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Questão de Medicina — Nefrologia — Avança SP 2024

MedicinaNefrologia
Código
qg082102
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia Geral - Programa Avançado
Com relação aos Tumores Renais podemos afirmar que:
  1. AEm caso de suspeita de neoplasia de origem hematológica a biopsia da lesão deverá ser evitada devido ao risco de injúria aos grandes vasos.
  2. BEm casos com margens histológicas positivas após nefrectomia parcial a ampliação de margens ou a nefrectomia radical deverá ser indicada o mais breve possível para evitar disseminação
  3. CNo seguimento oncológico do paciente submetido a nefrectomia radical a Ressonância Nuclear magnética com gadolínio de segunda geração deverá ser evitada devido ao risco elevado de desenvolvimento de fibrose nefrogênica.
  4. DA tríade clássica para suspeição clinica dos tumores renais é: hematúria, disúria e dor lombar
  5. EA linfadenectomia regional nos casos de linfonodos clinicamente suspeitos deverá ser realizada tendo como objetivo o estadiamento e avaliação prognóstica no entanto não influenciam na sobrevida global ou câncer especifica.
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GabaritoE — A linfadenectomia regional nos casos de linfonodos clinicamente suspeitos deverá ser realizada tendo como objetivo o estadiamento e avaliação prognóstica no entanto não influenciam na sobrevida global ou câncer especifica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tumores Renais: diagnóstico, tratamento e seguimento

Gabarito: letra E. A linfadenectomia regional em casos de linfonodos clinicamente suspeitos tem papel no estadiamento e na avaliação prognóstica, mas não demonstrou impacto na sobrevida global ou câncer-específica — exatamente o que a alternativa afirma. As demais opções contêm erros conceituais: a biópsia não é contraindicada em neoplasias hematológicas, margens positivas não impõem reintervenção imediata, a ressonância com gadolínio de segunda geração não é contraindicada por risco de fibrose nefrogênica, e a tríade clássica é hematúria, dor no flanco e massa palpável (não disúria).

O carcinoma de células renais (CCR) é o tumor renal maligno mais comum e, hoje, a maioria dos casos é diagnosticada incidentalmente em exames de imagem — cerca de 70% dos casos. Os sinais e sintomas clássicos incluem hematúria, dor no flanco e massa abdominal palpável, mas essa tríade completa é rara e geralmente indica doença avançada. As manifestações sistêmicas podem incluir dor por metástases ósseas, sintomas respiratórios por comprometimento pulmonar ou neurológicos por metástases cerebrais, além de síndromes paraneoplásicas.

O diagnóstico geralmente é estabelecido por ocasião da nefrectomia, mas a biópsia da massa renal pode ser indicada em situações específicas: pacientes com metástases a distância que não serão submetidos à nefrectomia, ou pacientes com pequenas massas renais que inicialmente podem ser observadas. Para lesões com menos de 4 cm, a biópsia diagnóstica pode ser considerada para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento local ou estratégias de vigilância ativa. A velocidade de crescimento dessas massas pequenas é de aproximadamente 3 mm/ano, com baixa incidência de metástases.

O tratamento padrão é cirúrgico: nefrectomia parcial (preservação de néfrons) ou nefrectomia radical, dependendo da extensão e anatomia do tumor, função renal nativa e habilidade do cirurgião. Os desfechos oncológicos são equivalentes entre as duas técnicas, embora a função renal seja mais bem preservada com a nefrectomia parcial. No seguimento, a ressonância magnética com contraste à base de gadolínio é um exame válido; a preocupação com fibrose nefrogênica aplica-se principalmente a pacientes com insuficiência renal avançada e ao uso de gadolínio de primeira geração (agentes lineares), não sendo uma contraindicação absoluta para os agentes de segunda geração (macrocíclicos) em pacientes com função renal preservada.

A linfadenectomia regional no CCR é um tema controverso. Quando há linfonodos clinicamente suspeitos, a linfadenectomia é realizada com objetivos de estadiamento e avaliação prognóstica, mas os estudos não demonstraram benefício em sobrevida global ou sobrevida câncer-específica. Essa é a distinção crucial que a alternativa E captura corretamente: o valor da linfadenectomia é diagnóstico/prognóstico, não terapêutico.

