Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2024
- Código
- qg080802
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- FSPSS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Especialista (Geriatra)
- AMedicações.
- BDoenças cardíacas.
- COsteoporose.
- DFatores Ambientais.
- EDepressão.
GabaritoD — Fatores Ambientais.
Gabarito: letra D (Fatores Ambientais). Embora as medicações, as doenças cardíacas, a osteoporose e a depressão sejam fatores de risco reconhecidos para quedas, a literatura geriátrica aponta os fatores ambientais como o principal fator de risco modificável e de maior impacto na ocorrência de quedas em idosos. O ambiente domiciliar inadequado — tapetes soltos, fios expostos, iluminação deficiente, escadas sem corrimão — é o que mais contribui para o evento, conforme destacado nas diretrizes de avaliação geriátrica ampla.
A queda no idoso é um evento multifatorial, raramente explicado por uma causa única. A literatura geriátrica classifica os fatores de risco em intrínsecos (relacionados ao próprio idoso: alterações de marcha e equilíbrio, fraqueza muscular, déficit visual, doenças crônicas, uso de medicamentos) e extrínsecos (relacionados ao ambiente: pisos escorregadios, tapetes, iluminação inadequada, móveis baixos, escadas sem apoio). Dentre todos, os fatores ambientais são considerados o principal fator de risco, pois estão presentes na maioria das quedas e são os mais facilmente modificáveis por meio de intervenções de baixo custo e alta efetividade.
A avaliação do risco de quedas deve incluir, obrigatoriamente, a investigação das circunstâncias do evento, a revisão da lista de medicamentos (especialmente psicotrópicos e anti-hipertensivos), a avaliação da marcha e do equilíbrio (como o teste "levante e volte"), a acuidade visual e a inspeção do ambiente domiciliar. A abordagem é sempre multidimensional: corrigir apenas um fator, sem considerar o ambiente, tem eficácia limitada.
A banca explora a confusão entre "fator de risco" e "causa de queda". As medicações, as doenças cardíacas, a osteoporose e a depressão são fatores de risco importantes, mas o enunciado pede o principal fator — e a literatura é clara ao destacar os fatores ambientais como o de maior prevalência e impacto. O candidato que conhece a lista de fatores de risco, mas não hierarquiza a importância de cada um, tende a marcar uma alternativa incorreta.
Guarde a hierarquia: fatores ambientais > medicações > alterações de marcha/equilíbrio > déficit visual > doenças crônicas. É essa ordem que separa a alternativa correta das demais.
As medicações são um fator de risco relevante, especialmente psicotrópicos, anticolinérgicos e anti-hipertensivos, que podem causar hipotensão ortostática, sedação e tontura. No entanto, não são o principal fator de risco — os fatores ambientais superam as medicações em prevalência e impacto na ocorrência de quedas.
As doenças cardíacas, como arritmias e insuficiência cardíaca, podem causar síncope e queda, mas são causas menos frequentes do que os fatores ambientais. A queda por causa cardíaca é um evento sentinela que deve ser investigado, mas não é o principal fator de risco populacional.
A osteoporose é um fator de risco para fraturas após a queda, não para a ocorrência da queda em si. Ela aumenta a morbimortalidade do evento, mas não é o principal fator de risco para a queda ocorrer.
Os fatores ambientais — tapetes soltos, fios expostos, iluminação inadequada, escadas sem corrimão, pisos escorregadios — são o principal fator de risco para quedas em idosos. São os mais prevalentes, os mais facilmente modificáveis e os que mais contribuem para o evento, sendo alvo central das intervenções de prevenção.
A depressão é um fator de risco associado a quedas, por mecanismos como redução da atenção, sedentarismo e efeitos colaterais de antidepressivos. No entanto, não é o principal fator de risco — os fatores ambientais têm maior impacto na ocorrência de quedas.
A banca troca "fator de risco para queda" por "fator de risco para fratura pós-queda" (osteoporose) e por "causa de queda" (doenças cardíacas). O candidato que não hierarquiza os fatores de risco tende a marcar uma alternativa incorreta. Lembre-se: o principal fator de risco para a ocorrência da queda é o ambiental.
Na prova, quando a questão perguntar sobre o "principal fator de risco para quedas", pense primeiro em fatores ambientais. Eles são os mais prevalentes, os mais modificáveis e os que mais contribuem para o evento. As demais alternativas (medicações, doenças, osteoporose, depressão) são fatores de risco secundários.
Gabarito: letra D
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