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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — Avança SP 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg080756
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Endocrinologista)
É o principal órgão afetado na Doença de Wilson:
  1. AFígado.
  2. BCérebro.
  3. CRins.
  4. DPulmões.
  5. ECoração.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Fígado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença de Wilson: acometimento hepático como principal alvo

Gabarito: letra A (Fígado). A Doença de Wilson é um erro inato do metabolismo do cobre que leva ao acúmulo tóxico do metal, e o fígado é o órgão primariamente afetado — a hepatopatia é a manifestação mais comum e frequentemente a primeira a surgir, podendo evoluir de hepatite assintomática a cirrose e insuficiência hepática aguda. O depósito de cobre também atinge o cérebro (núcleos da base), os rins e a córnea (anel de Kayser-Fleischer), mas é no fígado que a doença se manifesta com maior prevalência e gravidade clínica.

A Doença de Wilson é uma condição autossômica recessiva causada por mutações no gene ATP7B, que codifica uma ATPase responsável pela incorporação do cobre na ceruloplasmina e pela excreção biliar do metal. Quando essa proteína é defeituosa, o cobre se acumula progressivamente no hepatócito, causando lesão celular direta por estresse oxidativo. Esse acúmulo inicial é hepático — o fígado é a primeira barreira que o cobre encontra após a absorção intestinal — e é por isso que a doença se apresenta, na maioria dos pacientes, com quadro hepático: desde elevação assintomática de transaminases, passando por hepatite crônica, até cirrose descompensada ou falência hepática fulminante. Estima-se que cerca de 40% a 50% dos pacientes se apresentem inicialmente com doença hepática, e a idade de apresentação hepática tende a ser mais precoce (geralmente entre 5 e 35 anos), enquanto a manifestação neurológica costuma surgir mais tardiamente, na segunda ou terceira década de vida.

Quando o fígado atinge sua capacidade de armazenamento, o cobre extravasa para a circulação e se deposita em outros tecidos. No sistema nervoso central, o acúmulo ocorre preferencialmente nos núcleos da base (putâmen, globo pálido, caudado), gerando sintomas extrapiramidais como tremor, distonia, disartria e alterações de marcha. Nos rins, pode causar disfunção tubular proximal com aminoacidúria, glicosúria e fosfatúria. Na córnea, o depósito de cobre na membrana de Descemet forma o anel de Kayser-Fleischer, um sinal clássico e praticamente patognomônico quando associado a sintomas neurológicos. Apesar dessa disseminação multissistêmica, o fígado permanece como o órgão central da fisiopatologia — é nele que o defeito genético se expressa primariamente e é nele que a doença começa.

A banca explora aqui uma confusão comum: como a doença tem manifestações neurológicas marcantes e o anel de Kayser-Fleischer é um achado oftalmológico famoso, muitos candidatos associam a doença ao cérebro. No entanto, a literatura médica é consistente em apontar o fígado como o principal órgão afetado, tanto em termos de frequência quanto de gravidade. O cérebro é o segundo órgão mais acometido, mas não o principal. Essa hierarquia é o que separa a alternativa correta das demais.

Na prática clínica, o diagnóstico de Doença de Wilson deve ser considerado em qualquer paciente jovem com doença hepática de causa indeterminada, especialmente se houver anemia hemolítica associada ou sintomas neuropsiquiátricos. A investigação inclui dosagem de ceruloplasmina sérica (baixa), cobre urinário de 24 horas (elevado), cobre hepático (padrão-ouro, >250 µg/g de tecido seco) e pesquisa do anel de Kayser-Fleischer na lâmpada de fenda. O tratamento é feito com quelantes de cobre (D-penicilamina, trientina) ou zinco, e o transplante hepático é curativo nos casos de falência hepática, pois corrige o defeito metabólico de base.

Guarde a hierarquia dos órgãos afetados: fígado em primeiro lugar, cérebro em segundo, rins e córnea em seguida. É exatamente essa ordem que a questão testa — e é nela que as alternativas se dividem.

1Fígado (principal)
Hepatite → cirrose → falência
2Cérebro (2º)
Núcleos da base
Sintomas extrapiramidais
3Rins
Disfunção tubular proximal
4Córnea
Anel de Kayser-Fleischer
Doença de Wilson (acúmulo de cobre)
LEVELsoulevel.com.br
Doença de Wilson (acúmulo de cobre): Fígado (principal) (Hepatite → cirrose → falência); Cérebro (2º) (Núcleos da base, Sintomas extrapiramidais); Rins (Disfunção tubular proximal); Córnea (Anel de Kayser-Fleischer)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O fígado é o principal órgão afetado na Doença de Wilson. O defeito genético no gene ATP7B compromete a excreção biliar do cobre e sua incorporação à ceruloplasmina, fazendo com que o metal se acumule primeiramente no hepatócito. A doença hepática é a manifestação mais comum, podendo variar de hepatite assintomática a cirrose e insuficiência hepática fulminante. É no fígado que o processo fisiopatológico se inicia e onde o dano costuma ser mais grave e prevalente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O cérebro é o segundo órgão mais afetado, não o principal. O acúmulo de cobre nos núcleos da base causa sintomas extrapiramidais (tremor, distonia, disartria), mas isso ocorre após o fígado estar saturado e o cobre extravasar para a circulação. A manifestação neurológica é importante e característica, mas não é a mais frequente nem a primeira a aparecer — a doença hepática precede ou acompanha o quadro neurológico na maioria dos casos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os rins podem ser afetados na Doença de Wilson, com disfunção tubular proximal (aminoacidúria, glicosúria, fosfatúria), mas o acometimento renal é secundário e menos frequente que o hepático. Não é o principal órgão afetado — o dano renal ocorre em uma minoria dos pacientes e raramente é a manifestação inicial.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os pulmões não são um órgão-alvo da Doença de Wilson. O cobre se acumula principalmente no fígado, cérebro, rins e córnea; não há acometimento pulmonar significativo descrito como parte da fisiopatologia da doença. Essa alternativa é um distrator sem fundamento clínico.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O coração não é um órgão primariamente afetado na Doença de Wilson. Embora o cobre possa se depositar em diversos tecidos, o envolvimento cardíaco não faz parte do quadro clínico clássico da doença e não é uma manifestação relevante. O fígado permanece como o órgão central do processo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca aposta na associação imediata da Doença de Wilson com o cérebro, por causa dos sintomas neurológicos marcantes e do anel de Kayser-Fleischer. Mas a doença é, antes de tudo, uma hepatopatia: o defeito genético está na excreção hepática do cobre, e é no fígado que o dano começa e mais frequentemente se manifesta. Na prova, lembre-se: Wilson = fígado em primeiro lugar; o cérebro é o segundo órgão mais acometido, não o principal.

Gabarito: letra A

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