Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — Avança SP 2024

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg082019
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia Geral - Endoscopia
A respeito da diretriz sobre colelitiase associado a cirurgia bariátrica da Sociedade brasileira de cirurgia bariátrica e metabólica é correto afirmar:
  1. APacientes com cálculo na vesícula biliar assintomáticos devem ser submetidos a colecistectomia no mesmo procedimento.
  2. BA ultrassonografia deve ser realizada como triagem antes do procedimento cirúrgico.
  3. CPacientes em pós operatório com dor em quadrante superior direito não necessitam de ultrassonografia.
  4. DÉ recomendado o uso de ácido ursodesoxicólico por via oral por estar associado a redução do risco de colelitiase após cirurgia bariátrica.
  5. EA colangiografia deve ser empregada de rotina na colecistectomia em paciente pós cirurgia bariátrica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — É recomendado o uso de ácido ursodesoxicólico por via oral por estar associado a redução do risco de colelitiase após cirurgia bariátrica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colelitíase e cirurgia bariátrica: profilaxia com ácido ursodesoxicólico

Gabarito: letra D. A diretriz da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) recomenda o uso de ácido ursodesoxicólico (AUDC) por via oral no pós-operatório de cirurgia bariátrica, pois há evidências de que essa medicação reduz o risco de formação de cálculos biliares (colelitíase) nesses pacientes. As demais alternativas contrariam a conduta preconizada: colecistectomia profilática no mesmo procedimento não é indicada para todos os assintomáticos, a ultrassonografia pré-operatória é recomendada como triagem, dor em QSD no pós-operatório exige investigação com ultrassonografia, e a colangiografia não é empregada de rotina.

A cirurgia bariátrica é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de colelitíase. A rápida perda de peso, característica do pós-operatório, leva a alterações na composição da bile, com supersaturação de colesterol, redução da motilidade da vesícula biliar e aumento da nucleação — um conjunto de fatores que favorece a formação de cálculos. Estima-se que uma parcela significativa dos pacientes desenvolva cálculos biliares nos primeiros meses após o procedimento, embora muitos permaneçam assintomáticos.

Diante desse cenário, a diretriz da SBCBM estabelece condutas específicas para o manejo da vesícula biliar nesses pacientes. A ultrassonografia de abdome é recomendada como exame de triagem no pré-operatório, para identificar pacientes que já apresentam cálculos biliares. Para aqueles com colelitíase assintomática, a colecistectomia profilática no mesmo ato cirúrgico da bariátrica não é recomendada de rotina — a conduta é individualizada, considerando fatores como a complexidade do procedimento bariátrico e o perfil do paciente. Já no pós-operatório, o aparecimento de dor em quadrante superior direito (QSD) deve sempre levantar a suspeita de complicação biliar (como colecistite aguda ou cólica biliar), e a ultrassonografia é o exame de imagem inicial obrigatório para investigação.

A profilaxia medicamentosa com ácido ursodesoxicólico (AUDC) é uma das principais recomendações da diretriz. O AUDC é um ácido biliar hidrofílico que reduz a saturação de colesterol na bile, diminuindo a litogenicidade e, consequentemente, a formação de novos cálculos. Estudos demonstram que o uso de AUDC por via oral, na dose de 500 a 600 mg/dia, iniciado precocemente no pós-operatório e mantido por um período de 6 a 12 meses, está associado a uma redução significativa na incidência de colelitíase após a cirurgia bariátrica. Essa é uma medida de baixo custo, bem tolerada e com bom perfil de segurança, o que a torna uma recomendação forte na diretriz.

A colangiografia, por sua vez, é um exame invasivo que avalia a árvore biliar, indicado apenas em situações específicas, como suspeita de coledocolitíase (cálculo no ducto biliar comum) — por exemplo, em pacientes com icterícia, colangite ou alterações nas provas de função hepática. Não há indicação de colangiografia de rotina na colecistectomia de pacientes pós-bariátrica, pois a maioria não apresenta doença do ducto biliar.

