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Questão de Medicina — Nefrologia — Avança SP 2024

MedicinaNefrologia
Código
qg080848
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Nefrologista)
Um paciente de 30 anos com glomerulonefrite rapidamente progressiva necessita de diálise urgente. Qual modalidade dialítica apresenta menor risco de hipotensão arterial e instabilidade hemodinâmica durante a sessão, sendo mais adequada para este caso?
  1. AHemodiálise convencional com alto fluxo de sangue.
  2. BDiálise peritoneal automatizada de alta volume com ultrafiltração rápida.
  3. CHemodiafiltração com membrana de alto corte e reposição com solução de bicarbonato.
  4. DDiálise peritoneal contínua ambulatorial com trocas frequentes e volume de dialisato individualizado.
  5. EHemodiálise de baixo fluxo com monitorização hemodinâmica invasiva.
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GabaritoD — Diálise peritoneal contínua ambulatorial com trocas frequentes e volume de dialisato individualizado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Terapia Renal Substitutiva: escolha da modalidade em paciente instável

Gabarito: letra D. Em paciente com glomerulonefrite rapidamente progressiva e necessidade de diálise urgente, a diálise peritoneal contínua ambulatorial (DPCA) com trocas frequentes e volume de dialisato individualizado é a modalidade que apresenta menor risco de hipotensão e instabilidade hemodinâmica, pois promove remoção lenta e gradual de solutos e fluidos, sem o rápido desbalanço osmótico e a ultrafiltração agressiva das hemodiálises intermitentes. Essa escolha se fundamenta nos princípios da terapia renal substitutiva, que priorizam a tolerância hemodinâmica em pacientes críticos.

A glomerulonefrite rapidamente progressiva (GNRP) é uma síndrome clínica caracterizada por rápida perda da função renal, frequentemente com necessidade de terapia renal substitutiva (TRS) de urgência. A escolha da modalidade dialítica nesse cenário é crucial, pois o paciente pode apresentar instabilidade hemodinâmica, e a modalidade deve ser capaz de remover toxinas urêmicas e excesso de volume sem provocar hipotensão. As modalidades de TRS dividem-se em dois grandes grupos: as intermitentes (como a hemodiálise convencional) e as contínuas (como as terapias contínuas e a diálise peritoneal). A principal diferença reside na velocidade de remoção de solutos e fluidos: as intermitentes são rápidas e eficientes, mas podem causar grande variação de osmolaridade sérica e instabilidade hemodinâmica; as contínuas são mais lentas e graduais, proporcionando maior estabilidade.

A hemodiálise intermitente convencional, apesar de eficiente, está associada a um risco de hipotensão de 20 a 30% dos casos, justamente pela rápida remoção de solutos e fluidos. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica, essa modalidade pode ser mal tolerada, e cerca de 10% dos pacientes com lesão renal aguda não conseguem ser tratados com métodos intermitentes por esse motivo. As terapias contínuas, como a hemodiálise contínua (CVVHD) e a hemodiafiltração contínua (CVVHDF), utilizam fluxos sanguíneos mais baixos (100-200 mL/min) e promovem uma retirada de fluidos lenta, semelhante ao ritmo de diurese de indivíduos saudáveis, o que permite melhor tolerância hemodinâmica. A diálise peritoneal, por sua vez, é uma modalidade contínua que utiliza o peritônio como membrana semipermeável, e também promove uma remoção lenta e gradual de solutos e fluidos, sendo particularmente vantajosa em pacientes instáveis.

A diálise peritoneal contínua ambulatorial (DPCA) é uma modalidade em que o dialisato é instilado na cavidade peritoneal e trocado manualmente várias vezes ao dia. A ultrafiltração é obtida pela concentração de dextrose no dialisato, e o volume e a frequência das trocas podem ser individualizados conforme a necessidade do paciente. Essa flexibilidade permite um controle mais fino da remoção de volume, minimizando o risco de hipotensão. Em contraste, a diálise peritoneal automatizada (DPA) de alta volume com ultrafiltração rápida, embora também seja uma modalidade peritoneal, pode não ser a mais adequada em um cenário de urgência com instabilidade, pois a ultrafiltração rápida pode levar a hipotensão. A hemodiálise de baixo fluxo com monitorização hemodinâmica invasiva, embora possa ser uma opção, ainda é uma modalidade intermitente e pode não oferecer a mesma estabilidade que a DPCA. A hemodiafiltração com membrana de alto corte e reposição com solução de bicarbonato é uma modalidade convectiva que pode ser bem tolerada, mas não é a que apresenta menor risco de hipotensão em comparação com a DPCA.

