Questão de Medicina — Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina — Avança SP 2024
Medicina›Anatomia e Fisiologia Humana em Medicina
Código
qg082025
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia Geral - Endoscopia
Os principais marcadores imunohistoquímicos do GIST são:
ACD117 e DOG1.
BCD34 e desmina.
CDOG1 e proteína S100.
DSMA e CD34.
EPKC-theta e Proteína S100.
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GabaritoA — CD117 e DOG1.
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Marcadores imunohistoquímicos do GIST
Gabarito: letra A (CD117 e DOG1). O GIST (tumor estromal gastrointestinal) é definido pela expressão do receptor KIT (CD117), presente em cerca de 95% dos casos, e o DOG1 é um marcador adicional altamente sensível e específico, especialmente útil nos casos CD117-negativos. A combinação CD117 + DOG1 é o padrão-ouro para o diagnóstico imunohistoquímico do GIST.
O GIST é a neoplasia mesenquimal mais comum do trato gastrointestinal, originada das células intersticiais de Cajal (CIC) do plexo mioentérico. Essas células são responsáveis pela geração do ritmo elétrico da peristalse e expressam o receptor transmembrana de tirosinoquinase KIT, produto do proto-oncogene c-KIT. A patogênese molecular do GIST está ligada a mutações ativadoras no c-KIT (presentes em cerca de 85-90% dos casos) ou, menos frequentemente, no gene PDGFRA (receptor alfa do fator de crescimento derivado de plaquetas), que também codifica uma tirosinoquinase. Essas mutações levam à ativação descontrolada do receptor, promovendo proliferação e sobrevivência celular neoplásica.
O diagnóstico definitivo do GIST depende da análise imunohistoquímica, que identifica a expressão de proteínas específicas no tecido tumoral. O CD117 (também chamado de KIT) é o marcador mais clássico e específico, presente em aproximadamente 95% dos casos. No entanto, cerca de 5% dos GIST são CD117-negativos, o que torna necessário o uso de marcadores complementares. O DOG1 (descoberto no gene 1 do GIST) é uma proteína que se mostrou altamente sensível e específica para o GIST, sendo positivo em cerca de 95-98% dos casos, incluindo muitos tumores CD117-negativos. Por isso, a combinação CD117 + DOG1 é considerada o painel ideal para confirmar o diagnóstico, especialmente em casos atípicos.
Outros marcadores podem ser utilizados no painel diagnóstico, mas com menor especificidade. O CD34 é positivo em 60-70% dos GIST, mas também é expresso em outros tumores mesenquimais, como os tumores fibrosos solitários. A proteína S100 é positiva em apenas 5% dos casos e é um marcador de diferenciação neural, sendo mais útil para diagnosticar tumores neurogênicos, como schwannomas. A desmina é um marcador de diferenciação muscular lisa, positivo em apenas 1-2% dos GIST, mas fortemente expresso em leiomiomas e leiomiossarcomas. A SMA (actina de músculo liso) também é um marcador de diferenciação muscular, positivo em uma minoria de GIST, mas útil para distinguir de tumores musculares lisos. A PKC-theta é uma proteína quinase que também pode ser expressa em GIST, mas não é um marcador de primeira linha e não é tão específica quanto CD117 e DOG1.
A principal pegadinha desta questão é confundir os marcadores específicos do GIST com marcadores de outros tumores mesenquimais do trato gastrointestinal. O candidato que não domina o painel imunohistoquímico pode facilmente marcar uma alternativa que inclui marcadores de diferenciação muscular (desmina, SMA) ou neural (S100), que são negativos ou pouco positivos no GIST. A banca explora exatamente essa confusão entre os diferentes tipos de sarcomas e tumores estromais.
Guarde a distinção central: CD117 e DOG1 são os marcadores de escolha para GIST, enquanto desmina, SMA e S100 são marcadores de outros tumores mesenquimais. É nessa fronteira que as alternativas se dividem.