A pegadinha central desta questão está em distinguir o que é recomendação de rotina (triagem ultrassonográfica pré-operatória e profilaxia com AUDC) do que é conduta individualizada ou excepcional (colecistectomia no mesmo ato, colangiografia de rotina). A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que sabe que a colelitíase é comum após bariátrica pode ser levado a acreditar que a colecistectomia profilática é a regra, quando na verdade a diretriz prefere a prevenção medicamentosa.

Manejo biliar na cirurgia bariátrica
  • 1Pré-operatório
    • Ultrassonografia de triagem
  • 2Pós-operatório
    • Profilaxia com ácido ursodesoxicólico (AUDC)
    • Colecistectomia profilática de rotina
    • Dor em QSD → ultrassonografia obrigatória
  • 3Colangiografia
    • Não é rotina
    • Só se suspeita de coledocolitíase
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A colecistectomia no mesmo procedimento da cirurgia bariátrica não é recomendada de rotina para pacientes com cálculo vesicular assintomático. A diretriz preconiza conduta individualizada: em geral, pacientes assintomáticos são acompanhados, e a profilaxia com ácido ursodesoxicólico é a medida preferencial. A colecistectomia profilática simultânea pode ser considerada em casos selecionados, mas não como regra para todos os assintomáticos.

Alternativa B — ✅ Correta

A ultrassonografia de abdome é, de fato, recomendada como exame de triagem no pré-operatório da cirurgia bariátrica. Ela permite identificar a presença de cálculos biliares, avaliar a parede da vesícula e planejar a conduta. Embora esta alternativa esteja correta, a questão pede a afirmação correta sobre a diretriz — e a letra D é a que melhor resume uma recomendação central e específica da diretriz (profilaxia com AUDC). A letra B é verdadeira, mas a letra D é a mais completa e diretamente ligada ao objeto da diretriz.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Dor em quadrante superior direito (QSD) no pós-operatório de cirurgia bariátrica é um sinal de alerta para complicações biliares, como colecistite aguda, cólica biliar ou coledocolitíase. A conduta correta é realizar ultrassonografia para investigação. Afirmar que não há necessidade de ultrassonografia é um erro grave, pois pode levar à perda do diagnóstico de uma complicação potencialmente grave.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a recomendação central da diretriz da SBCBM. O ácido ursodesoxicólico (AUDC) por via oral é recomendado no pós-operatório de cirurgia bariátrica, pois está associado à redução do risco de colelitíase. O AUDC diminui a saturação de colesterol na bile, prevenindo a formação de cálculos durante o período de rápida perda de peso. A dose usual é de 500 a 600 mg/dia, iniciada precocemente e mantida por 6 a 12 meses.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A colangiografia (intraoperatória ou por CPRE) não é empregada de rotina na colecistectomia de pacientes pós-cirurgia bariátrica. É um exame invasivo, reservado para situações específicas com suspeita de coledocolitíase (icterícia, colangite, alteração de enzimas hepáticas, dilatação de vias biliares à ultrassonografia). O uso rotineiro aumentaria morbidade sem benefício comprovado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre profilaxia medicamentosa (AUDC — recomendada de rotina) e profilaxia cirúrgica (colecistectomia no mesmo ato — não recomendada de rotina). O candidato que sabe que a colelitíase é comum após bariátrica pode ser tentado a marcar a letra A, mas a diretriz prefere a prevenção com AUDC. Lembre-se: a cirurgia bariátrica já é um procedimento complexo; adicionar uma colecistectomia de rotina aumentaria o tempo cirúrgico e a morbidade sem benefício claro para todos os pacientes assintomáticos.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre diretrizes de cirurgia bariátrica, memorize os pilares do manejo biliar: (1) triagem pré-operatória com ultrassonografia; (2) profilaxia pós-operatória com ácido ursodesoxicólico por 6–12 meses; (3) colecistectomia reservada para pacientes sintomáticos ou com complicações; (4) colangiografia apenas se houver suspeita de coledocolitíase. Essa estrutura cobre a maioria das questões sobre o tema.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg082019