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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — Avança SP 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg080892
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Otorrinolaringologista)
Paciente feminina, 25 anos, apresenta disfagia, odinofagia e placas brancas na orofaringe há 2 dias. Durante o exame físico, são observadas placas brancas friáveis em tonsilas palatinas e úvula, sugerindo uma possível candidíase orofaríngea. Qual dos seguintes antifúngicos é uma opção para o tratamento dessa condição?
  1. AFluconazol.
  2. BItraconazol.
  3. CAnfotericina B.
  4. DCiprofloxacino.
  5. EVoriconazol.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Fluconazol.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Candidíase Orofaringeana: Tratamento com Antifúngicos

Gabarito: letra A. Para candidíase orofaríngea, o tratamento de escolha é o fluconazol, conforme diretrizes do Ministério da Saúde (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos). O fluconazol é um antifúngico azólico de primeira linha, eficaz contra Candida albicans, o principal agente etiológico. As demais opções são incorretas: itraconazol e voriconazol são alternativas para casos refratários ou outras indicações, anfotericina B é reservada para infecções sistêmicas graves, e ciprofloxacino é um antibiótico, sem ação antifúngica.

A candidíase orofaríngea é uma infecção fúngica comum, especialmente em pacientes imunossuprimidos, como os portadores de HIV com contagem de LT-CD4+ inferior a 200 céls/mm³. O principal agente é a Candida albicans, e o sintoma mais característico é o aparecimento de placas brancas removíveis na mucosa oral. O diagnóstico é essencialmente clínico, sendo a cultura pouco útil devido à presença do fungo como comensal.

O tratamento varia conforme a gravidade. Para formas leves a moderadas, o fluconazol é a primeira escolha, na dose de 100 mg/dia por 7 a 14 dias. Alternativamente, pode-se usar nistatina tópica (suspensão oral, 5 mL, gargarejar e engolir, 4 a 5 vezes ao dia). Para formas mais acentuadas, dá-se preferência ao fluconazol pela menor taxa de recidiva. Em casos de candidíase esofágica, o tratamento de escolha também é o fluconazol, em doses maiores (200 a 400 mg/dia), podendo ser usado itraconazol como alternativa. Para casos refratários, opções como voriconazol, anfotericina B ou equinocandinas (caspofungina, micafungina, anidulafungina) são consideradas.

É importante distinguir os antifúngicos por suas indicações e espectro de ação. O fluconazol é um triazol de amplo espectro, bem absorvido por via oral, com excelente biodisponibilidade e boa penetração em tecidos, sendo a droga de escolha para candidíase mucocutânea. O itraconazol também é um triazol, mas com perfil farmacocinético diferente, sendo mais utilizado em casos de dermatofitoses e onicomicoses, além de ser alternativa na candidíase esofágica. O voriconazol é um triazol de segunda geração, com espectro estendido para fungos filamentosos, como Aspergillus, sendo reservado para infecções invasivas ou refratárias. A anfotericina B é um antifúngico poliênico, de uso intravenoso, com amplo espectro, porém com significativa toxicidade (nefrotoxicidade, reações infusionais), sendo reservada para infecções sistêmicas graves ou refratárias. O ciprofloxacino, por sua vez, é uma fluoroquinolona, antibiótico de espectro bacteriano, sem qualquer atividade antifúngica.

A banca explora a confusão entre os antifúngicos e a indicação correta para cada situação clínica. O candidato pode ser tentado a escolher um antifúngico de espectro mais amplo ou de uso sistêmico, mas a diretriz é clara: para candidíase orofaríngea não complicada, o fluconazol é a primeira escolha. A pegadinha está em reconhecer que, embora itraconazol e voriconazol sejam também azólicos, eles não são a primeira linha para essa condição, e a anfotericina B, apesar de potente, é reservada para casos graves. O ciprofloxacino é um distrator óbvio, pois não é antifúngico.

Guarde a hierarquia de tratamento: fluconazol é a primeira escolha para candidíase orofaríngea e esofágica; itraconazol é alternativa para esofágica; voriconazol e anfotericina B são opções para casos refratários ou infecções invasivas; e antibióticos como ciprofloxacino não têm papel no tratamento de infecções fúngicas. É exatamente essa hierarquia que separa as alternativas.

