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Questão de Medicina — Nefrologia — Avança SP 2024

MedicinaNefrologia
Código
qg080842
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Nefrologista)
Um paciente de 20 anos apresenta hipertensão arterial sistêmica de difícil controle. É a investigação laboratorial mais indicada para identificar a causa da hipertensão e o risco de doença renal secundária:
  1. ADosagem de aldosterona e renina plasmática para avaliar o aldosteronismo primário.
  2. BUltrassom de tireoide e dosagem de hormônios tireoidianos para descartar hipertireoidismo.
  3. CDosagem de cortisol livre urinário e teste de supressão com dexametasona para descartar síndrome de Cushing.
  4. DAvaliação da coagulograma e pesquisa de doenças autoimunes para descartar vasculite.
  5. EDosagem de creatinina sérica e cálculo da taxa de filtração glomerular estimada.
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GabaritoA — Dosagem de aldosterona e renina plasmática para avaliar o aldosteronismo primário.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipertensão Arterial Secundária: investigação diagnóstica

Gabarito: letra A. Em um paciente jovem (20 anos) com hipertensão arterial sistêmica de difícil controle, a investigação laboratorial mais indicada para identificar a causa da hipertensão e o risco de doença renal secundária é a dosagem de aldosterona e renina plasmática, visando avaliar o aldosteronismo primário — a causa endócrina mais comum de hipertensão secundária nessa faixa etária, conforme as diretrizes brasileiras de hipertensão arterial. A alternativa E, embora importante para avaliar doença renal, não é a mais indicada para identificar a causa da hipertensão, mas sim uma consequência/lesão de órgão-alvo.

A hipertensão arterial secundária é definida como a forma de hipertensão decorrente de uma causa identificável, que pode ser tratada com intervenção específica, determinando a cura ou melhora do controle pressórico. Sua prevalência estimada é de 10 a 20%, podendo ser maior em populações específicas, como adultos jovens com hipertensão grave ou resistente. A investigação deve ser direcionada por indícios clínicos, e as principais causas incluem doença renal parenquimatosa, estenose de artéria renal, apneia obstrutiva do sono, coarctação de aorta e causas endócrinas, como hiperaldosteronismo primário, feocromocitoma e síndrome de Cushing.

No paciente jovem com hipertensão de difícil controle, o hiperaldosteronismo primário é uma das causas endócrinas mais prevalentes e potencialmente curáveis. A diretriz brasileira de hipertensão arterial de 2025 (Quadro 4.5) indica que, na suspeita de hiperaldosteronismo primário — caracterizado por hipertensão resistente ou refratária e/ou hipopotassemia (não obrigatória) e/ou nódulo adrenal —, a investigação laboratorial inicial consiste nas determinações de aldosterona e atividade/concentração de renina plasmática, com cálculo da relação aldosterona/renina, seguida de testes confirmatórios. Essa é a abordagem mais adequada para identificar a causa da hipertensão nesse cenário.

A doença renal parenquimatosa, por sua vez, é uma causa não endócrina importante de hipertensão secundária, e sua investigação inclui dosagem de creatinina sérica, cálculo da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe), ultrassom renal e exame de urina. No entanto, a questão pede especificamente a investigação mais indicada para identificar a causa da hipertensão — e, nesse contexto, a avaliação do eixo renina-angiotensina-aldosterona é prioritária, pois o aldosteronismo primário é uma causa endócrina comum e tratável, especialmente em pacientes jovens com hipertensão resistente. A dosagem de creatinina e TFGe é parte da avaliação complementar mínima de todo hipertenso, mas não é o exame que identifica a causa da hipertensão em si.

