ASim, a maioria dos idosos perde completamente o interesse pelo sexo.
BNão, a maioria dos idosos permanece sexualmente ativa e interessada.
CO desejo sexual diminui apenas em idosos com doenças crônicas.
DApenas homens idosos mantêm o desejo sexual.
EO desejo sexual está relacionado apenas à função hormonal.
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GabaritoB — Não, a maioria dos idosos permanece sexualmente ativa e interessada.
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Sexualidade no envelhecimento
Gabarito: letra B. O desejo sexual não desaparece com o envelhecimento: a maioria dos idosos permanece sexualmente ativa e interessada, e problemas na capacidade de desfrutar do prazer sexual não devem ser considerados parte normal do processo de envelhecimento. Essa é a posição consolidada na literatura geriátrica, que reconhece a sexualidade como componente da saúde ao longo de toda a vida.
A sexualidade é uma dimensão humana que persiste por toda a vida, e o envelhecimento, embora traga alterações fisiológicas, não extingue o desejo ou a capacidade de vivenciar a sexualidade. O que ocorre é uma modificação na frequência, na intensidade e nas formas de expressão da atividade sexual, influenciada por fatores biológicos, psicológicos e socioculturais. A frequência e a intensidade da atividade sexual podem mudar ao longo da vida; entretanto, problemas na capacidade de desfrutar do prazer nas relações sexuais não devem ser considerados como parte normal do processo de envelhecimento. Estudos mostram que 74% dos homens casados e 56% das mulheres casadas estão em vida sexual ativa após os 60 anos de idade.
É essencial distinguir entre transtornos do desejo, inibição neurótica, disfunção erétil, dificuldade de ejaculação, dispareunia e inibição cultural. Muitas vezes, a disfunção percebida é resultado do desconhecimento sobre as alterações na sexualidade que ocorrem com a idade, podendo ser resolvida com informação e educação (p. ex., esclarecer sobre o ressecamento e atrofia vaginais e sobre a diminuição da tumescência peniana, alterações decorrentes do envelhecimento). Problemas comuns também podem afetar o desempenho sexual, como doenças osteoarticulares, diabetes, fadiga, medo da precipitação de um "ataque cardíaco" e efeitos da ingestão de álcool. A revisão da prescrição é útil, no sentido de identificar medicamentos associados à disfunção sexual, como os antidepressivos e anti-hipertensivos.
A disfunção sexual é a incapacidade do indivíduo de participar do ato sexual com satisfação, sendo persistente ou recorrente e vivenciada como algo indesejável, desconfortável e incontrolável, com sofrimento significativo. A disfunção impede que o ciclo de resposta sexual (desejo, excitação, orgasmo e resolução) se processe com êxito. Dependendo da(s) fase(s) em que incide(m) essa(s) dificuldade(s), a disfunção se denomina do desejo e/ou da excitação e/ou do orgasmo. Esses quadros constituem a grande maioria dos transtornos da sexualidade, manifestando-se por meio de falta, cujos exemplos são disfunção erétil (falta de ereção), inibição do desejo sexual (desejo sexual hipoativo) e ausência de orgasmo (anorgasmia); excesso, exemplificado pelo comportamento sexual compulsivo; desconforto, representado pela ejaculação precoce e pelo vaginismo; e dor à relação (dispareunia), que pode atingir mulheres e homens.
A pegadinha central desta questão é a generalização indevida: a banca explora o estereótipo de que o envelhecimento anula a sexualidade, quando a evidência mostra o contrário. O candidato que desconhece os dados de prevalência de vida sexual ativa após os 60 anos tende a marcar a alternativa A, que afirma a perda completa do interesse. A alternativa correta, B, reflete a realidade: a maioria permanece ativa e interessada, e as dificuldades que surgem são, em grande parte, tratáveis e não inerentes ao envelhecimento em si. Guarde este critério: a sexualidade persiste, com adaptações; a disfunção é a exceção que causa sofrimento, não a regra do envelhecer.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a maioria dos idosos perde completamente o interesse pelo sexo. Isso contraria os dados: 74% dos homens casados e 56% das mulheres casadas estão em vida sexual ativa após os 60 anos. A perda completa do interesse não é a regra; é a exceção, geralmente associada a condições patológicas (depressão, uso de medicamentos, doenças crônicas) ou a disfunções sexuais tratáveis. A banca explora o estereótipo do assexuado na velhice, que não encontra respaldo na literatura geriátrica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa espelha a evidência: a maioria dos idosos permanece sexualmente ativa e interessada. Estudos mostram que 74% dos homens casados e 56% das mulheres casadas estão em vida sexual ativa após os 60 anos de idade. O envelhecimento traz alterações fisiológicas (como ressecamento vaginal e diminuição da tumescência peniana), mas não elimina o desejo nem a capacidade de prazer. Problemas na capacidade de desfrutar do prazer não são parte normal do envelhecimento e devem ser investigados e tratados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que o desejo sexual diminui apenas em idosos com doenças crônicas. O erro está no termo "apenas": o desejo pode ser influenciado por múltiplos fatores — psicológicos, socioculturais, medicamentosos e fisiológicos — e não somente por doenças crônicas. Além disso, mesmo idosos com doenças crônicas podem manter desejo e atividade sexual; a doença não determina, por si só, a diminuição do desejo. A afirmação é reducionista e exclui a diversidade de situações.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que apenas homens idosos mantêm o desejo sexual. Isso é falso: as mulheres também permanecem sexualmente ativas e interessadas após os 60 anos, como demonstram os 56% das mulheres casadas em vida sexual ativa. A sexualidade feminina na velhice é uma realidade, embora frequentemente invisibilizada por tabus culturais. A alternativa reforça um estereótipo de gênero sem base científica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o desejo sexual está relacionado apenas à função hormonal. O desejo sexual é multifatorial, envolvendo componentes biológicos, psicológicos, socioculturais e relacionais. A função hormonal é um dos fatores, mas não o único. A alternativa ignora a influência de aspectos como vínculo afetivo, saúde mental, contexto social e experiências prévias, além de desconsiderar que a disfunção sexual tem etiologia muitas vezes multifatorial.
NÃO CAIA NESSA!
A banca apela ao senso comum estereotipado de que "velhice é assexuada". A alternativa A parece intuitiva para quem não conhece os dados, mas a literatura mostra o oposto: a maioria dos idosos permanece sexualmente ativa. Desconfie de afirmações absolutas como "perde completamente" ou "apenas" — elas raramente refletem a complexidade da sexualidade humana. Com treino, você aprende a identificar essas generalizações indevidas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de geriatria sobre sexualidade, lembre-se do tripé: (1) a sexualidade persiste na velhice; (2) alterações fisiológicas são normais, mas disfunções que causam sofrimento não são; (3) a abordagem deve ser multifatorial (biológico, psicológico, social). Quando a alternativa trouxer "sempre", "nunca", "apenas" ou "completamente", desconfie e busque a opção que reflita a diversidade e a complexidade do tema.