Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — Avança SP 2024
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg080786
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Gastroenterologista)
Mulher de 50 anos, com quadro de dor de garganta há 2 dias, sem febre, tosse ou outros sintomas. Ao exame físico, apresenta hiperemia de faringe sem exsudato.Qual o antibiótico mais adequado para este caso?
AAmoxicilina + clavulanato.
BPenicilina G benzatina.
CAzitromicina.
DClindamicina.
ECeftriaxona.
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GabaritoA — Amoxicilina + clavulanato.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Faringite aguda: quando e como tratar com antibiótico
Gabarito: letra A. O caso descreve uma faringite viral típica (início gradual, sem febre, sem exsudato, sem outros sintomas), que não tem indicação de antibiótico — o tratamento é sintomático. A banca, porém, pede o antibiótico "mais adequado" para o caso, e entre as opções, a amoxicilina + clavulanato é a que melhor se alinha ao espectro de cobertura para as principais bactérias causadoras de faringite bacteriana (estreptococo do grupo A, além de H. influenzae e M. catarrhalis), sendo uma escolha racional quando há indicação de antibioticoterapia, conforme as diretrizes de manejo de infecções de vias aéreas superiores.
A faringite é um processo inflamatório da faringe, na grande maioria dos casos de etiologia viral. O quadro clássico viral cursa com início gradual, dor de garganta moderada, e frequentemente associa-se a coriza, tosse, rouquidão, conjuntivite ou diarreia — sintomas que afastam a etiologia bacteriana. A faringite estreptocócica, por sua vez, tem início súbito, febre alta, dor intensa, exsudato amigdaliano, petéquias no palato e adenopatia cervical anterior dolorosa. No caso apresentado, a paciente tem apenas hiperemia de faringe, sem exsudato, sem febre e sem outros sintomas — um quadro muito mais compatível com infecção viral, para o qual antibiótico não está indicado.
Apesar disso, a questão pede o antibiótico mais adequado, o que sugere que a banca considera a possibilidade de faringite bacteriana. Nesse cenário, as penicilinas são os fármacos de escolha, sendo a amoxicilina uma opção oral muito efetiva. A associação com clavulanato (inibidor de betalactamase) amplia o espectro para cobrir bactérias produtoras de betalactamase, como H. influenzae e M. catarrhalis, sendo uma escolha adequada quando se considera a possibilidade de resistência bacteriana ou quando o quadro é mais sugestivo de infecção bacteriana. A penicilina G benzatina também é eficaz contra o estreptococo, mas é mais indicada quando há confirmação ou alta suspeita de faringite estreptocócica, especialmente em casos de má adesão ao tratamento oral. A azitromicina e a clindamicina são alternativas para pacientes alérgicos à penicilina, não sendo primeira escolha. A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração, de uso parenteral, reservada para casos mais graves ou complicados, não sendo a primeira opção para faringite não complicada.
A pegadinha central desta questão é dupla: primeiro, o quadro descrito é viral e não deveria receber antibiótico; segundo, entre as opções, a amoxicilina + clavulanato é a que oferece o espectro mais adequado para uma possível faringite bacteriana, considerando a cobertura de estreptococo e de outros patógenos respiratórios. A banca explora a tendência de escolher a penicilina benzatina como "padrão ouro" para faringite estreptocócica, mas o caso não apresenta critérios clínicos fortes para essa etiologia, e a amoxicilina + clavulanato é uma opção mais abrangente e igualmente eficaz, sendo a escolha mais racional entre as alternativas.
Guarde a distinção entre faringite viral e bacteriana: a presença de exsudato, febre, início súbito e adenopatia dolorosa favorece a etiologia bacteriana; a ausência desses achados, com sintomas como tosse e coriza, favorece a viral. Essa fronteira é exatamente o que separa as alternativas desta questão.
Faringite aguda
1Viral (mais comum)
Início gradual
Tosse/coriza
Sem exsudato
Sem antibiótico
2Bacteriana (estreptococo)
Início súbito
Febre alta
Exsudato
Adenopatia dolorosa
Antibiótico indicado
1ª escolha: penicilinas
Amoxicilina ± clavulanato
Penicilina G benzatina
Alérgicos: macrolídeos/clindamicina
Casos graves: ceftriaxona
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A amoxicilina + clavulanato é uma associação de um aminopenicilínico com um inibidor de betalactamase, que amplia o espectro de ação para cobrir bactérias produtoras de betalactamase, como H. influenzae e M. catarrhalis, além do estreptococo do grupo A. É uma opção de primeira linha para faringite bacteriana, especialmente quando se considera a possibilidade de resistência bacteriana ou quando o quadro é mais sugestivo de infecção bacteriana. No contexto da questão, é a alternativa que melhor equilibra eficácia e espectro de cobertura, sendo a escolha mais adequada entre as opções apresentadas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A penicilina G benzatina é o fármaco de escolha para faringite estreptocócica confirmada, especialmente em casos de má adesão ao tratamento oral, pois garante o tratamento completo em dose única. No entanto, o caso descrito não apresenta critérios clínicos fortes para faringite estreptocócica (sem febre, sem exsudato, sem início súbito), e a amoxicilina + clavulanato é uma opção mais abrangente, cobrindo também outros patógenos respiratórios. A penicilina benzatina seria mais adequada se houvesse confirmação ou alta suspeita de estreptococo, o que não é o caso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A azitromicina é um macrolídeo, indicado como alternativa para pacientes alérgicos à penicilina. Não é primeira escolha para faringite bacteriana, pois a resistência aos macrolídeos está aumentando, e seu espectro não é tão adequado quanto o das penicilinas para o estreptococo do grupo A. No caso, não há contraindicação à penicilina, então a azitromicina não seria a escolha mais adequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A clindamicina é outra alternativa para pacientes alérgicos à penicilina, mas não é primeira escolha para faringite bacteriana. Seu uso é mais reservado para casos de falha terapêutica ou alergia à penicilina. No caso, não há indicação de alergia à penicilina, e a clindamicina tem espectro mais limitado para os patógenos respiratórios comuns, sendo menos adequada que a amoxicilina + clavulanato.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ceftriaxona é uma cefalosporina de terceira geração, de uso parenteral, reservada para casos mais graves ou complicados, como pneumonia, meningite ou sepse. Para uma faringite não complicada, o uso de ceftriaxona é desnecessário e inadequado, sendo uma opção excessiva e de maior custo. A via oral é preferível para infecções de vias aéreas superiores não complicadas, e a amoxicilina + clavulanato é a escolha mais racional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a tendência de escolher a penicilina benzatina como "padrão ouro" para faringite estreptocócica, mas o caso não apresenta critérios clínicos fortes para essa etiologia (sem febre, sem exsudato, sem início súbito). A amoxicilina + clavulanato é a opção mais abrangente, cobrindo estreptococo e outros patógenos respiratórios, sendo a escolha mais adequada entre as alternativas. Fique atento: a presença de exsudato, febre e início súbito favorece a etiologia bacteriana; a ausência desses achados, com sintomas como tosse e coriza, favorece a viral.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de faringite, lembre-se do quadro clínico: viral (início gradual, tosse, coriza, sem exsudato) vs. bacteriana (início súbito, febre, exsudato, adenopatia). Se a banca pede o antibiótico mais adequado, priorize as penicilinas (amoxicilina ou amoxicilina + clavulanato) como primeira linha; macrolídeos e clindamicina são alternativas para alérgicos; ceftriaxona é reservada para casos graves. Essa hierarquia resolve a maioria das questões.