Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2024
- Código
- qg080801
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- FSPSS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Especialista (Geriatra)
- ADemência de Alzheimer.
- BDelirium.
- CDepressão.
- DTranstorno do sono.
- EAVC.
GabaritoB — Delirium.
Gabarito: letra B (Delirium). O quadro descrito — desorientação, agitação, confusão mental e alterações de sono de início agudo em paciente idosa com desidratação e infecção urinária — é a apresentação clássica de delirium, uma síndrome cerebral orgânica aguda, de curso flutuante e causa potencialmente reversível, frequentemente precipitada por infecção e distúrbios hidreletrolíticos em idosos. O diagnóstico é essencialmente clínico, e o delirium deve ser a primeira hipótese a ser afastada em qualquer idoso com alteração aguda do estado mental.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda, também chamada de "insuficiência cerebral aguda reversível" ou encefalopatia. Sua principal característica é o déficit de atenção, que pode se manifestar como sonolência (delirium hipoativo) ou agitação (delirium hiperativo), acompanhado de desorientação, confusão, alterações do ciclo sono-vigília e distúrbios da percepção. O início é abrupto (horas a dias), o curso é flutuante ao longo do dia, e a causa é sempre uma condição médica subjacente — no caso, a infecção urinária e a desidratação são os precipitantes clássicos. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e o tratamento visa corrigir a causa de base, com manejo não farmacológico preferencial.
A distinção entre delirium e demência é um dos pontos mais cobrados em Geriatria. Enquanto o delirium é agudo, flutuante, com atenção comprometida e potencialmente reversível, a demência é crônica, progressiva, com comprometimento de domínios cognitivos específicos (memória, linguagem, função executiva) e irreversível. A depressão, por sua vez, pode mimetizar demência (a chamada "pseudodemência depressiva"), mas não cursa com agitação, desorientação aguda e alteração do nível de consciência. O AVC pode causar déficits focais súbitos, mas não é a hipótese mais provável diante do quadro descrito, que aponta claramente para uma causa infecciosa/metabólica.
A pegadinha desta questão está em confundir delirium com demência, especialmente em idosos. A banca descreve um quadro agudo com fatores precipitantes claros (infecção urinária e desidratação) — o que é a assinatura do delirium. Na demência, o início é insidioso, sem um fator precipitante agudo. Guarde a regra de ouro: todo idoso com alteração aguda do estado mental tem delirium até que se prove o contrário — é exatamente esse raciocínio que separa as alternativas.
A demência de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa crônica e progressiva, com início insidioso (meses a anos) e comprometimento gradual da memória e de outros domínios cognitivos. O quadro descrito é agudo, com desorientação e agitação de início súbito, associado a infecção urinária e desidratação — o que aponta para uma causa reversível, não para uma doença degenerativa. A demência não explica o início abrupto nem a presença de um fator precipitante agudo.
O delirium é a resposta correta. A paciente idosa apresenta os elementos centrais da síndrome: início agudo (desorientação, agitação, confusão), curso flutuante (alterações de sono), e fatores precipitantes clássicos — infecção urinária e desidratação. O delirium é uma síndrome cerebral orgânica aguda, de causa potencialmente reversível, e o diagnóstico é clínico. A presença de infecção e distúrbios hidreletrolíticos em idoso com alteração aguda do estado mental é a apresentação mais típica do delirium.
A depressão no idoso pode se apresentar com comprometimento cognitivo (a antiga "pseudodemência depressiva"), mas o quadro descrito — agitação, desorientação aguda, confusão mental e alterações de sono associadas a infecção e desidratação — não é compatível com depressão. A depressão cursa com humor deprimido, anedonia, apatia e lentificação, não com agitação e confusão aguda. Além disso, a presença de um fator orgânico precipitante (infecção urinária) aponta fortemente para delirium.
O transtorno do sono não explica o quadro completo de desorientação, agitação e confusão mental. As alterações de sono são um sintoma do delirium (mudança no ciclo sono-vigília), não o diagnóstico principal. A presença de infecção urinária e desidratação como fatores precipitantes, associada ao início agudo do quadro, é a chave para o diagnóstico de delirium.
O AVC pode causar alterações agudas do estado mental, mas geralmente cursa com déficits focais (hemiparesia, afasia, alteração de marcha) e não é a hipótese mais provável diante do quadro descrito. A associação com infecção urinária e desidratação, além da ausência de sinais focais, aponta para uma causa metabólica/infecciosa — o delirium. O AVC seria uma hipótese a considerar, mas não a mais provável neste cenário.
A banca descreve um quadro agudo com fatores precipitantes claros (infecção urinária e desidratação) para induzir o candidato a pensar em demência, que é crônica e insidiosa. A chave é reconhecer o início agudo e a causa reversível — isso é delirium, não demência. Em idosos, todo quadro agudo de confusão mental é delirium até que se prove o contrário.
Para diferenciar delirium de demência na prova, use o mnemônico DADOS: Duração (aguda no delirium, crônica na demência), Atenção (comprometida no delirium), Desencadeante (infecção, medicação, distúrbio metabólico), Oscilação (flutuação ao longo do dia), Sono (alteração do ciclo sono-vigília). Se a questão trouxer um fator precipitante agudo, a resposta quase sempre é delirium.
Gabarito: letra B
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