Questão de Medicina — Gastroenterologia — Avança SP 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg080780
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Gastroenterologista)
Um paciente de 45 anos procura seu consultório com queixas frequentes de azia e regurgitação. A endoscopia revela esofagite erosiva distal e hérnia de hiato por deslizamento. Qual a melhor estratégia para aliviar o sofrimento do paciente?
AAumentar a ingestão de café e bebidas cítricas para estimular a digestão.
BPrescrever omeprazol 20mg ao dia por 8 semanas e recomendar elevação da cabeceira da cama.
CIndicar fundoplicatura por laparoscopia como primeira linha de tratamento.
DRecomendar dieta rica em gorduras e frituras para fortalecer a musculatura esofágica.
EPrescrever antiácidos de venda livre e suspender o uso de anti-inflamatórios não esteroides.
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GabaritoB — Prescrever omeprazol 20mg ao dia por 8 semanas e recomendar elevação da cabeceira da cama.
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Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) e Hérnia de Hiato
Gabarito: letra B. Para um paciente com esofagite erosiva distal e hérnia de hiato por deslizamento, a melhor estratégia inicial é a combinação de inibidor de bomba de prótons (IBP) — omeprazol 20 mg/dia por 8 semanas — com medidas comportamentais, incluindo a elevação da cabeceira da cama. Essa conduta é o padrão-ouro no manejo da DRGE, pois o IBP promove cicatrização da mucosa esofágica e alívio sintomático, enquanto a elevação da cabeceira reduz o refluxo noturno.
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica caracterizada pelo refluxo do conteúdo gastroduodenal para o esôfago, causando sintomas como azia (pirose) e regurgitação, além de possíveis complicações como esofagite erosiva, estenose péptica e esôfago de Barrett. A hérnia de hiato por deslizamento (tipo I) é a variedade mais comum e frequentemente está associada à DRGE, pois a frouxidão da membrana frenoesofágica permite a herniação da cárdia gástrica para o tórax, comprometendo o mecanismo antirrefluxo da junção esofagogástrica.
O tratamento da DRGE segue uma abordagem escalonada. As modificações do estilo de vida são a base da terapia inicial: perda de peso, elevação da cabeceira da cama, evitar refeições antes de dormir e evitar alimentos que desencadeiam os sintomas (café, álcool, chocolate, alimentos gordurosos, cítricos e condimentados). Quando essas medidas não são suficientes, inicia-se a terapia farmacológica. Os inibidores de bomba de prótons (IBPs) são a primeira escolha, pois bloqueiam de forma irreversível a bomba de hidrogênio-potássio ATPase das células parietais gástricas, reduzindo drasticamente a secreção ácida. Eles são superiores aos bloqueadores H2 e aos antiácidos tanto para o alívio dos sintomas quanto para a cicatrização da esofagite.
A cirurgia (fundoplicatura) é reservada para casos refratários ao tratamento clínico otimizado, pacientes com efeitos colaterais da medicação, não adesão ao tratamento ou hérnias de hiato volumosas. Não é a primeira linha de tratamento. A alternativa correta combina o IBP com a medida comportamental mais eficaz para o refluxo noturno, que é a elevação da cabeceira da cama. Essa abordagem é a mais adequada para aliviar o sofrimento do paciente e promover a cicatrização da mucosa esofágica.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que, embora a fundoplicatura seja uma opção válida, ela não é a primeira linha de tratamento para um paciente sem critérios de refratariedade. O tratamento inicial deve ser clínico, com IBP e medidas comportamentais. A banca explora a confusão entre o tratamento de primeira linha e as opções cirúrgicas reservadas para casos específicos.
1Mudanças de estilo de vida
2IBP (1ª escolha)
3Cirurgia (refratários)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Aumentar a ingestão de café e bebidas cítricas é exatamente o oposto do recomendado. Esses alimentos são gatilhos clássicos para os sintomas de DRGE, pois relaxam o esfíncter esofágico inferior e aumentam a acidez gástrica, piorando a azia e a regurgitação. A orientação correta é evitar esses alimentos.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa combina corretamente o tratamento farmacológico de primeira linha (omeprazol 20 mg/dia por 8 semanas) com uma medida comportamental eficaz (elevação da cabeceira da cama). O IBP é o medicamento de escolha para a esofagite erosiva, promovendo cicatrização da mucosa e alívio dos sintomas. A elevação da cabeceira da cama é uma medida não farmacológica que reduz o refluxo noturno, complementando o tratamento medicamentoso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A fundoplicatura por laparoscopia é uma opção cirúrgica válida, mas não é a primeira linha de tratamento para DRGE. Ela é indicada para pacientes com doença refratária ao tratamento clínico otimizado, com efeitos colaterais da medicação, não adesão ao tratamento ou hérnias de hiato volumosas. Para um paciente sem esses critérios, o tratamento inicial deve ser clínico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Recomendar dieta rica em gorduras e frituras é prejudicial. Alimentos gordurosos relaxam o esfíncter esofágico inferior e retardam o esvaziamento gástrico, aumentando a exposição do esôfago ao ácido e piorando os sintomas de refluxo. A orientação correta é evitar esses alimentos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Antiácidos de venda livre podem aliviar sintomas leves e ocasionais, mas não são suficientes para tratar esofagite erosiva. Eles apenas neutralizam o ácido já secretado, sem inibir a produção. Além disso, a suspensão de AINEs é uma medida geral, mas não é o tratamento principal para a DRGE. O IBP é o medicamento de escolha para cicatrização da mucosa.