Pré-requisito - Cirurgia Geral - Programa Avançado
Com relação aos Tumores Renais podemos afirmar que:
AEm caso de suspeita de neoplasia de origem hematológica a biopsia da lesão deverá ser evitada devido ao risco de injúria aos grandes vasos.
BEm casos com margens histológicas positivas após nefrectomia parcial a ampliação de margens ou a nefrectomia radical deverá ser indicada o mais breve possível para evitar disseminação
CNo seguimento oncológico do paciente submetido a nefrectomia radical a Ressonância Nuclear magnética com gadolínio de segunda geração deverá ser evitada devido ao risco elevado de desenvolvimento de fibrose nefrogênica.
DA tríade clássica para suspeição clinica dos tumores renais é: hematúria, disúria e dor lombar
EA linfadenectomia regional nos casos de linfonodos clinicamente suspeitos deverá ser realizada tendo como objetivo o estadiamento e avaliação prognóstica no entanto não influenciam na sobrevida global ou câncer especifica.
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GabaritoE — A linfadenectomia regional nos casos de linfonodos clinicamente suspeitos deverá ser realizada tendo como objetivo o estadiamento e avaliação prognóstica no entanto não influenciam na sobrevida global ou câncer especifica.
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Tumores Renais: diagnóstico, tratamento e seguimento
Gabarito: letra E. A linfadenectomia regional em casos de linfonodos clinicamente suspeitos tem papel no estadiamento e na avaliação prognóstica, mas não demonstrou impacto na sobrevida global ou câncer-específica — exatamente o que a alternativa afirma. As demais opções contêm erros conceituais: a biópsia não é contraindicada em neoplasias hematológicas, margens positivas não impõem reintervenção imediata, a ressonância com gadolínio de segunda geração não é contraindicada por risco de fibrose nefrogênica, e a tríade clássica é hematúria, dor no flanco e massa palpável (não disúria).
O carcinoma de células renais (CCR) é o tumor renal maligno mais comum e, hoje, a maioria dos casos é diagnosticada incidentalmente em exames de imagem — cerca de 70% dos casos. Os sinais e sintomas clássicos incluem hematúria, dor no flanco e massa abdominal palpável, mas essa tríade completa é rara e geralmente indica doença avançada. As manifestações sistêmicas podem incluir dor por metástases ósseas, sintomas respiratórios por comprometimento pulmonar ou neurológicos por metástases cerebrais, além de síndromes paraneoplásicas.
O diagnóstico geralmente é estabelecido por ocasião da nefrectomia, mas a biópsia da massa renal pode ser indicada em situações específicas: pacientes com metástases a distância que não serão submetidos à nefrectomia, ou pacientes com pequenas massas renais que inicialmente podem ser observadas. Para lesões com menos de 4 cm, a biópsia diagnóstica pode ser considerada para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento local ou estratégias de vigilância ativa. A velocidade de crescimento dessas massas pequenas é de aproximadamente 3 mm/ano, com baixa incidência de metástases.
O tratamento padrão é cirúrgico: nefrectomia parcial (preservação de néfrons) ou nefrectomia radical, dependendo da extensão e anatomia do tumor, função renal nativa e habilidade do cirurgião. Os desfechos oncológicos são equivalentes entre as duas técnicas, embora a função renal seja mais bem preservada com a nefrectomia parcial. No seguimento, a ressonância magnética com contraste à base de gadolínio é um exame válido; a preocupação com fibrose nefrogênica aplica-se principalmente a pacientes com insuficiência renal avançada e ao uso de gadolínio de primeira geração (agentes lineares), não sendo uma contraindicação absoluta para os agentes de segunda geração (macrocíclicos) em pacientes com função renal preservada.
A linfadenectomia regional no CCR é um tema controverso. Quando há linfonodos clinicamente suspeitos, a linfadenectomia é realizada com objetivos de estadiamento e avaliação prognóstica, mas os estudos não demonstraram benefício em sobrevida global ou sobrevida câncer-específica. Essa é a distinção crucial que a alternativa E captura corretamente: o valor da linfadenectomia é diagnóstico/prognóstico, não terapêutico.
