Doença de Peyronie: tratamento cirúrgico na fase estável
Gabarito: letra E. O paciente apresenta doença de Peyronie em fase estável (curvatura estável há mais de 3 meses, dor cessada) com curvatura de 75 graus, o que impede a penetração. Nesse cenário, a correção cirúrgica está indicada e, dado o grau elevado de curvatura, a técnica de incisão/excisão da placa com enxerto é a mais adequada para preservar o comprimento peniano. A alternativa E é a única que contempla corretamente essa abordagem.
A doença de Peyronie é uma condição adquirida caracterizada pela formação de placa fibrótica na túnica albugínea dos corpos cavernosos, resultando em curvatura peniana, dor e, frequentemente, disfunção erétil. A doença evolui em duas fases distintas: a fase ativa (ou aguda), na qual há dor, progressão da deformidade e deposição de colágeno ainda em processo, e a fase estável (ou crônica), definida pela estabilidade da curvatura por pelo menos 3 meses e pelo desaparecimento da dor. O tratamento é radicalmente diferente em cada fase: na fase ativa, não há indicação cirúrgica, e o manejo é conservador, com uso de AINEs para dor e observação; na fase estável, a cirurgia é a opção definitiva para corrigir a deformidade que impede a atividade sexual.
A escolha da técnica cirúrgica depende principalmente do grau de curvatura e da presença de deformidades complexas (como ampulheta ou endentação). Para curvaturas leves a moderadas (geralmente até 60 graus), técnicas de plicatura (encurtamento do lado convexo) são suficientes. Para curvaturas mais severas (acima de 60 graus) ou deformidades complexas, a incisão ou excisão da placa com enxerto é preferida, pois permite o endireitamento sem sacrificar o comprimento peniano. Os enxertos podem ser autólogos (como veia safena), alógenos, sintéticos ou xenoenxertos. O paciente em questão tem curvatura de 75 graus, o que claramente se enquadra na indicação de enxerto.
A alternativa E é a correta porque reconhece tanto a fase estável da doença quanto o grau elevado de curvatura, indicando a técnica de enxerto. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de indicação: a A sugere tratamento clínico com vitamina E, que não tem eficácia comprovada e não é indicado na fase estável; a B propõe prótese peniana, que é reservada para casos com disfunção erétil significativa associada, o que não é o caso (o Doppler não mostrou alteração vascular); a C indica correção cirúrgica sem enxerto, o que seria inadequado para uma curvatura de 75 graus; e a D propõe tratamento clínico com fentolamina e colchicina, que não é eficaz na fase estável.
A pegadinha central desta questão é a distinção entre fase ativa e fase estável da doença de Peyronie, e a indicação de enxerto versus plicatura com base no grau de curvatura. O candidato que confunde as fases pode optar por tratamento clínico (alternativas A ou D), enquanto aquele que não considera o grau de curvatura pode escolher a plicatura (alternativa C) ou a prótese (alternativa B).
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "ainda é cedo para propor tratamento cirúrgico" e sugere vitamina E por 90 dias. Isso está errado porque o paciente já está em fase estável (curvatura estável há mais de 3 meses, dor cessada), e a vitamina E não tem eficácia comprovada no tratamento da doença de Peyronie. A cirurgia está indicada, não é prematura.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa propõe implante de prótese peniana como melhor conduta. Isso é incorreto porque a prótese é indicada principalmente para pacientes com disfunção erétil significativa associada à deformidade. No caso, o Doppler peniano não mostrou alteração vascular, e a queixa principal é a curvatura que impede a penetração, não a disfunção erétil. A correção da curvatura com enxerto é a abordagem mais adequada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa sugere correção cirúrgica sem utilização de enxerto. Isso é incorreto porque, para uma curvatura de 75 graus, a técnica de plicatura (sem enxerto) resultaria em encurtamento significativo do pênis, o que não é ideal. A incisão/excisão da placa com enxerto é a técnica preferida para curvaturas severas, pois preserva o comprimento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa propõe tratamento clínico com fentolamina e colchicina por 6 meses. Isso é incorreto porque o paciente está em fase estável, na qual o tratamento clínico não é eficaz. A colchicina e a fentolamina são opções consideradas na fase ativa, mas sem evidências robustas de eficácia. Na fase estável, a cirurgia é a conduta indicada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta porque reconhece que o paciente está em fase estável (curvatura estável, dor cessada) e que o grau de curvatura de 75 graus é uma indicação para correção cirúrgica com enxerto. A técnica de incisão/excisão da placa com enxerto é a mais adequada para curvaturas severas, e os enxertos podem ser autólogos, alógenos, sintéticos ou xenoenxertos, como mencionado.
Gabarito: letra E