Questão de Medicina — Geriatria — Avança SP 2024
- Código
- qg080803
- Banca
- Avança SP
- Órgão
- FSPSS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Especialista (Geriatra)
- ADemência de Alzheimer.
- BDelirium.
- CDepressão.
- DTranstorno do sono.
- EAVC.
GabaritoA — Demência de Alzheimer.
Gabarito: letra A. O quadro descrito — perda progressiva de memória, desorientação espacial, dificuldade para atividades cotidianas e alterações de humor/comportamento em paciente idosa — é a apresentação clássica da Demência de Alzheimer (DA), cujo diagnóstico clínico se baseia em critérios como os do NIA-AA (National Institute on Aging and Alzheimer's Association), endossados pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN). A progressão insidiosa (meses a anos) e o comprometimento funcional são os pilares que afastam as demais alternativas.
A demência é uma síndrome caracterizada por declínio cognitivo ou comportamental que interfere na capacidade de realizar atividades usuais, representa uma queda em relação ao nível prévio de funcionamento e não é explicada por delirium ou doença psiquiátrica maior. Na doença de Alzheimer, o início é insidioso, com história clara de perda cognitiva progressiva, sendo a apresentação amnésica (prejuízo no aprendizado e evocação de informações recentes) a mais comum. A desorientação espacial — como perder-se em locais conhecidos — é um sintoma típico, presente em cerca de 10% dos casos como manifestação inicial (variante posterior da doença).
O diagnóstico diferencial é o ponto central desta questão. O delirium tem início agudo (horas a dias), curso flutuante e alteração da atenção como característica nuclear, sendo frequentemente causado por condição médica aguda. A depressão no idoso pode mimetizar demência (pseudodemência depressiva), mas o humor deprimido é o sintoma central, e o prejuízo cognitivo costuma ser menos progressivo. O transtorno do sono não explica o declínio cognitivo e funcional. O AVC provoca déficits neurológicos focais de início súbito, não um declínio cognitivo global e progressivo.
A banca explora exatamente a confusão entre demência e delirium, condições que podem coexistir e que são frequentemente confundidas. A chave está na temporalidade: enquanto o delirium é agudo e flutuante, a demência de Alzheimer é lenta e progressiva. Além disso, o comprometimento funcional (dificuldade para atividades cotidianas) é condição essencial para o diagnóstico de demência, diferenciando-a do envelhecimento normal e do comprometimento cognitivo leve.
Guarde o par início insidioso e progressão lenta versus início agudo e curso flutuante: é exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.
A Demência de Alzheimer é o diagnóstico mais provável. O quadro preenche os critérios clínicos: início insidioso (perda progressiva), declínio cognitivo (memória, desorientação espacial), comprometimento funcional (dificuldade para atividades cotidianas) e alterações neuropsiquiátricas (humor e comportamento). A apresentação amnésica é a mais comum, e a desorientação espacial é um sintoma típico, especialmente na variante posterior da doença.
Critérios para demência devido à doença de Alzheimer (NIA-AA/ABN):
Demência é diagnosticada quando há sintomas cognitivos ou comportamentais que: 1. Interferem com a habilidade no trabalho ou em atividades usuais; 2. Representam declínio em relação a níveis prévios de funcionamento e desempenho; 3. Não são explicáveis por delirium ou doença psiquiátrica maior. Mais as características: A. início insidioso (meses a anos); B. clara história de perda cognitiva referida pelo informante; C. déficit cognitivo proeminente em apresentação amnésica ou não amnésica.
O delirium tem início agudo ou subagudo (horas a dias), curso flutuante e alteração da atenção como sintoma nuclear. O enunciado descreve perda progressiva de memória, o que é incompatível com delirium. Além disso, o delirium é tipicamente causado por condição médica aguda, intoxicação ou efeito colateral de medicamento, o que não é mencionado. A banca troca a temporalidade: progressivo (demência) versus agudo/flutuante (delirium).
A depressão pode causar prejuízo cognitivo no idoso (pseudodemência depressiva), mas o sintoma central é o humor deprimido, e o declínio cognitivo costuma ser menos progressivo e mais flutuante. O enunciado destaca a perda progressiva de memória e desorientação espacial como queixas principais, sem mencionar humor deprimido como sintoma nuclear. A distinção é importante: na pseudodemência, o paciente frequentemente se queixa de memória, mas o desempenho em testes pode variar e a resposta ao tratamento da depressão é a regra.
O transtorno do sono não explica o quadro de declínio cognitivo progressivo, desorientação espacial e comprometimento funcional. Embora alterações do sono possam ocorrer em demências, elas são consequência ou comorbidade, não a causa do quadro descrito. A alternativa é um distrator que explora a menção a "alterações de humor e comportamento", mas não há dados que sustentem um diagnóstico primário de transtorno do sono.
O AVC provoca déficits neurológicos focais de início súbito (afasia, hemiparesia, etc.), não um declínio cognitivo global e progressivo. A afasia de início súbito sugere AVC, enquanto alterações lentas e progressivas da linguagem associadas a outras alterações cognitivas sugerem processo demencial. O enunciado descreve perda progressiva de memória e desorientação, sem sinais focais, o que afasta o AVC como diagnóstico mais provável.
Gabarito: letra A
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