A pegadinha desta questão está em distinguir a investigação da causa da hipertensão secundária (que prioriza causas endócrinas como aldosteronismo primário) da avaliação de lesão de órgão-alvo (como doença renal, avaliada por creatinina e TFGe). O paciente jovem com hipertensão de difícil controle é o cenário clássico em que se deve investigar ativamente causas secundárias, e o aldosteronismo primário é uma das principais suspeitas. A alternativa E, embora correta como parte da avaliação inicial, não responde diretamente à pergunta sobre a causa da hipertensão.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre investigar a causa da hipertensão secundária e avaliar lesão de órgão-alvo. A alternativa E (creatinina e TFGe) é um exame de rotina importante, mas avalia consequência renal, não a causa. Em paciente jovem com hipertensão de difícil controle, a prioridade é investigar causas endócrinas, sendo o aldosteronismo primário a mais comum — por isso a dosagem de aldosterona e renina é a resposta.

Hipertensão secundária em jovem
  • 1Investigar a CAUSA
    • Aldosteronismo primário (mais comum)
      • Dosar aldosterona e renina
      • Relação aldosterona/renina
    • Outras causas endócrinas
      • Síndrome de Cushing
      • Feocromocitoma
    • Causas não endócrinas
      • Doença renal parenquimatosa
      • Estenose de artéria renal
      • Apneia obstrutiva do sono
  • 2Avaliar lesão de órgão-alvo
    • Creatinina e TFGe
    • Ultrassom renal
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dosagem de aldosterona e renina plasmática é a investigação laboratorial inicial para o diagnóstico de hiperaldosteronismo primário, a causa endócrina mais comum de hipertensão secundária. A diretriz brasileira de hipertensão arterial de 2025 (Quadro 4.5) indica que, na suspeita de hiperaldosteronismo primário (hipertensão resistente/refratária, hipopotassemia, nódulo adrenal), devem ser realizadas determinações de aldosterona e atividade/concentração de renina plasmática, com cálculo da relação aldosterona/renina, seguida de testes confirmatórios. Em paciente jovem com hipertensão de difícil controle, essa é a investigação mais indicada para identificar a causa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O ultrassom de tireoide e a dosagem de hormônios tireoidianos são indicados na suspeita de disfunção tireoidiana, mas o hipertireoidismo não é uma causa comum de hipertensão arterial secundária de difícil controle em paciente jovem. A investigação de causas secundárias deve priorizar as etiologias mais prevalentes, como aldosteronismo primário, doença renal parenquimatosa, estenose de artéria renal e apneia obstrutiva do sono. Não há indicação rotineira de ultrassom de tireoide na investigação de hipertensão secundária sem outros sinais de disfunção tireoidiana.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A dosagem de cortisol livre urinário e o teste de supressão com dexametasona são indicados na suspeita de síndrome de Cushing, uma causa endócrina de hipertensão secundária, porém menos comum que o aldosteronismo primário. A síndrome de Cushing apresenta características clínicas típicas (obesidade central, estrias violáceas, fácies em lua cheia, hiperglicemia) que não foram descritas no enunciado. Em paciente jovem com hipertensão de difícil controle, sem sinais clínicos de hipercortisolismo, a investigação de aldosteronismo primário é prioritária.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A avaliação do coagulograma e a pesquisa de doenças autoimunes para descartar vasculite não é uma investigação de primeira linha para hipertensão secundária em paciente jovem. As vasculites podem cursar com hipertensão, mas são causas raras e geralmente acompanhadas de manifestações sistêmicas (febre, artralgia, lesões de pele, envolvimento renal). Não há indicação de coagulograma ou pesquisa de autoimunidade na investigação inicial de hipertensão de difícil controle sem outros sinais sugestivos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dosagem de creatinina sérica e o cálculo da TFGe são parte da avaliação complementar mínima de todo paciente hipertenso, conforme a diretriz brasileira de hipertensão arterial de 2025 (Quadro 14.3), e são essenciais para avaliar doença renal e risco cardiovascular. No entanto, essa avaliação identifica lesão de órgão-alvo (doença renal), não a causa da hipertensão. Em paciente jovem com hipertensão de difícil controle, a investigação da causa deve priorizar o aldosteronismo primário, sendo a dosagem de aldosterona e renina a conduta mais indicada.

Gabarito: letra A

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