A pegadinha central desta questão é a troca de termos e conceitos: a banca substitui "dor no flanco" por "disúria" na tríade clássica, inverte a indicação da biópsia em neoplasias hematológicas, e atribui contraindicações inexistentes a exames de imagem. O candidato que decora a tríade sem entender o contexto clínico tende a marcar a alternativa D, que parece familiar mas contém o erro sutil.

Carcinoma de células renais (CCR)
  • 1Tríade clássica
    • Hematúria
    • Dor no flanco
    • Massa palpável
  • 2Diagnóstico
    • Biópsia (casos específicos)
      • Metástases sem nefrectomia
      • Massas pequenas em vigilância
  • 3Tratamento
    • Nefrectomia parcial (preserva função renal)
    • Nefrectomia radical
  • 4Linfadenectomia
    • Estadiamento e prognóstico
    • Sem impacto em sobrevida
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a biópsia deve ser evitada em suspeita de neoplasia hematológica devido ao risco de injúria aos grandes vasos. Isso está incorreto: a biópsia renal percutânea é um procedimento seguro e pode ser indicada justamente para diferenciar CCR de outras neoplasias, incluindo linfomas e metástases. O risco de sangramento é uma preocupação geral da biópsia, mas não há contraindicação específica para neoplasias hematológicas por risco de injúria vascular. Na prática, a biópsia é útil quando há dúvida diagnóstica ou quando o tratamento depende do subtipo histológico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que margens histológicas positivas após nefrectomia parcial devem ser tratadas com ampliação de margens ou nefrectomia radical "o mais breve possível". Isso não é uma conduta padronizada: margens positivas na peça cirúrgica são um fator de risco para recidiva local, mas a reintervenção imediata não é rotina. A conduta é individualizada, considerando o risco de recidiva, a função renal e as comorbidades do paciente. Muitas vezes, opta-se por vigilância ativa ou tratamento adjuvante, em vez de reoperar imediatamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a ressonância magnética com gadolínio de segunda geração deve ser evitada no seguimento de pacientes nefrectomizados devido ao risco elevado de fibrose nefrogênica. Isso é incorreto: a fibrose nefrogênica sistêmica é uma complicação rara associada ao uso de gadolínio de primeira geração (agentes lineares) em pacientes com insuficiência renal avançada (TFG < 30 mL/min). Os agentes de segunda geração (macrocíclicos) têm risco significativamente menor, e em pacientes com função renal preservada (como após nefrectomia, se o rim contralateral for saudável) não há contraindicação. A RM com gadolínio é um exame útil no seguimento oncológico.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a tríade clássica para suspeição clínica dos tumores renais é hematúria, disúria e dor lombar. O erro está em "disúria": a tríade clássica do CCR é hematúria, dor no flanco e massa abdominal palpável. A disúria (dor ao urinar) não faz parte da tríade clássica e sugere mais comumente infecção urinária ou outra patologia do trato urinário inferior. Além disso, a tríade completa é rara e geralmente indica doença avançada.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a linfadenectomia regional em casos de linfonodos clinicamente suspeitos deve ser realizada com objetivo de estadiamento e avaliação prognóstica, mas não influencia na sobrevida global ou câncer-específica. Isso está correto e reflete a evidência atual: a linfadenectomia no CCR tem valor diagnóstico (estadiamento) e prognóstico, mas não demonstrou benefício terapêutico em termos de sobrevida. A alternativa captura com precisão essa distinção entre o papel da linfadenectomia e seu impacto real nos desfechos.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca termos sutis para confundir: na alternativa D, substitui "dor no flanco" por "disúria" na tríade clássica — o candidato que decorou a tríade sem atenção ao detalhe cai na armadilha. Na alternativa C, atribui contraindicação ao gadolínio de segunda geração, quando a preocupação com fibrose nefrogênica se aplica principalmente ao gadolínio de primeira geração em pacientes com insuficiência renal avançada. Fique atento a essas trocas: leia cada alternativa com cuidado e verifique se os termos estão corretos.

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de tumores renais, memorize a tríade clássica (hematúria, dor no flanco, massa palpável) e as indicações de biópsia (metástases sem nefrectomia, massas pequenas em vigilância). No tratamento, lembre que nefrectomia parcial e radical têm desfechos oncológicos equivalentes, mas a parcial preserva função renal. E sobre linfadenectomia: valor diagnóstico/prognóstico, sem impacto em sobrevida — essa é uma pegadinha recorrente em provas de nefrologia e urologia.

Gabarito: letra E

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