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Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2024

MedicinaGeriatria
Código
qg080801
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Geriatra)
Paciente de 85 anos, sexo feminino, apresenta quadro de desorientação, agitação, confusão mental e alterações de sono. Relata desidratação e infecção urinária. Qual o diagnóstico mais provável?
  1. ADemência de Alzheimer.
  2. BDelirium.
  3. CDepressão.
  4. DTranstorno do sono.
  5. EAVC.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Delirium.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Delirium em idosos: diagnóstico diferencial

Gabarito: letra B (Delirium). O quadro descrito — desorientação, agitação, confusão mental e alterações de sono de início agudo em paciente idosa com desidratação e infecção urinária — é a apresentação clássica de delirium, uma síndrome cerebral orgânica aguda, de curso flutuante e causa potencialmente reversível, frequentemente precipitada por infecção e distúrbios hidreletrolíticos em idosos. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o delirium deve ser a primeira hipótese a ser afastada em qualquer idoso com alteração aguda do estado mental.

O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda, também chamada de "insuficiência cerebral aguda reversível" ou encefalopatia. Sua principal característica é o déficit de atenção, que pode se manifestar como sonolência (delirium hipoativo) ou agitação (delirium hiperativo), acompanhado de desorientação, confusão, alterações do ciclo sono-vigília e distúrbios da percepção. O início é abrupto (horas a dias), o curso é flutuante ao longo do dia, e a causa é sempre uma condição médica subjacente — no caso, a infecção urinária e a desidratação são os precipitantes clássicos. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e o tratamento visa corrigir a causa de base, com manejo não farmacológico preferencial.

A distinção entre delirium e demência é um dos pontos mais cobrados em Geriatria. Enquanto o delirium é agudo, flutuante, com atenção comprometida e potencialmente reversível, a demência é crônica, progressiva, com comprometimento de domínios cognitivos específicos (memória, linguagem, função executiva) e irreversível. A depressão, por sua vez, pode mimetizar demência (a chamada "pseudodemência depressiva"), mas não cursa com agitação, desorientação aguda e alteração do nível de consciência. O AVC pode causar déficits focais súbitos, mas não é a hipótese mais provável diante do quadro descrito, que aponta claramente para uma causa infecciosa/metabólica.

A pegadinha desta questão está em confundir delirium com demência, especialmente em idosos. A banca descreve um quadro agudo com fatores precipitantes claros (infecção urinária e desidratação) — o que é a assinatura do delirium. Na demência, o início é insidioso, sem um fator precipitante agudo. Guarde a regra de ouro: todo idoso com alteração aguda do estado mental tem delirium até que se prove o contrário — é exatamente esse raciocínio que separa as alternativas.

Delirium × Demência
  • 1Delirium
    • Início agudo (horas a dias)
    • Curso flutuante
    • Atenção comprometida
    • Reversível (corrige a causa)
    • Precipitantes: infecção, metabólico, fármacos
  • 2Demência
    • Início insidioso (meses a anos)
    • Curso progressivo
    • Memória e outros domínios
    • Irreversível
    • Sem fator precipitante agudo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A demência de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa crônica e progressiva, com início insidioso (meses a anos) e comprometimento gradual da memória e de outros domínios cognitivos. O quadro descrito é agudo, com desorientação e agitação de início súbito, associado a infecção urinária e desidratação — o que aponta para uma causa reversível, não para uma doença degenerativa. A demência não explica o início abrupto nem a presença de um fator precipitante agudo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O delirium é a resposta correta. A paciente idosa apresenta os elementos centrais da síndrome: início agudo (desorientação, agitação, confusão), curso flutuante (alterações de sono), e fatores precipitantes clássicos — infecção urinária e desidratação. O delirium é uma síndrome cerebral orgânica aguda, de causa potencialmente reversível, e o diagnóstico é clínico. A presença de infecção e distúrbios hidreletrolíticos em idoso com alteração aguda do estado mental é a apresentação mais típica do delirium.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A depressão no idoso pode se apresentar com comprometimento cognitivo (a antiga "pseudodemência depressiva"), mas o quadro descrito — agitação, desorientação aguda, confusão mental e alterações de sono associadas a infecção e desidratação — não é compatível com depressão. A depressão cursa com humor deprimido, anedonia, apatia e lentificação, não com agitação e confusão aguda. Além disso, a presença de um fator orgânico precipitante (infecção urinária) aponta fortemente para delirium.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O transtorno do sono não explica o quadro completo de desorientação, agitação e confusão mental. As alterações de sono são um sintoma do delirium (mudança no ciclo sono-vigília), não o diagnóstico principal. A presença de infecção urinária e desidratação como fatores precipitantes, associada ao início agudo do quadro, é a chave para o diagnóstico de delirium.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O AVC pode causar alterações agudas do estado mental, mas geralmente cursa com déficits focais (hemiparesia, afasia, alteração de marcha) e não é a hipótese mais provável diante do quadro descrito. A associação com infecção urinária e desidratação, além da ausência de sinais focais, aponta para uma causa metabólica/infecciosa — o delirium. O AVC seria uma hipótese a considerar, mas não a mais provável neste cenário.

NÃO CAIA NESSA!

A banca descreve um quadro agudo com fatores precipitantes claros (infecção urinária e desidratação) para induzir o candidato a pensar em demência, que é crônica e insidiosa. A chave é reconhecer o início agudo e a causa reversível — isso é delirium, não demência. Em idosos, todo quadro agudo de confusão mental é delirium até que se prove o contrário.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar delirium de demência na prova, use o mnemônico DADOS: Duração (aguda no delirium, crônica na demência), Atenção (comprometida no delirium), Desencadeante (infecção, medicação, distúrbio metabólico), Oscilação (flutuação ao longo do dia), Sono (alteração do ciclo sono-vigília). Se a questão trouxer um fator precipitante agudo, a resposta quase sempre é delirium.

Gabarito: letra B

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