Paciente de 37 anos, G3P2A1, comparece para consulta com dúvidas sobre como reduzir o risco de desenvolver câncer de mama. Tem histórico familiar de câncer de mama em uma irmã aos 48 anos e em uma tia materna aos 52 anos. Menarca aos 11 anos, ainda em menacme, sem uso de contraceptivos hormonais. IMC de 31 kg/m². Não consome álcool regularmente e pratica atividade física esporadicamente. Relata ansiedade em relação ao risco familiar e deseja saber medida de prevenção primária do câncer de mama.
AIniciar tamoxifeno 5 mg profilático por 5 anos devido ao histórico familiar.
BRecomendar redução do peso corporal e aumento da atividade física regular.
CRealizar mastectomia profilática bilateral, considerando a história familiar.
DSolicitar teste genético para BRCA1/BRCA2 antes de qualquer orientação preventiva.
ERealizar ressonância magnética de mama anualmente intercalada com mamografia.
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GabaritoB — Recomendar redução do peso corporal e aumento da atividade física regular.
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Prevenção primária do câncer de mama
Gabarito: letra B. A prevenção primária do câncer de mama envolve o controle de fatores de risco modificáveis, como obesidade e sedentarismo — exatamente o que a alternativa B propõe (redução do peso e aumento da atividade física). A paciente tem IMC de 31 kg/m² (obesidade), fator de risco modificável, e pratica atividade física esporadicamente. As demais alternativas envolvem medidas de prevenção secundária (rastreamento), quimioprofilaxia ou cirurgia profilática, que não se aplicam ao caso por não haver indicação formal.
A prevenção primária do câncer de mama consiste em evitar a exposição aos fatores de risco e promover hábitos de vida saudáveis. Os principais fatores de risco modificáveis são obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e dieta inadequada. A obesidade, em particular, está associada a um risco relativo de 1,1 a 2 para câncer de mama, especialmente após a menopausa, devido ao aumento da produção de estrogênio pelo tecido adiposo. A atividade física regular, por sua vez, reduz o risco por diversos mecanismos, incluindo a diminuição dos níveis de estrogênio circulante, melhora da sensibilidade à insulina e redução da inflamação crônica.
A paciente em questão tem 37 anos, menacme, IMC de 31 kg/m² (obesidade grau I) e sedentarismo — fatores modificáveis que devem ser abordados na consulta. O histórico familiar (irmã aos 48 anos e tia materna aos 52 anos) indica risco aumentado, mas não configura critério para medidas agressivas como mastectomia profilática ou quimioprofilaxia com tamoxifeno. O teste genético para BRCA1/BRCA2 é indicado em situações específicas, como múltiplos casos de câncer de mama e/ou ovário no mesmo ramo familiar, diagnóstico antes dos 50 anos, ou tumores bilaterais — critérios que não são preenchidos pelo caso apresentado.
A quimioprofilaxia com tamoxifeno é uma opção para mulheres com risco elevado de câncer de mama, mas não é recomendada de rotina devido aos potenciais eventos adversos. A mastectomia profilática bilateral é reservada para portadoras de mutações BRCA1/BRCA2 comprovadas, dentro de um rigoroso acompanhamento multidisciplinar. A ressonância magnética anual intercalada com mamografia é uma estratégia de rastreamento (prevenção secundária) para mulheres de alto risco, não uma medida de prevenção primária.
A distinção fundamental é entre prevenção primária (evitar o desenvolvimento da doença) e prevenção secundária (detectar precocemente). A alternativa B é a única que aborda a prevenção primária, atacando diretamente os fatores de risco modificáveis presentes na paciente. As demais alternativas envolvem rastreamento, quimioprofilaxia ou cirurgia, que são medidas de prevenção secundária ou terciária, ou não têm indicação no caso.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre prevenção primária e secundária. O candidato pode ser tentado a escolher a alternativa D (teste genético) ou E (ressonância magnética), que são medidas de rastreamento para mulheres de alto risco, mas não respondem à pergunta sobre prevenção primária. A chave é identificar que a paciente tem fatores de risco modificáveis (obesidade e sedentarismo) que devem ser abordados primeiro.
Prevenção do câncer de mama
1Primária (evitar o desenvolvimento)
Controle de fatores modificáveis
Obesidade
Sedentarismo
Tabagismo
Álcool
2Secundária (detecção precoce)
Rastreamento
Mamografia
Ressonância magnética (alto risco)
3Terciária (tratamento/reabilitação)
Quimioprofilaxia (tamoxifeno)
Mastectomia profilática (BRCA+)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A quimioprofilaxia com tamoxifeno 5 mg por 5 anos não é indicada neste caso. O tamoxifeno é uma opção para mulheres com risco elevado, mas não é recomendado de rotina devido aos efeitos adversos. A dose profilática usual é de 20 mg/dia, não 5 mg, e a indicação formal exige avaliação criteriosa do risco-benefício, geralmente em mulheres com risco ≥ 1,7% em 5 anos (critério Gail) ou portadoras de mutações de alta penetrância. A paciente tem histórico familiar, mas não preenche critérios para quimioprofilaxia.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A redução do peso corporal e o aumento da atividade física regular são medidas de prevenção primária do câncer de mama. A paciente tem IMC de 31 kg/m² (obesidade) e sedentarismo, fatores de risco modificáveis. A obesidade está associada a risco relativo de 1,1 a 2 para câncer de mama, e a atividade física regular reduz esse risco. Esta é a conduta mais adequada para a prevenção primária no caso apresentado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A mastectomia profilática bilateral é uma medida extrema, reservada para portadoras de mutações BRCA1/BRCA2 comprovadas ou síndromes de alto risco. A paciente tem histórico familiar de câncer de mama (irmã aos 48 anos e tia materna aos 52 anos), mas não há indicação formal para cirurgia profilática. O risco familiar, sem mutação comprovada, não justifica uma intervenção tão agressiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O teste genético para BRCA1/BRCA2 é indicado em situações específicas, como múltiplos casos de câncer de mama e/ou ovário no mesmo ramo familiar, diagnóstico antes dos 50 anos, tumores bilaterais, ou ascendência judaica da Europa Oriental. A paciente tem dois casos de câncer de mama em parentes (irmã aos 48 anos e tia materna aos 52 anos), mas ambos em idade ≥ 50 anos, o que não preenche os critérios para aconselhamento genético. Além disso, o teste genético não é uma medida de prevenção primária, mas sim uma ferramenta de avaliação de risco.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ressonância magnética de mama anual intercalada com mamografia é uma estratégia de rastreamento (prevenção secundária) para mulheres de alto risco, não uma medida de prevenção primária. A paciente tem risco aumentado pelo histórico familiar, mas não preenche critérios para rastreamento com ressonância magnética, que é reservado para mulheres com risco ≥ 20% ao longo da vida (modelos de risco) ou portadoras de mutações BRCA1/BRCA2.