A pegadinha central desta questão é a troca de termos e conceitos: a banca substitui "dor no flanco" por "disúria" na tríade clássica, inverte a indicação da biópsia em neoplasias hematológicas, e atribui contraindicações inexistentes a exames de imagem. O candidato que decora a tríade sem entender o contexto clínico tende a marcar a alternativa D, que parece familiar mas contém o erro sutil.
Carcinoma de células renais (CCR)
1Tríade clássica
Hematúria
Dor no flanco
Massa palpável
2Diagnóstico
Biópsia (casos específicos)
Metástases sem nefrectomia
Massas pequenas em vigilância
3Tratamento
Nefrectomia parcial (preserva função renal)
Nefrectomia radical
4Linfadenectomia
Estadiamento e prognóstico
Sem impacto em sobrevida
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a biópsia deve ser evitada em suspeita de neoplasia hematológica devido ao risco de injúria aos grandes vasos. Isso está incorreto: a biópsia renal percutânea é um procedimento seguro e pode ser indicada justamente para diferenciar CCR de outras neoplasias, incluindo linfomas e metástases. O risco de sangramento é uma preocupação geral da biópsia, mas não há contraindicação específica para neoplasias hematológicas por risco de injúria vascular. Na prática, a biópsia é útil quando há dúvida diagnóstica ou quando o tratamento depende do subtipo histológico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que margens histológicas positivas após nefrectomia parcial devem ser tratadas com ampliação de margens ou nefrectomia radical "o mais breve possível". Isso não é uma conduta padronizada: margens positivas na peça cirúrgica são um fator de risco para recidiva local, mas a reintervenção imediata não é rotina. A conduta é individualizada, considerando o risco de recidiva, a função renal e as comorbidades do paciente. Muitas vezes, opta-se por vigilância ativa ou tratamento adjuvante, em vez de reoperar imediatamente.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a ressonância magnética com gadolínio de segunda geração deve ser evitada no seguimento de pacientes nefrectomizados devido ao risco elevado de fibrose nefrogênica. Isso é incorreto: a fibrose nefrogênica sistêmica é uma complicação rara associada ao uso de gadolínio de primeira geração (agentes lineares) em pacientes com insuficiência renal avançada (TFG < 30 mL/min). Os agentes de segunda geração (macrocíclicos) têm risco significativamente menor, e em pacientes com função renal preservada (como após nefrectomia, se o rim contralateral for saudável) não há contraindicação. A RM com gadolínio é um exame útil no seguimento oncológico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a tríade clássica para suspeição clínica dos tumores renais é hematúria, disúria e dor lombar. O erro está em "disúria": a tríade clássica do CCR é hematúria, dor no flanco e massa abdominal palpável. A disúria (dor ao urinar) não faz parte da tríade clássica e sugere mais comumente infecção urinária ou outra patologia do trato urinário inferior. Além disso, a tríade completa é rara e geralmente indica doença avançada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a linfadenectomia regional em casos de linfonodos clinicamente suspeitos deve ser realizada com objetivo de estadiamento e avaliação prognóstica, mas não influencia na sobrevida global ou câncer-específica. Isso está correto e reflete a evidência atual: a linfadenectomia no CCR tem valor diagnóstico (estadiamento) e prognóstico, mas não demonstrou benefício terapêutico em termos de sobrevida. A alternativa captura com precisão essa distinção entre o papel da linfadenectomia e seu impacto real nos desfechos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca termos sutis para confundir: na alternativa D, substitui "dor no flanco" por "disúria" na tríade clássica — o candidato que decorou a tríade sem atenção ao detalhe cai na armadilha. Na alternativa C, atribui contraindicação ao gadolínio de segunda geração, quando a preocupação com fibrose nefrogênica se aplica principalmente ao gadolínio de primeira geração em pacientes com insuficiência renal avançada. Fique atento a essas trocas: leia cada alternativa com cuidado e verifique se os termos estão corretos.
NÃO CAIA NESSA!
Para questões de tumores renais, memorize a tríade clássica (hematúria, dor no flanco, massa palpável) e as indicações de biópsia (metástases sem nefrectomia, massas pequenas em vigilância). No tratamento, lembre que nefrectomia parcial e radical têm desfechos oncológicos equivalentes, mas a parcial preserva função renal. E sobre linfadenectomia: valor diagnóstico/prognóstico, sem impacto em sobrevida — essa é uma pegadinha recorrente em provas de nefrologia e urologia.