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Questão de Medicina — Oncologia — Avança SP 2024

MedicinaOncologia
Código
qg082020
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia Geral - Endoscopia
A respeito do Magic Trial, podemos afirmar:
  1. APacientes foram alocados em dois grupos, um grupo realizou quimioterapia perioperatória e outro quimioterapia adjuvante.
  2. BRegime de quimioterapia utilizado em pacientes metásticos foram empregados em pacientes com lesões ressecáveis.
  3. CO esquema de quimioterapia empregado foi 5 - fluoracil, oxaliplatina e leucovorin.
  4. DO estudo foi realizado apenas em paciente com diagnóstico de adenocarcinoma gástrico.
  5. ETodos os pacientes do estudo foram submetidos a gastrectomia total.
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GabaritoB — Regime de quimioterapia utilizado em pacientes metásticos foram empregados em pacientes com lesões ressecáveis.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Magic Trial: quimioterapia perioperatória no adenocarcinoma gástrico

Gabarito: letra B. O Magic Trial (MRC Adjuvant Gastric Infusional Chemotherapy) foi um estudo randomizado que avaliou quimioterapia perioperatória (pré e pós-operatória) com epirrubicina, cisplatina e fluorouracil (ECF) em pacientes com adenocarcinoma gástrico ou da junção gastroesofágica ressecável, demonstrando benefício em sobrevida. A alternativa B está correta porque descreve exatamente o racional do estudo: aplicar um regime de quimioterapia (ECF), que já era utilizado em doença metastática, em pacientes com doença localizada e ressecável, no contexto perioperatório.

O Magic Trial, publicado por Cunningham et al. em 2006 no New England Journal of Medicine, é um marco no tratamento do adenocarcinoma gástrico. Antes dele, a quimioterapia adjuvante (pós-operatória) e a neoadjuvante (pré-operatória) eram estudadas de forma separada, com resultados controversos. O estudo propôs uma abordagem inovadora: administrar quimioterapia antes E depois da cirurgia, no chamado esquema perioperatório. O racional era tratar a doença micrometastática precocemente, reduzir o tamanho tumoral para facilitar a ressecção e melhorar a adesão ao tratamento, já que muitos pacientes não conseguiam completar a quimioterapia adjuvante após uma cirurgia de grande porte.

O regime utilizado foi o ECF (epirrubicina, cisplatina e 5-fluorouracil), um esquema que já era consagrado no tratamento do câncer gástrico metastático. A lógica era: se funciona na doença avançada, pode funcionar na doença localizada, quando a carga tumoral é menor e a chance de cura é maior. Os pacientes foram randomizados para receber quimioterapia perioperatória (3 ciclos antes e 3 ciclos depois da cirurgia) ou apenas cirurgia. O estudo incluiu pacientes com adenocarcinoma gástrico ou da junção gastroesofágica, com doença ressecável (estádios II e III, principalmente), e a cirurgia poderia ser gastrectomia total ou parcial, a critério do cirurgião.

Os resultados foram expressivos: o grupo que recebeu quimioterapia perioperatória teve maior taxa de ressecção curativa (R0), maior sobrevida livre de progressão e maior sobrevida global em 5 anos (36% vs 23%). Esses resultados mudaram a prática clínica, tornando a quimioterapia perioperatória um padrão de tratamento para o adenocarcinoma gástrico ressecável na Europa e em muitas partes do mundo. É importante notar que o estudo não se limitou a gastrectomia total — a cirurgia poderia ser parcial, dependendo da localização do tumor — e incluiu tumores da junção gastroesofágica, não apenas adenocarcinoma gástrico puro.

