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Questão de Medicina — Gastroenterologia — Avança SP 2024

MedicinaGastroenterologia
Código
qg080771
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Gastroenterologista)
Paciente de 25 anos, sexo feminino, apresenta hipertensão arterial, hipocalemia e hiperpigmentação cutânea. Exames laboratoriais revelam hiperaldosteronismo primário. Qual a causa mais comum em mulheres jovens?
  1. AAdenoma adrenal.
  2. BCarcinoma adrenal.
  3. CFeocromocitoma.
  4. DHiperplasia adrenal congênita
  5. ESíndrome de Cushing.
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GabaritoD — Hiperplasia adrenal congênita

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hiperaldosteronismo primário em mulher jovem

Gabarito: letra D. Em mulheres jovens, a causa mais comum de hiperaldosteronismo primário é a hiperplasia adrenal congênita (HAC), especialmente a forma não clássica, que cursa com hipertensão, hipocalemia e hiperpigmentação cutânea — quadro clássico de excesso de mineralocorticoide com deficiência de cortisol. O adenoma adrenal (síndrome de Conn) é a causa mais comum em adultos em geral, mas a faixa etária jovem e o sexo feminino direcionam para a HAC.

O hiperaldosteronismo primário é caracterizado pela produção autônoma e excessiva de aldosterona pela glândula adrenal, independente do sistema renina-angiotensina. Isso leva a retenção de sódio e água, aumento da excreção de potássio e, consequentemente, hipertensão arterial e hipocalemia. A aldosterona é o principal ligante do receptor mineralocorticoide no néfron distal, e seu excesso causa troca renal excessiva de Na+-K+, resultando em hipopotassemia. O diagnóstico é sugerido quando a hipertensão é acompanhada de hipopotassemia não provocada (K+ sérico < 3,5 mmol/L na ausência de terapia diurética) ou tendência a desenvolver hipopotassemia excessiva durante terapia diurética (K+ < 3,0 mmol/L).

As causas mais comuns de aldosteronismo primário são: (1) adenoma produtor de aldosterona unilateral e (2) hiperplasia adrenal bilateral. O adenoma é mais frequente em adultos de meia-idade, enquanto a hiperplasia adrenal congênita é uma causa importante em jovens, especialmente mulheres. A HAC é um distúrbio genético do metabolismo dos corticosteroides, mais comumente por deficiência da enzima 21-hidroxilase, que leva ao acúmulo de precursores androgênicos e à deficiência de cortisol e, em alguns casos, de aldosterona. Na forma não clássica, a deficiência enzimática é parcial, e os pacientes podem apresentar hiperaldosteronismo compensatório, hipertensão e hipocalemia. A hiperpigmentação cutânea ocorre devido ao aumento do ACTH, que estimula os melanócitos, sendo um sinal clássico de deficiência de cortisol.

Na prática clínica, a distinção entre adenoma e hiperplasia é crucial, pois o tratamento difere: o adenoma é tratado com adrenalectomia laparoscópica, enquanto a hiperplasia bilateral é tratada clinicamente com antagonistas do receptor mineralocorticoide, como espironolactona ou eplerenona. A tomografia computadorizada das adrenais e a amostragem venosa adrenal são utilizadas para diferenciar as duas condições. No caso da paciente jovem com hiperpigmentação, a suspeita de HAC deve ser alta, e a dosagem de 17-hidroxiprogesterona é o teste de rastreio.

A pegadinha desta questão está na faixa etária: o adenoma adrenal é a causa mais comum de hiperaldosteronismo primário na população geral, mas em mulheres jovens a hiperplasia adrenal congênita é mais prevalente. A banca explora a tendência de associar hiperaldosteronismo primário diretamente ao adenoma, sem considerar a idade e o sexo. Além disso, a hiperpigmentação é um sinal que aponta para deficiência de cortisol, o que reforça a HAC em vez do adenoma.

Guarde a fronteira entre as causas de hiperaldosteronismo primário: adenoma (mais comum em adultos, sem hiperpigmentação) versus hiperplasia adrenal congênita (mais comum em jovens, com hiperpigmentação). É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

O adenoma adrenal (síndrome de Conn) é a causa mais comum de hiperaldosteronismo primário na população geral, mas não em mulheres jovens. A paciente apresenta hiperpigmentação cutânea, um sinal que sugere deficiência de cortisol e aumento do ACTH, o que não é típico do adenoma produtor de aldosterona. O adenoma é mais comum em adultos de 30 a 50 anos, e a hiperpigmentação não faz parte do seu quadro clássico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O carcinoma adrenal é uma causa rara de hiperaldosteronismo primário, responsável por menos de 1% dos casos. Além disso, o carcinoma adrenal geralmente se apresenta com tumores grandes, dor abdominal e sintomas de excesso de andrógenos ou cortisol, não com o quadro isolado de hiperaldosteronismo. A hiperpigmentação também não é uma característica típica do carcinoma adrenal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O feocromocitoma é um tumor da medula adrenal que secreta catecolaminas, causando hipertensão paroxística, palpitações, sudorese e cefaleia. Não causa hipocalemia nem hiperpigmentação. O quadro clínico da paciente é claramente de excesso de mineralocorticoide, não de catecolaminas. O feocromocitoma é uma causa de hipertensão secundária, mas com apresentação clínica distinta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hiperplasia adrenal congênita (HAC) é a causa mais comum de hiperaldosteronismo primário em mulheres jovens. A forma não clássica da HAC, geralmente por deficiência parcial da 21-hidroxilase, leva a um estado de hiperaldosteronismo compensatório, hipertensão e hipocalemia. A hiperpigmentação cutânea é um sinal clássico de deficiência de cortisol, que aumenta o ACTH e estimula os melanócitos. A combinação de hipertensão, hipocalemia e hiperpigmentação em uma mulher jovem é altamente sugestiva de HAC.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de Cushing é causada por excesso de cortisol, que pode levar a hipertensão e hipocalemia, mas não causa hiperpigmentação cutânea — na verdade, o excesso de cortisol geralmente causa hiperpigmentação apenas na doença de Cushing (por excesso de ACTH), mas o quadro clássico inclui obesidade central, estrias roxas, fraqueza muscular e hiperglicemia. A paciente não apresenta esses sinais, e a hiperpigmentação isolada com hiperaldosteronismo primário aponta mais para HAC.

Gabarito: letra D — a hiperplasia adrenal congênita é a causa mais comum de hiperaldosteronismo primário em mulheres jovens, especialmente na forma não clássica, que cursa com hipertensão, hipocalemia e hiperpigmentação cutânea.

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