, tireotoxicose factícia e tireoidite pós-parto. A distinção entre essas condições baseia-se na história clínica, no exame físico e em exames complementares, como dosagem de TSH, T3 e T4 livres, anticorpos antitireoidianos e cintilografia com iodo radioativo, que avalia a captação da glândula. Na doença de Graves, a captação está difusamente aumentada; no adenoma tóxico, há captação focal aumentada com supressão do restante da glândula; na tireoidite subaguda, a captação está baixa, refletindo a destruição inflamatória dos folículos.
A tireoidite subaguda (de Quervain) é uma causa importante de tireotoxicose, mas apresenta características distintas: geralmente há dor cervical, febre e sintomas de pródromo viral, e a glândula é dolorosa à palpação. O adenoma tóxico e a doença de Plummer cursam com bócio nodular, não difuso. O câncer de tireoide, por sua vez, raramente causa tireotoxicose, sendo uma causa rara de hipertireoidismo, e o bócio costuma ser nodular, de consistência endurecida, podendo haver linfonodos cervicais.
A chave para a resolução desta questão está na combinação de sintomas de tireotoxicose com bócio difuso, indolor e firme em paciente jovem do sexo feminino. Essa apresentação é altamente sugestiva de doença de Graves, a causa mais comum de tireotoxicose. As demais alternativas apresentam características que não se encaixam no quadro descrito, como veremos a seguir.
Característica
Doença de Graves
Doença de Plummer
Tireoidite Subaguda
Adenoma Tóxico
Câncer de Tireoide
Tipo de bócio
Difuso, indolor, firme
Multinodular
Doloroso, com febre e pródromo viral
Nódulo solitário
Nódulo endurecido, possíveis linfonodos
Dor à palpação
Ausente
Ausente
Presente
Ausente
Variável
Perfil epidemiológico
Mulheres jovens (20–50 anos)
Idosos, bócio de longa data
Adultos, pós-infecção viral
Áreas de deficiência de iodo
Qualquer idade, mais comum em mulheres
Causa de tireotoxicose
Mais comum
Comum
Menos comum
Comum
Rara
Oftalmopatia
Presente em ~50%
Ausente
Ausente
Ausente
Ausente
Tireotoxicose
1Captação aumentada
Doença de Graves
bócio difuso, indolor
oftalmopatia
Adenoma tóxico
nódulo único
Bócio multinodular tóxico
múltiplos nódulos
2Captação baixa
Tireoidite subaguda
bócio doloroso
pródromo viral
Tireoidite pós-parto
Tireotoxicose factícia
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A doença de Graves é a causa mais comum de tireotoxicose e se apresenta classicamente com bócio difuso, indolor e firme, associado a sintomas de hiperatividade adrenérgica, como irritabilidade, palpitações e perda de peso. A paciente descrita, uma mulher jovem de 32 anos, se encaixa perfeitamente no perfil epidemiológico da doença, que afeta predominantemente mulheres na 3ª e 4ª décadas de vida. A tríade característica da doença de Graves compreende bócio difuso, hipertireoidismo e oftalmopatia, sendo que a ausência de oftalmopatia no enunciado não exclui o diagnóstico, pois ela ocorre em cerca de 50% dos pacientes. O bócio difuso e firme, sem dor, é um achado típico, diferenciando-se da tireoidite subaguda, em que a glândula é dolorosa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A doença de Plummer, também conhecida como bócio multinodular tóxico, é uma causa comum de tireotoxicose, mas se caracteriza pela presença de múltiplos nódulos na tireoide, e não por bócio difuso. O enunciado descreve um bócio difuso, o que torna essa alternativa incorreta. Além disso, a doença de Plummer é mais comum em pacientes mais velhos, com história de bócio de longa data, e a apresentação clínica tende a ser mais arrastada, com sintomas cardiovasculares mais proeminentes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tireoidite subaguda (de Quervain) é uma causa de tireotoxicose, mas se apresenta com características distintas: há dor cervical, febre e sintomas de pródromo viral, e a glândula é dolorosa à palpação. O enunciado descreve um bócio indolor, o que exclui essa alternativa. A tireoidite subaguda é uma condição autolimitada, geralmente precedida por infecção viral, e o tratamento é sintomático com anti-inflamatórios não esteroides.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O adenoma tóxico é um nódulo solitário hiperfuncionante da tireoide que causa tireotoxicose. A apresentação clínica é semelhante à da doença de Graves, mas o exame físico revela um nódulo único, e não um bócio difuso. O enunciado descreve um bócio difuso, o que torna essa alternativa incorreta. O adenoma tóxico é mais comum em áreas de deficiência de iodo e o tratamento pode ser cirúrgico ou com iodo radioativo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O câncer de tireoide raramente causa tireotoxicose, sendo uma causa rara de hipertireoidismo. A apresentação típica é de um nódulo tireoidiano de consistência endurecida, podendo haver linfonodos cervicais, disfonia ou disfagia. O enunciado descreve um bócio difuso, indolor e firme, com sintomas de tireotoxicose, o que não é compatível com a apresentação usual do câncer de tireoide. A tireotoxicose no câncer de tireoide é extremamente rara e ocorre apenas em casos de carcinoma metastático extenso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre as causas de tireotoxicose, especialmente entre a doença de Graves e a tireoidite subaguda. A palavra-chave é indolor: na tireoidite subaguda, a glândula é dolorosa, enquanto na doença de Graves é indolor. Além disso, o bócio difuso é característico da doença de Graves, enquanto o adenoma tóxico e a doença de Plummer cursam com bócio nodular. Fique atento a esses detalhes para não cair em armadilhas semelhantes.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as causas de tireotoxicose, foque em três pontos: (1) a presença ou ausência de dor à palpação da tireoide; (2) a consistência e a distribuição do bócio (difuso vs. nodular); (3) a presença de manifestações específicas, como oftalmopatia na doença de Graves. Monte uma tabela comparativa com essas características para fixar o conteúdo.