A pegadinha desta questão está em confundir os detalhes do desenho do estudo. A banca explora o conhecimento específico do Magic Trial, que é um estudo de referência em oncologia gastrointestinal. O candidato que não conhece o estudo pode ser induzido a marcar alternativas que parecem plausíveis, mas que não correspondem ao que foi realmente feito. A chave é lembrar que o Magic Trial usou quimioterapia perioperatória (não apenas adjuvante), com o regime ECF (não FOLFOX), em pacientes com doença ressecável (não metastática), incluindo adenocarcinoma gástrico e da junção gastroesofágica (não apenas gástrico), e a cirurgia poderia ser total ou parcial (não apenas total).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os detalhes do desenho do estudo. A alternativa A fala em "quimioterapia perioperatória e adjuvante" como se fossem dois grupos distintos, mas o estudo comparou perioperatória vs. apenas cirurgia. A alternativa C troca o regime ECF por FOLFOX (5-FU, oxaliplatina e leucovorin), que é usado no câncer de cólon. A alternativa D restringe a apenas adenocarcinoma gástrico, esquecendo a junção gastroesofágica. A alternativa E afirma que todos fizeram gastrectomia total, mas a cirurgia podia ser parcial. O candidato que não domina o estudo erra por não conhecer esses detalhes específicos.

1Desenho
Randomizado
Perioperatória (ECF) vs. só cirurgia
2Regime
ECF (epirrubicina, cisplatina, 5-FU)
Já usado no metastático
3População
Adenocarcinoma gástrico
Junção gastroesofágica
Ressecável (estádios II e III)
4Cirurgia
Total ou parcial
5Resultados
Mais ressecção R0
Maior sobrevida global (36% vs 23%)
Magic Trial (Cunningham, 2006)
LEVELsoulevel.com.br
Magic Trial (Cunningham, 2006): Desenho (Randomizado, Perioperatória (ECF) vs. só cirurgia); Regime (ECF (epirrubicina, cisplatina, 5-FU), Já usado no metastático); População (Adenocarcinoma gástrico, Junção gastroesofágica, Ressecável (estádios II e III)); Cirurgia (Total ou parcial); Resultados (Mais ressecção R0, Maior sobrevida global (36% vs 23%))

Alternativa A — ❌ Incorreta

O Magic Trial não comparou quimioterapia perioperatória com quimioterapia adjuvante. O estudo randomizou pacientes para receber quimioterapia perioperatória (ECF antes e depois da cirurgia) ou apenas cirurgia (grupo controle). A alternativa confunde o desenho do estudo, sugerindo que havia dois grupos de quimioterapia, o que não ocorreu. O grupo controle era cirurgia isolada, sem quimioterapia.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a descrição correta do racional do Magic Trial. O regime ECF (epirrubicina, cisplatina e 5-fluorouracil) já era utilizado no tratamento do adenocarcinoma gástrico metastático. O estudo inovou ao empregar esse mesmo regime em pacientes com doença localizada e ressecável, no contexto perioperatório. A lógica era transferir um esquema eficaz na doença avançada para a doença inicial, com intenção curativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O esquema utilizado no Magic Trial foi ECF (epirrubicina, cisplatina e 5-fluorouracil), não FOLFOX (5-fluorouracil, oxaliplatina e leucovorin). O FOLFOX é um regime clássico para adenocarcinoma de cólon e reto, tanto adjuvante quanto metastático, mas não foi o regime do Magic Trial. A alternativa troca o regime de quimioterapia, um erro clássico de detalhe.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O Magic Trial incluiu pacientes com adenocarcinoma gástrico E da junção gastroesofágica, não apenas adenocarcinoma gástrico. A alternativa restringe indevidamente a população do estudo. Essa distinção é importante porque os tumores da junção gastroesofágica têm comportamento e tratamento distintos, e o estudo os incluiu deliberadamente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Nem todos os pacientes do Magic Trial foram submetidos a gastrectomia total. A cirurgia poderia ser gastrectomia total ou parcial, dependendo da localização e extensão do tumor, a critério do cirurgião. A alternativa generaliza de forma incorreta, afirmando que todos fizeram o procedimento mais radical.

Gabarito: letra B

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