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Questão de Medicina — Gastroenterologia — Avança SP 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
qg080770
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Gastroenterologista)
Paciente do sexo masculino, 40 anos, procura atendimento médico com queixas de constipação intestinal crônica, distensão abdominal, febre, perda de peso e astenia. Além disso, relata residir em uma área rural. Ao exame físico, apresenta abdome distendido, timpanismo e massas palpáveis. O ultrassom revela a presença de megacólon. Diante desse quadro, qual o diagnóstico mais provável?
  1. ADoença de Chagas.
  2. BDoença inflamatória intestinal.
  3. CDiverticulose colônica.
  4. DDoença celíaca.
  5. ESíndrome do intestino irritável.
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GabaritoA — Doença de Chagas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Megacólon e Doença de Chagas: o diagnóstico diferencial

Gabarito: letra A (Doença de Chagas). O quadro clínico de constipação crônica, distensão abdominal, febre, perda de peso, massas palpáveis e megacólon ao ultrassom, em paciente residente em área rural, é altamente sugestivo de megacólon chagásico — a forma digestiva crônica da doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi. A associação entre megacólon e doença de Chagas é clássica e está documentada na literatura médica, sendo o diagnóstico mais provável diante desse cenário epidemiológico e clínico.

O megacólon é uma dilatação anormal do cólon, frequentemente acompanhada de hipertrofia de sua parede, que leva a constipação intestinal crônica e progressiva. Na doença de Chagas, a destruição dos plexos nervosos intramurais (principalmente o plexo de Auerbach) por ação do parasita resulta em desnervação do cólon, comprometendo a motilidade e causando o megacólon. Essa é uma das manifestações mais comuns da forma digestiva da doença, que também pode afetar o esôfago (megaesôfago). O paciente da questão apresenta todos os elementos típicos: constipação crônica, distensão abdominal, timpanismo, massas palpáveis (que podem ser fecalomas) e o achado ultrassonográfico de megacólon. A residência em área rural é um dado epidemiológico crucial, pois a transmissão vetorial da doença de Chagas ocorre principalmente em zonas rurais, onde o barbeiro (triatomíneo) habita.

A febre e a perda de peso, embora possam ocorrer em outras condições, também são compatíveis com a forma crônica da doença de Chagas, especialmente em casos de reativação ou em fases mais avançadas. O diagnóstico diferencial com outras causas de megacólon, como a doença de Hirschsprung (congênita) ou o megacólon idiopático, é feito pela história clínica e epidemiológica. A confirmação diagnóstica da doença de Chagas na fase crônica é sorológica, com a pesquisa de anticorpos IgG anti-T. cruzi.

É importante destacar que a doença de Chagas é uma doença endêmica no Brasil, com transmissão vetorial interrompida em vários estados, mas ainda presente em áreas rurais. O conhecimento das manifestações clínicas, especialmente as digestivas, é fundamental para o diagnóstico precoce e o manejo adequado. O tratamento do megacólon chagásico pode ser clínico (dieta rica em fibras, laxativos, lavagens intestinais) ou cirúrgico (operação de Duhamel-Haddad), dependendo da gravidade e das complicações.

A banca explora a associação clássica entre megacólon e doença de Chagas, um tema recorrente em provas de gastroenterologia e clínica médica. O candidato deve estar atento aos dados epidemiológicos (área rural) e aos achados clínicos e de imagem que apontam para essa etiologia. As demais alternativas apresentam doenças que podem causar sintomas gastrointestinais, mas não se encaixam no quadro completo de megacólon com as características descritas.

1Causas
Doença de Chagas (desnervação do plexo de Auerbach)
Doença de Hirschsprung (congênita)
Idiopático
2Quadro clínico
Constipação crônica
Distensão abdominal
Massas palpáveis (fecalomas)
3Diagnóstico
Clínico-epidemiológico
Sorologia (IgG anti-T. cruzi)
Megacólon
LEVELsoulevel.com.br
Megacólon: Causas (Doença de Chagas (desnervação do plexo de Auerbach), Doença de Hirschsprung (congênita), Idiopático); Quadro clínico (Constipação crônica, Distensão abdominal, Massas palpáveis (fecalomas)); Diagnóstico (Clínico-epidemiológico, Sorologia (IgG anti-T. cruzi))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A doença de Chagas é a causa mais provável do megacólon neste paciente. A destruição dos plexos nervosos intramurais do cólon pelo Trypanosoma cruzi leva à desnervação e à dilatação do órgão, resultando em constipação crônica, distensão abdominal e massas palpáveis (fecalomas). A residência em área rural é um forte indicador epidemiológico, pois a transmissão vetorial ocorre principalmente nesses locais. O diagnóstico é clínico-epidemiológico e confirmado por sorologia (IgG anti-T. cruzi).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A doença inflamatória intestinal (DII), que inclui a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, pode causar diarreia, dor abdominal, perda de peso e febre, mas não é uma causa típica de megacólon. O megacólon tóxico é uma complicação grave da DII, mas é uma condição aguda e diferente do megacólon crônico descrito no enunciado. Além disso, a DII não tem a associação epidemiológica com área rural que a doença de Chagas apresenta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A diverticulose colônica é uma condição caracterizada pela presença de divertículos (pequenas bolsas) na parede do cólon, geralmente assintomática. Quando complicada, pode causar diverticulite (inflamação), com dor abdominal, febre e alteração do hábito intestinal, mas não causa megacólon. O quadro de constipação crônica com megacólon não é compatível com diverticulose.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A doença celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Manifesta-se com diarreia crônica, distensão abdominal, perda de peso e deficiências nutricionais, mas não causa megacólon. O quadro clínico do paciente, com constipação e megacólon, não é compatível com doença celíaca.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio funcional caracterizado por dor abdominal e alteração do hábito intestinal (constipação, diarreia ou alternância), sem causa orgânica identificável. Embora possa causar distensão abdominal e constipação, não causa megacólon nem massas palpáveis. Além disso, a SII não apresenta febre, perda de peso ou os achados ultrassonográficos descritos. A presença de sintomas como febre e perda de peso, conforme mencionado no material de apoio, deve alertar para a investigação de doença orgânica, afastando o diagnóstico de SII.

Gabarito: letra A

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