Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Avança SP 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg080895
Banca
Avança SP
Órgão
FSPSS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Especialista (Otorrinolaringologista)
Paciente masculino, 60 anos, apresenta disfonia há 6 meses, sem outros sintomas. Na laringoscopia indireta, observa-se lesão nodular em cordas vocais. É o exame complementar mais indicado para avaliar a extensão da lesão e determinar o tratamento ideal:
AVideolaringoscopia com estroboscopia.
BTomografia computadorizada de laringe.
CRessonância magnética nuclear de laringe.
DUltrassom de laringe.
ELaringoscopia direta sob suspensão.
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GabaritoA — Videolaringoscopia com estroboscopia.
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Disfonia e avaliação da laringe: o papel da videolaringoscopia com estroboscopia
Gabarito: letra A. Na avaliação de uma lesão nodular em cordas vocais com disfonia, o exame complementar mais indicado para avaliar a extensão da lesão e determinar o tratamento ideal é a videolaringoscopia com estroboscopia, pois permite analisar a vibração da mucosa, a onda mucosa e a mobilidade das pregas vocais, informações essenciais para o diagnóstico diferencial e planejamento terapêutico. A estroboscopia é o padrão-ouro para avaliar a função vocal e a integridade da mucosa, superando os métodos de imagem estáticos (TC, RM, US) e a laringoscopia direta sem estroboscopia.
A disfonia é um sintoma que reflete alterações na produção vocal, podendo ter causas orgânicas (nódulos, pólipos, cistos, tumores) ou funcionais (disfonia por tensão muscular, fenda glótica). No caso de uma lesão nodular em cordas vocais, o exame clínico inicial é a laringoscopia indireta, que permite visualizar a lesão, mas não avalia a dinâmica vibratória da mucosa. A videolaringoscopia com estroboscopia é um exame que combina a imagem em vídeo da laringe com a luz estroboscópica, que emite flashes sincronizados com a frequência fundamental da voz, criando a ilusão de movimento lento das pregas vocais. Isso permite avaliar:
A amplitude e a simetria da vibração das pregas vocais;
A onda mucosa (deslizamento da mucosa sobre o músculo vocal), que está alterada em lesões infiltrativas ou cicatriciais;
A fase de fechamento glótico (presença de fenda, contato completo);
A regularidade do ciclo vibratório (regular ou irregular).
Essas informações são cruciais para diferenciar nódulos (lesões benignas, geralmente bilaterais, com onda mucosa preservada) de cistos, pólipos, sulcos ou lesões malignas (que podem apresentar rigidez e perda da onda mucosa). Além disso, a estroboscopia orienta a conduta: lesões com onda mucosa preservada podem ser tratadas com fonoterapia; lesões com alteração da onda mucosa podem necessitar de abordagem cirúrgica.
Os demais exames citados têm indicações específicas, mas não são o padrão-ouro para avaliação funcional da laringe:
Tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) são exames de imagem que avaliam a extensão anatômica de lesões, principalmente para estadiamento de tumores, avaliação de linfonodos e invasão de estruturas adjacentes. Não fornecem informações sobre a vibração das pregas vocais.
Ultrassom (US) de laringe tem uso limitado, principalmente para avaliação de estruturas superficiais e guia de punções, não sendo útil para avaliar a mucosa vocal.
Laringoscopia direta sob suspensão é um procedimento cirúrgico (realizado sob anestesia geral) que permite a visualização direta da laringe e a realização de biópsias ou microcirurgia, mas não é o primeiro exame complementar para avaliar a extensão funcional da lesão; é indicado quando há necessidade de intervenção ou quando a avaliação ambulatorial não é conclusiva.
Portanto, a videolaringoscopia com estroboscopia é o exame que melhor avalia a extensão funcional da lesão (comprometimento da vibração) e, consequentemente, determina o tratamento ideal (fonoterapia vs. cirurgia).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre exames de imagem (TC, RM, US) e exames funcionais. O candidato pode pensar que, para avaliar a "extensão" da lesão, seria necessário um exame de imagem, mas a palavra-chave é "determinar o tratamento ideal" — e isso depende da avaliação da onda mucosa e da vibração, que só a estroboscopia fornece. A TC/RM são úteis para estadiamento de tumores, não para nódulos benignos.
Avaliação da disfonia com lesão em corda vocal
1Videolaringoscopia com estroboscopia (padrão-ouro)
Avalia vibração e onda mucosa
Determina tratamento (fonoterapia vs. cirurgia)
2Exames estáticos (TC, RM, US)
Avaliam extensão anatômica
Não avaliam função vocal
3Laringoscopia direta sob suspensão
Procedimento cirúrgico
Não é o primeiro exame
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A videolaringoscopia com estroboscopia é o exame padrão-ouro para avaliação da função vocal e da mucosa das pregas vocais. Ela permite visualizar a lesão em movimento, avaliar a onda mucosa, a amplitude, a simetria e o fechamento glótico, informações essenciais para diferenciar nódulos de outras lesões e planejar o tratamento (fonoterapia ou cirurgia). É o exame mais indicado para avaliar a extensão funcional da lesão e determinar a conduta ideal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada de laringe é um exame de imagem que avalia a extensão anatômica da lesão, principalmente para estadiamento de tumores malignos, avaliação de linfonodos e invasão de cartilagens. Não fornece informações sobre a vibração das pregas vocais nem sobre a onda mucosa, sendo insuficiente para determinar o tratamento de uma lesão nodular benigna. É indicada quando há suspeita de malignidade ou para avaliar extensão profunda.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ressonância magnética nuclear de laringe tem indicação semelhante à TC, com melhor resolução de partes moles, mas também é um exame estático. Não avalia a dinâmica vocal, sendo útil para casos selecionados de tumores ou lesões infiltrativas, não para nódulos em cordas vocais. Além disso, é um exame mais caro e demorado, sem vantagem sobre a estroboscopia para essa finalidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O ultrassom de laringe tem uso limitado na prática otorrinolaringológica. Pode ser útil para avaliar estruturas superficiais, como glândulas salivares ou tireoide, e para guiar punções, mas não é adequado para avaliar a mucosa das pregas vocais nem a vibração. Não é o exame indicado para lesões nodulares em cordas vocais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A laringoscopia direta sob suspensão é um procedimento cirúrgico realizado sob anestesia geral, que permite visualização direta da laringe e a realização de biópsias ou microcirurgia. Não é o primeiro exame complementar para avaliar a extensão da lesão, pois é invasivo e não avalia a função vibratória. É indicada quando há necessidade de intervenção cirúrgica ou quando a avaliação ambulatorial não é conclusiva.