Marcador
Positividade no GIST
Utilidade/Especificidade
CD117 (KIT)
~95%
Marcador clássico e específico; padrão-ouro
DOG1
~95-98%
Altamente sensível; útil em casos CD117-negativos
CD34
60-70%
Positivo, porém inespecífico (também em outros tumores mesenquimais)
Proteína S100
~5%
Marcador de diferenciação neural (ex.: schwannoma)
Desmina
1-2%
Marcador de diferenciação muscular lisa (ex.: leiomioma)
SMA
Minoria
Marcador de diferenciação muscular lisa (ex.: leiomiossarcoma)
PKC-theta
Pode ser expresso
Não é marcador de primeira linha; baixa especificidade
A alternativa apresenta exatamente os dois marcadores mais específicos e sensíveis para o diagnóstico de GIST. O CD117 (receptor KIT) é o marcador clássico, positivo em cerca de 95% dos casos, e o DOG1 é um marcador complementar altamente sensível, positivo em aproximadamente 95-98% dos casos, incluindo muitos tumores CD117-negativos. A combinação desses dois marcadores é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico de GIST, especialmente em casos com morfologia atípica ou CD117-negativos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa combina CD34 e desmina. O CD34 é positivo em 60-70% dos GIST, mas não é específico, sendo expresso também em outros tumores mesenquimais. A desmina, por sua vez, é um marcador de diferenciação muscular lisa, positivo em apenas 1-2% dos GIST. A presença da desmina torna a alternativa incorreta, pois esse marcador é característico de leiomiomas e leiomiossarcomas, não de GIST. A banca troca os marcadores específicos do GIST por marcadores de tumores musculares lisos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa combina DOG1 e proteína S100. Embora o DOG1 seja um marcador correto para GIST, a proteína S100 é um marcador de diferenciação neural, positivo em apenas 5% dos GIST. A S100 é mais útil para diagnosticar tumores neurogênicos, como schwannomas e neurofibromas. A inclusão da S100 torna a alternativa incorreta, pois não é um marcador característico do GIST. A banca mistura um marcador específico (DOG1) com um marcador de outro tipo tumoral.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa combina SMA e CD34. A SMA (actina de músculo liso) é um marcador de diferenciação muscular lisa, positivo em uma minoria de GIST, mas fortemente expresso em leiomiomas e leiomiossarcomas. O CD34, embora positivo em 60-70% dos GIST, não é específico. A combinação desses dois marcadores aponta mais para um tumor muscular liso do que para um GIST. A banca troca os marcadores específicos do GIST por marcadores de diferenciação muscular.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa combina PKC-theta e proteína S100. A PKC-theta é uma proteína quinase que pode ser expressa em GIST, mas não é um marcador de primeira linha e não é tão específica quanto CD117 e DOG1. A proteína S100, como já mencionado, é um marcador de diferenciação neural, positivo em apenas 5% dos GIST. A combinação não é adequada para o diagnóstico de GIST, pois ambos os marcadores não são os mais específicos. A banca utiliza marcadores menos comuns e menos específicos para confundir o candidato.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora trocar os marcadores específicos do GIST (CD117 e DOG1) por marcadores de outros tumores mesenquimais, como desmina e SMA (diferenciação muscular) e S100 (diferenciação neural). O candidato que não domina o painel imunohistoquímico pode facilmente cair nessa armadilha. Lembre-se: CD117 e DOG1 são os marcadores de escolha; desmina, SMA e S100 são marcadores de outros tumores. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental com os marcadores e suas positividades no GIST: CD117 (95%), DOG1 (95-98%), CD34 (60-70%), S100 (5%), desmina (1-2%), SMA (minoria). Compare com os marcadores de outros tumores: desmina e SMA para leiomioma/leiomiossarcoma, S100 para schwannoma. Essa tabela é a chave para resolver questões sobre imunohistoquímica de tumores mesenquimais.