Antifúngico

Classe

Indicação principal

Uso na candidíase orofaríngea

Fluconazol

Triazol

Candidíase mucocutânea (oral, esofágica, vaginal)

Primeira escolha (100 mg/dia, 7–14 dias)

Itraconazol

Triazol

Dermatofitoses, onicomicoses, candidíase esofágica (alternativa)

Não é primeira linha

Voriconazol

Triazol (2ª geração)

Aspergilose, candidíase refratária/invasiva

Reservado para casos refratários

Anfotericina B

Poliênico

Infecções sistêmicas graves (candidíase invasiva, meningite criptocócica)

Não indicada (uso IV, alta toxicidade)

Ciprofloxacino

Fluoroquinolona (antibiótico)

Infecções bacterianas

Sem atividade antifúngica

1Candidíase orofaríngea
Fluconazol (1ª escolha)
Nistatina tópica (alternativa)
2Candidíase esofágica
Fluconazol (dose maior)
Itraconazol (alternativa)
3Casos refratários/invasivos
Voriconazol
Anfotericina B
Equinocandinas
4Sem ação antifúngica
Ciprofloxacino (antibiótico)
Antifúngicos
LEVELsoulevel.com.br
Antifúngicos: Candidíase orofaríngea (Fluconazol (1ª escolha), Nistatina tópica (alternativa)); Candidíase esofágica (Fluconazol (dose maior), Itraconazol (alternativa)); Casos refratários/invasivos (Voriconazol, Anfotericina B, Equinocandinas); Sem ação antifúngica (Ciprofloxacino (antibiótico))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O fluconazol é o antifúngico de primeira linha para o tratamento da candidíase orofaríngea. As diretrizes do Ministério da Saúde recomendam fluconazol 100 mg/dia por 7 a 14 dias para formas leves a moderadas, e preferência para formas mais acentuadas, devido à menor recidiva. É um triazol com excelente biodisponibilidade oral e eficácia comprovada contra Candida albicans.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O itraconazol é um antifúngico azólico, mas não é a primeira escolha para candidíase orofaríngea. Ele é indicado como alternativa no tratamento da candidíase esofágica (solução oral 200 mg/dia) e em outras micoses, como dermatofitoses. Para candidíase orofaríngea, o fluconazol é superior e preferido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A anfotericina B é um antifúngico potente, porém de uso intravenoso e com toxicidade significativa (nefrotoxicidade, reações infusionais). É reservada para infecções fúngicas sistêmicas graves ou refratárias, como candidíase invasiva ou meningite criptocócica. Para candidíase orofaríngea não complicada, não é indicada, pois existem opções orais mais seguras e eficazes.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O ciprofloxacino é um antibiótico da classe das fluoroquinolonas, com espectro exclusivamente bacteriano. Não possui nenhuma atividade antifúngica, portanto não é opção para o tratamento de candidíase orofaríngea. É um distrator clássico, pois o nome pode confundir, mas a classe farmacológica é completamente diferente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O voriconazol é um triazol de segunda geração, com espectro estendido para fungos filamentosos, como Aspergillus. É indicado como tratamento alternativo para candidíase esofágica refratária ao fluconazol, mas não é a primeira escolha para candidíase orofaríngea. Seu uso é mais restrito a infecções invasivas ou refratárias, devido ao perfil de efeitos adversos e interações medicamentosas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os antifúngicos azólicos. O candidato pode achar que qualquer azólico serve, mas a diretriz é específica: fluconazol é a primeira escolha para candidíase orofaríngea. Itraconazol e voriconazol são alternativas para outras situações (esofágica refratária, aspergilose), e anfotericina B é reservada para casos graves. Lembre-se: para candidíase oral simples, o fluconazol é o padrão-ouro.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental com as indicações dos principais antifúngicos: Fluconazol → candidíase mucocutânea (oral, esofágica, vaginal); Itraconazol → dermatofitoses, onicomicoses, candidíase esofágica (alternativa); Voriconazol → aspergilose, candidíase refratária; Anfotericina B → infecções sistêmicas graves; Nistatina → candidíase oral tópica. Essa hierarquia cai frequentemente em provas de infectologia.

Gabarito: letra A

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