Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2024
- Código
- qg080800
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- FSPSS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Especialista (Geriatra)
- ADemência de Alzheimer.
- BDelirium.
- CDepressão.
- DTranstorno do sono.
- EAVC.
GabaritoC — Depressão.
Gabarito: letra C. O quadro descrito — tristeza profunda, desânimo, perda de interesse (anedonia), alterações de sono e apetite, pensamentos negativos e ideação suicida — é a apresentação clássica de um episódio depressivo maior, conforme os critérios do DSM-5. A presença de ideação suicida é um marcador de gravidade que reforça o diagnóstico de depressão, não de demência, delirium ou AVC.
A depressão é um transtorno do humor caracterizado por humor deprimido e/ou anedonia (perda de interesse ou prazer), acompanhados de sintomas cognitivos, físicos e comportamentais. No idoso, a apresentação pode ser atípica, com queixas somáticas, irritabilidade e comprometimento cognitivo — o que historicamente foi chamado de "pseudodemência depressiva". O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e a triagem pode ser feita com instrumentos como a Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15).
O grande desafio na geriatria é o diagnóstico diferencial entre depressão, demência e delirium. A demência (como a doença de Alzheimer) tem início insidioso e progressivo, com declínio cognitivo como sintoma central — memória, linguagem, função executiva — e não cursa com ideação suicida como sintoma principal. O delirium é um estado confusional agudo, de curso flutuante, com déficit de atenção como sintoma nuclear, geralmente causado por condição clínica subjacente (infecção, distúrbio metabólico, medicação). O AVC é um evento neurológico focal agudo, com déficits motores, sensitivos ou de linguagem, não se manifestando primariamente como tristeza e anedonia.
A ideação suicida é um sintoma de alarme que exige avaliação imediata de risco e intervenção. No idoso, o suicídio é uma preocupação particular, pois as tentativas têm maior letalidade. A presença de pensamentos negativos e ideação suicida, associada aos demais sintomas, aponta fortemente para depressão maior.
A banca explora a confusão entre depressão e demência no idoso, um erro clássico. A chave é identificar o sintoma nuclear: na depressão, o humor deprimido e a anedonia dominam; na demência, o declínio cognitivo é o protagonista. A ideação suicida é praticamente exclusiva da depressão.
A doença de Alzheimer é uma demência neurodegenerativa, com início insidioso e declínio cognitivo progressivo — memória, linguagem, função executiva. O quadro descrito não menciona déficit cognitivo, mas sim sintomas afetivos (tristeza, desânimo, anedonia) e ideação suicida, que não são características da demência. A depressão pode, no entanto, ser comórbida ou até mascarar-se de demência (pseudodemência depressiva), mas o quadro apresentado é de depressão, não de Alzheimer.
O delirium é um estado confusional agudo, de início rápido e curso flutuante, com déficit de atenção como sintoma central. O paciente descrito não apresenta confusão, desatenção ou alteração do nível de consciência, mas sim sintomas depressivos. O delirium geralmente é causado por condição clínica subjacente (infecção, distúrbio metabólico, medicação), o que não é mencionado no enunciado.
O quadro é a apresentação clássica de um episódio depressivo maior: tristeza profunda, desânimo, anedonia (perda de interesse), alterações de sono e apetite, pensamentos negativos e ideação suicida. Esses sintomas preenchem os critérios do DSM-5 para transtorno depressivo maior. A ideação suicida é um sintoma de gravidade que reforça o diagnóstico e exige intervenção imediata.
O transtorno do sono é um diagnóstico secundário, não o principal. As alterações do sono (insônia ou hipersonia) são sintomas da depressão, não o transtorno em si. O quadro descrito tem como núcleo o humor deprimido e a anedonia, com ideação suicida — o que configura depressão, não um transtorno primário do sono.
O AVC é um evento neurológico agudo, com déficits focais (motores, sensitivos, de linguagem). O quadro descrito não apresenta sinais neurológicos focais, mas sim sintomas afetivos e ideação suicida. A depressão pode ocorrer após um AVC (depressão pós-AVC), mas o enunciado não menciona evento vascular agudo.
A banca explora a confusão entre depressão e demência no idoso. O candidato pode ser levado a pensar em Alzheimer pela idade (75 anos), mas o quadro é de sintomas afetivos, não cognitivos. A presença de ideação suicida é o diferencial: é um sintoma de depressão, não de demência. Lembre-se: na dúvida entre depressão e demência, procure o sintoma nuclear — humor deprimido e anedonia apontam para depressão; declínio cognitivo progressivo aponta para demência.
Na prova, ao se deparar com um idoso com sintomas psiquiátricos, monte o diagnóstico diferencial entre depressão, demência e delirium. Use a tabela mental: depressão = humor + anedonia + ideação suicida; demência = declínio cognitivo progressivo; delirium = agudo + flutuante + déficit de atenção. A ideação suicida é a chave para fechar depressão.
Gabarito: letra C
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