Questão de Medicina — Endocrinologia — Avança SP 2024
- Código
- qg080766
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- FSPSS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Especialista (Endocrinologista)
- ABaço.
- BPulmões.
- CPâncreas.
- DFígado.
- ERim.
GabaritoD — Fígado.
Gabarito: letra D. Nas doenças de depósito/armazenamento lipídico (lipidoses), o fígado é o órgão mais frequentemente afetado, pois é o principal sítio do metabolismo de lipídeos e glicolipídeos, acumulando o material não degradado nos hepatócitos e nas células de Kupffer. Essa é uma correlação clínico-patológica clássica, cobrada em provas de residência e concursos médicos.
As doenças do armazenamento lipídico — também chamadas de lipidoses ou doenças de depósito lisossômico — formam um grupo de erros inatos do metabolismo caracterizados pela deficiência de enzimas lisossômicas específicas, o que impede a degradação completa de lipídeos complexos (esfingolipídeos, glicolipídeos, colesterol esterificado). O substrato não degradado acumula-se progressivamente nos lisossomos de diversos tecidos, causando disfunção celular e dano orgânico. O exemplo mais conhecido é a doença de Gaucher, causada pela deficiência de glicocerebrosidase, que leva ao acúmulo de glicosilceramida; e a doença de Niemann-Pick, por deficiência de esfingomielinase, com acúmulo de esfingomielina. Em ambas, o fígado e o baço são os órgãos mais atingidos, manifestando-se como hepatoesplenomegalia. Contudo, quando a questão pergunta qual é o órgão frequentemente afetado, o fígado é a resposta mais abrangente e correta, pois é o órgão central do metabolismo lipídico e o primeiro a acumular o material em praticamente todas as lipidoses.
O fígado desempenha papel central no metabolismo de lipídeos: sintetiza lipoproteínas, metaboliza colesterol e ácidos graxos, e é o principal local de captação e degradação de lipídeos circulantes. Por isso, qualquer defeito enzimático no catabolismo lipídico tende a se manifestar precoce e intensamente no parênquima hepático. Nas doenças de Gaucher e Niemann-Pick, por exemplo, os hepatócitos e as células de Kupffer (macrófagos hepáticos) acumulam o lipídeo não degradado, levando a hepatomegalia, disfunção hepática e, em casos graves, cirrose. O baço também é afetado (esplenomegalia), mas a questão pede o órgão frequentemente afetado, e o fígado é o mais consistente e previsível nesse grupo de doenças.
Na prática clínica, diante de suspeita de doença do armazenamento lipídico (hepatoesplenomegalia, citopenias, alterações ósseas, atraso do desenvolvimento), a investigação inicial inclui dosagem enzimática em leucócitos ou fibroblastos e biópsia de medula óssea (para células de Gaucher). A biópsia hepática, quando realizada, mostra macrófagos espumosos ou células de Gaucher típicas. O tratamento varia conforme a doença: reposição enzimática (Gaucher, Fabry), transplante de medula óssea, ou terapias de redução de substrato.
A distinção que importa aqui é entre o fígado e o baço: ambos são órgãos do sistema reticuloendotelial e frequentemente acometidos, mas o fígado é o órgão mais consistentemente afetado nas lipidoses, sendo o principal sítio metabólico. O baço, embora também acometido, é secundário nesse contexto. Os demais órgãos (pulmões, pâncreas, rim) são menos caracteristicamente envolvidos, exceto em formas específicas e avançadas de algumas doenças.
A pegadinha que a banca explora é a associação imediata entre "doença do armazenamento" e "baço", devido à hepatoesplenomegalia clássica. O candidato que memoriza apenas a tríade "hepatoesplenomegalia" pode marcar baço, mas a pergunta é sobre o órgão frequentemente afetado, e o fígado é a resposta mais correta e abrangente. Guarde: nas lipidoses, o fígado é o órgão-alvo primário e mais frequente; o baço é o segundo mais acometido.
O baço é frequentemente afetado nas lipidoses (esplenomegalia é comum), mas não é o órgão mais frequentemente afetado. A banca explora a associação clássica com hepatoesplenomegalia, mas o fígado é o órgão central do metabolismo lipídico e o mais consistentemente acometido. O baço é o segundo órgão mais afetado, não o primeiro.
Os pulmões não são um órgão-alvo primário das doenças do armazenamento lipídico. Embora algumas lipidoses possam ter envolvimento pulmonar em fases avançadas (ex.: doença de Gaucher tipo II, Niemann-Pick tipo B), isso é incomum e não caracteriza o padrão típico. O envolvimento pulmonar, quando ocorre, é secundário e tardio.
O pâncreas não é um órgão frequentemente afetado nas lipidoses. O pâncreas está mais associado a outras condições, como pancreatite, fibrose cística e diabetes. Não há acúmulo lipídico característico no pâncreas nas doenças de depósito lisossômico.
O fígado é o órgão mais frequentemente afetado nas doenças do armazenamento lipídico. Isso ocorre porque o fígado é o principal órgão do metabolismo de lipídeos, sintetizando, captando e degradando lipoproteínas e ácidos graxos. Nas lipidoses (Gaucher, Niemann-Pick, etc.), o material não degradado acumula-se nos hepatócitos e nas células de Kupffer, levando a hepatomegalia e disfunção hepática. A correlação clínico-patológica é direta e consistente.
O rim não é um órgão frequentemente afetado nas doenças do armazenamento lipídico. Embora algumas lipidoses possam ter envolvimento renal (ex.: doença de Fabry, com acúmulo de globotriaosilceramida nos podócitos), isso é uma manifestação específica e não o padrão geral. O rim não é o órgão-alvo primário do grupo.
Gabarito: letra D — o fígado é o órgão frequentemente afetado nas doenças do armazenamento lipídico, por ser o principal sítio do metabolismo lipídico e o primeiro a acumular o material não degradado.
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