A pegadinha desta questão está em associar a diálise peritoneal apenas a pacientes crônicos estáveis, quando, na verdade, ela é uma excelente opção para pacientes agudos instáveis, desde que não haja contraindicações como hipercatabolismo ou cirurgia abdominal recente. A banca explora a tendência de escolher modalidades de hemodiálise, que são mais comuns em ambiente hospitalar, mas que podem ser mais arriscadas em pacientes com instabilidade hemodinâmica. O critério decisivo é a velocidade de remoção de solutos e fluidos: quanto mais lenta e gradual, menor o risco de hipotensão. A DPCA, com trocas frequentes e volume individualizado, permite exatamente esse controle fino, sendo a mais adequada para o caso.

Terapia renal substitutiva
  • 1Intermitentes
    • Hemodiálise convencional
      • Rápida remoção
      • Risco de hipotensão (20–30%)
  • 2Contínuas
    • Terapias contínuas (CVVHD/CVVHDF)
      • Fluxo baixo (100–200 mL/min)
      • Retirada lenta de fluidos
    • Diálise peritoneal
      • DPCA (trocas manuais)
        • Remoção lenta e gradual
        • Volume/frequência individualizados
        • Menor risco de hipotensão
      • DPA (automatizada)
        • Ultrafiltração rápida
        • Pode causar hipotensão
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hemodiálise convencional com alto fluxo de sangue é uma modalidade intermitente que promove rápida remoção de solutos e fluidos, o que pode causar grande variação de osmolaridade sérica e instabilidade hemodinâmica, com risco de hipotensão em 20 a 30% dos casos. Em um paciente com GNRP e necessidade de diálise urgente, essa modalidade não é a mais adequada, pois o alto fluxo sanguíneo e a alta eficiência aumentam o risco de hipotensão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A diálise peritoneal automatizada de alta volume com ultrafiltração rápida, embora seja uma modalidade peritoneal, não é a mais adequada para um paciente instável, pois a ultrafiltração rápida pode levar a hipotensão. A DPCA, com trocas mais frequentes e volume individualizado, permite um controle mais gradual da remoção de volume, sendo mais segura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A hemodiafiltração com membrana de alto corte e reposição com solução de bicarbonato é uma modalidade convectiva que pode ser bem tolerada, mas não é a que apresenta menor risco de hipotensão em comparação com a DPCA. Embora as terapias contínuas sejam mais estáveis que as intermitentes, a DPCA oferece um controle ainda mais gradual da remoção de fluidos, sendo a mais adequada para o caso.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A diálise peritoneal contínua ambulatorial (DPCA) com trocas frequentes e volume de dialisato individualizado é a modalidade que apresenta menor risco de hipotensão arterial e instabilidade hemodinâmica. Isso ocorre porque a DPCA promove uma remoção lenta e gradual de solutos e fluidos, sem o rápido desbalanço osmótico e a ultrafiltração agressiva das hemodiálises intermitentes. A individualização do volume e da frequência das trocas permite um controle fino da remoção de volume, minimizando o risco de hipotensão, sendo a mais adequada para um paciente com GNRP e necessidade de diálise urgente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A hemodiálise de baixo fluxo com monitorização hemodinâmica invasiva, embora possa ser uma opção em pacientes instáveis, ainda é uma modalidade intermitente e pode não oferecer a mesma estabilidade hemodinâmica que a DPCA. A monitorização invasiva pode ajudar a detectar e tratar a hipotensão, mas não elimina o risco inerente à rápida remoção de solutos e fluidos da hemodiálise intermitente.

Gabarito: letra D

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