Paciente do sexo masculino, 35 anos, apresenta quadro de hemiplegia direita súbita. A tomografia computadorizada (TC) de crânio revela hipodensidade na região talâmica esquerda. Qual o diagnóstico mais provável?
AEsclerose múltipla.
BDoença de Alzheimer.
CAVC isquêmico.
DDoença de Parkinson.
EEncefalite viral.
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GabaritoC — AVC isquêmico.
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Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico
Gabarito: letra C (AVC isquêmico). O quadro de hemiplegia direita súbita, associado à hipodensidade na região talâmica esquerda na TC de crânio, é a apresentação clássica de um AVC isquêmico agudo. A hemiplegia direita indica lesão no hemisfério cerebral esquerdo (área motora contralateral), e a hipodensidade no tálamo esquerdo confirma a área de infarto cerebral. As demais alternativas (esclerose múltipla, doença de Alzheimer, doença de Parkinson e encefalite viral) apresentam quadros clínicos e de imagem distintos, que não se encaixam na apresentação súbita e focal descrita.
O AVC isquêmico é a interrupção do fluxo sanguíneo cerebral por oclusão de uma artéria, levando à necrose do tecido cerebral (infarto). A apresentação clínica é caracteristicamente súbita, com déficit neurológico focal que evolui em segundos, minutos ou poucas horas. A TC de crânio, nas primeiras horas, pode mostrar sinais precoces de isquemia, como a perda da diferenciação entre substância cinzenta e branca, e, após algumas horas, a área infartada aparece como uma região hipodensa (mais escura), como descrito no enunciado. A localização do déficit neurológico é contralateral à lesão cerebral: uma lesão no hemisfério esquerdo causa hemiplegia direita, pois as vias motoras cruzam no tronco encefálico. O tálamo é um núcleo profundo do cérebro, e seu infarto pode causar déficits sensitivos e motores contralaterais.
Para diferenciar o AVC isquêmico das outras condições, é essencial analisar a evolução temporal e os achados de imagem:
Esclerose múltipla: doença autoimune desmielinizante, geralmente em adultos jovens, com surtos e remissões. Os surtos evoluem em horas a dias, e a RM mostra lesões na substância branca (não no tálamo de forma isolada). A TC pode ser normal ou mostrar hipodensidades, mas o quadro clínico não é de déficit súbito isolado.
Doença de Alzheimer: doença neurodegenerativa progressiva, com declínio cognitivo insidioso (memória, linguagem, função executiva). Não causa déficit motor focal súbito, e a TC mostra atrofia cerebral difusa, não uma hipodensidade focal talâmica.
Doença de Parkinson: doença neurodegenerativa do movimento, com bradicinesia, rigidez e tremor de repouso. O início é insidioso e progressivo, sem déficit motor súbito e sem hipodensidade talâmica na TC.
Encefalite viral: inflamação do parênquima cerebral, geralmente com febre, confusão mental, convulsões e déficit focal que evolui de forma mais subaguda. A TC pode mostrar hipodensidades, mas o quadro clínico é sistêmico, com alteração do nível de consciência, e a história é de evolução em dias, não súbita.
A pegadinha desta questão está em associar a hemiplegia direita à lesão no hemisfério esquerdo (contralateral). O candidato pode confundir e pensar que a lesão é no hemisfério direito, mas a regra é clara: o hemisfério cerebral controla o lado oposto do corpo. Além disso, a hipodensidade talâmica é um achado típico de infarto, não de outras doenças. Guarde a tríade: déficit súbito + hipodensidade em território arterial + correlação clínico-topográfica = AVC isquêmico.
1Déficit súbito focal
2Correlação clínico-topográfica
3TC: hipodensidade arterial
4Diagnóstico: AVC isquêmico
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A esclerose múltipla é uma doença desmielinizante autoimune, que cursa com surtos e remissões, com déficits que evoluem em horas a dias, não de forma súbita. Os achados de imagem típicos são lesões na substância branca periventricular, visíveis na RM, e não uma hipodensidade talâmica isolada na TC. A idade (35 anos) e o sexo masculino poderiam sugerir EM, mas a apresentação súbita e o achado de imagem focal no tálamo apontam fortemente para AVC.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A doença de Alzheimer é uma demência neurodegenerativa, com início insidioso e progressão lenta, caracterizada por perda de memória e declínio cognitivo. Não causa déficit motor focal súbito, e a TC mostra atrofia cerebral difusa (predomínio hipocampal), não uma hipodensidade talâmica focal. A idade de 35 anos também é atípica para Alzheimer (exceto formas familiares raras).
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O AVC isquêmico é a causa mais provável. A hemiplegia direita súbita indica lesão no hemisfério cerebral esquerdo (controle motor contralateral), e a hipodensidade talâmica esquerda na TC é o achado de imagem de infarto cerebral agudo. A evolução temporal (súbita) e a correlação clínico-topográfica são os pilares do diagnóstico. A TC é o exame de escolha na emergência para excluir hemorragia e identificar sinais precoces de isquemia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa do movimento, com início insidioso e progressivo, caracterizada por bradicinesia, rigidez, tremor de repouso e instabilidade postural. Não causa déficit motor súbito (hemiplegia), e a TC de crânio é normal ou mostra alterações inespecíficas, sem hipodensidade talâmica focal. O quadro descrito é de um evento agudo, não de uma doença degenerativa crônica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A encefalite viral é uma inflamação do parênquima cerebral, geralmente com febre, confusão mental, convulsões e déficit focal que evolui de forma subaguda (dias). A TC pode mostrar hipodensidades, mas o quadro clínico é sistêmico, com alteração do nível de consciência, e a história é de evolução em dias, não súbita. A ausência de febre e a apresentação súbita com hemiplegia isolada tornam a encefalite improvável.