Mecanismo de ação da dipirona na febre
Gabarito: letra E. A dipirona exerce seu efeito antitérmico principalmente pela inibição da ciclooxigenase (COX) no sistema nervoso central, reduzindo a síntese de prostaglandinas — especialmente a PGE2 — que atuam no hipotálamo elevando o "termostato" corporal. Esse mecanismo é o mais relevante para a redução da febre, conforme descrito na fisiopatologia da resposta febril.
A febre é uma resposta fisiológica a estímulos inflamatórios ou infecciosos. Pirógenos exógenos (como endotoxinas bacterianas) estimulam a liberação de citocinas pirogênicas — IL-1, IL-6, TNF-α — que, ao alcançarem o hipotálamo anterior, ativam a fosfolipase A2 e a ciclooxigenase, induzindo a síntese de prostaglandina E2 (PGE2). A PGE2 se liga a receptores EP-3 nas células gliais, elevando o ponto de ajuste do termostato hipotalâmico e desencadeando a febre.
A dipirona, assim como o paracetamol e os AINEs, inibe a COX, bloqueando a produção de PGE2 no sistema nervoso central. Essa ação central é o que explica sua eficácia antitérmica: ao reduzir a PGE2 hipotalâmica, o termostato retorna ao seu ponto normal, promovendo perda de calor por vasodilatação cutânea e sudorese. Embora a dipirona também tenha ação analgésica periférica, é a inibição central da COX que responde diretamente pela redução da febre.
É importante distinguir a dipirona dos opioides: estes atuam em receptores μ e κ, promovendo analgesia, mas não possuem ação antitérmica relevante. Já os AINEs e a dipirona compartilham o mecanismo de inibição da COX, sendo essa a base de sua ação antipirética. A alternativa correta captura exatamente esse mecanismo central.
A pegadinha desta questão está em atribuir à dipirona mecanismos de ação de outras classes farmacológicas — como o estímulo de receptores opioides (opioides) ou a inibição da fosfodiesterase (usada por outros fármacos) — ou em descrever efeitos periféricos que não são o principal determinante da ação antitérmica. O candidato deve reconhecer que a febre é mediada centralmente pela PGE2 e que a dipirona age justamente bloqueando sua síntese.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O estímulo direto dos receptores opioides é o mecanismo de ação dos opioides (como morfina e fentanil), que promovem analgesia, mas não possuem efeito antitérmico relevante. A dipirona não atua nesses receptores; seu efeito na febre decorre da inibição da COX central.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dipirona não aumenta a produção de citocinas anti-inflamatórias. Na verdade, as citocinas pirogênicas (IL-1, IL-6, TNF-α) são as que induzem a febre; a dipirona age a jusante, inibindo a COX e a síntese de PGE2, e não modulando diretamente a produção de citocinas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O bloqueio de canais de cálcio em células endoteliais não é o mecanismo da dipirona. A vasodilatação periférica é uma consequência da redução da PGE2 central (que permite a perda de calor), mas não é o alvo primário do fármaco. Além disso, a dipirona não bloqueia canais de cálcio.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A inibição da fosfodiesterase, com aumento de AMP cíclico, é um mecanismo de outras classes de fármacos (como alguns broncodilatadores), não da dipirona. Embora o AMP cíclico participe da via de sinalização da PGE2 no hipotálamo, a dipirona não age inibindo a fosfodiesterase.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dipirona inibe a ciclooxigenase (COX) no sistema nervoso central, reduzindo a síntese de prostaglandinas, especialmente a PGE2. Como a PGE2 é o principal mediador da febre ao elevar o termostato hipotalâmico, sua redução leva à diminuição da temperatura corporal. Esse é o mecanismo mais relevante para a eficácia antitérmica da dipirona.
Gabarito: letra E