Questão de Medicina — Gastroenterologia — Avança SP 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg080776
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Gastroenterologista)
Paciente de 60 anos, sexo masculino, apresenta colangite esclerosante primária. Qual o principal fator de risco para o desenvolvimento de colangiocarcinoma em tal paciente?
AColedocolitíase.
BCirrose biliar.
CInfecção por Helicobacter pylori.
DDiabetes mellitus.
ETabagismo.
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GabaritoB — Cirrose biliar.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Colangite esclerosante primária e risco de colangiocarcinoma
Gabarito: letra B. Na colangite esclerosante primária (CEP), o principal fator de risco para o desenvolvimento de colangiocarcinoma é a própria doença, que confere um risco cumulativo de 10% a 15% ao longo da vida — muito superior ao de qualquer outra condição listada. A alternativa B, "Cirrose biliar", é a que melhor representa esse risco, pois a CEP é uma doença colestática crônica que evolui com inflamação e fibrose das vias biliares, criando o ambiente propício para a transformação maligna do epitélio biliar.
A colangite esclerosante primária é uma doença hepática colestática crônica, de caráter autoimune, caracterizada por inflamação e fibrose progressiva dos ductos biliares intra e extra-hepáticos. Essa inflamação crônica leva à formação de estenoses e dilatações características, visíveis na colangiorressonância magnética. A doença tem forte associação com doença inflamatória intestinal, especialmente retocolite ulcerativa, presente em 70% a 80% dos casos. O paciente típico é um homem de meia idade, com predominância masculina de 2:1 e idade média de diagnóstico aos 40 anos.
O colangiocarcinoma é um tumor maligno que surge do epitélio biliar, e a CEP é reconhecidamente o principal fator de risco para seu desenvolvimento. O risco cumulativo ao longo da vida é de 10% a 15%, o que representa um aumento de centenas de vezes em relação à população geral. Esse risco é tão significativo que a CEP é considerada uma condição pré-maligna, e o colangiocarcinoma é uma das principais causas de morte nesses pacientes. A vigilância periódica com exames de imagem e marcadores tumorais é recomendada, embora não haja consenso sobre o melhor protocolo de rastreamento.
A patogênese do colangiocarcinoma na CEP envolve a inflamação crônica do epitélio biliar, que leva a dano ao DNA, proliferação celular e, eventualmente, à transformação maligna. A colestase crônica e o acúmulo de ácidos biliares tóxicos também contribuem para o processo carcinogênico. Além disso, a fibrose e a cirrose que podem se desenvolver em fases avançadas da CEP aumentam ainda mais o risco. É importante destacar que o colangiocarcinoma pode surgir em qualquer estágio da CEP, inclusive antes do desenvolvimento de cirrose, o que reforça a necessidade de vigilância desde o diagnóstico.
A banca explora aqui a confusão entre os diferentes tipos de doença biliar e hepática. O candidato pode ser tentado a escolher "Coledocolitíase" (A), por ser uma causa comum de obstrução biliar, ou "Diabetes mellitus" (D) e "Tabagismo" (E), por serem fatores de risco para diversos tipos de câncer. No entanto, nenhum desses se compara ao risco imposto pela CEP. A alternativa "Cirrose biliar" (B) é a que mais se aproxima do conceito correto, pois a CEP é uma doença que pode evoluir para cirrose, e é essa doença de base que confere o risco aumentado de colangiocarcinoma.
Guarde o conceito central: na CEP, o risco de colangiocarcinoma é inerente à própria doença, não a um fator externo. É essa associação que a questão cobra, e é nela que as alternativas se dividem.
Colangiocarcinoma — fatores de risco
1Principal
Colangite esclerosante primária (CEP)
Risco cumulativo de 10–15%
Condição pré-maligna
2Outros
Infecção por parasitas biliares
Clonorchis, Opisthorchis
Exposição a toxinas (tório)
Doença hepática crônica
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A coledocolitíase é a presença de cálculos no ducto biliar comum, uma causa comum de obstrução biliar e colangite aguda. Embora a litíase biliar seja um fator de risco para colangiocarcinoma, o risco é muito menor do que o da CEP. A coledocolitíase não é o principal fator de risco em um paciente com CEP, pois a doença de base já confere um risco muito maior.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cirrose biliar, no contexto da colangite esclerosante primária, representa a evolução da própria doença. A CEP é uma doença colestática crônica que pode evoluir para cirrose, e é essa condição que confere o principal risco de colangiocarcinoma. O risco cumulativo ao longo da vida é de 10% a 15%, muito superior ao de qualquer outro fator isolado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A infecção por Helicobacter pylori não é um fator de risco estabelecido para colangiocarcinoma. O H. pylori está associado a gastrite, úlcera péptica e câncer gástrico, mas não tem relação comprovada com neoplasias biliares. Essa alternativa é um distrator que explora o conhecimento do candidato sobre infecções bacterianas e câncer, mas sem fundamento na literatura.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O diabetes mellitus é um fator de risco para diversos tipos de câncer, incluindo carcinoma hepatocelular e câncer de pâncreas. No entanto, não é o principal fator de risco para colangiocarcinoma em pacientes com CEP. A associação entre diabetes e colangiocarcinoma é fraca e não se compara ao risco imposto pela doença de base.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tabagismo é um fator de risco para vários tipos de câncer, incluindo pulmão, bexiga e pâncreas. No entanto, não é um fator de risco estabelecido para colangiocarcinoma, e certamente não é o principal em um paciente com CEP. Essa alternativa é um distrator que explora o conhecimento geral sobre fatores de risco para câncer, mas sem relação específica com a doença em questão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os fatores de risco gerais para câncer (tabagismo, diabetes) e o fator de risco específico da CEP. O candidato que não conhece a forte associação entre CEP e colangiocarcinoma pode ser tentado a escolher uma alternativa mais "genérica". Lembre-se: na CEP, o risco de colangiocarcinoma é de 10% a 15% ao longo da vida, o que torna a doença de base o principal fator de risco.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre colangiocarcinoma, memorize os principais fatores de risco: colangite esclerosante primária (o mais importante), infecções por parasitas biliares (como Clonorchis sinensis e Opisthorchis viverrini, comuns no Sudeste Asiático), exposição a toxinas (como o tório), e doença hepática crônica. A CEP é sempre a resposta quando a questão pergunta sobre o principal fator de risco.