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Questão de Medicina — Oncologia — Avança SP 2024

MedicinaOncologia
Código
qg082110
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia Geral - Programa Avançado
Paciente masculino, 62 anos, com diagnóstico recente de adenocarcinoma de pulmão, apresenta quadro de edema e dor em membro inferior direito. A ultrassonografia com Doppler confirma a presença de trombose venosa profunda (TVP) femoropoplítea. Considerando o risco aumentado de tromboembolismo venoso em pacientes oncológicos, qual a conduta mais adequada em relação à anticoagulação?
  1. AHeparina não fracionada endovenosa em dose plena por 5 dias, seguida de warfarina oral por 3 meses, com alvo de INR entre 2,0 e 3,0.
  2. BRivaroxabana oral em dose terapêutica por 3 meses, seguida de dose profilática por tempo indeterminado.
  3. CApixabana oral em dose terapêutica por 6 meses, seguida de avaliação para suspensão ou manutenção do tratamento.
  4. DEnoxaparina subcutânea em dose terapêutica por 12 meses, com posterior reavaliação do risco trombótico.
  5. EFiltro de veia cava inferior, associado à aspirina em dose antiagregante plaquetária por tempo indeterminado.
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GabaritoD — Enoxaparina subcutânea em dose terapêutica por 12 meses, com posterior reavaliação do risco trombótico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tromboembolismo venoso em paciente oncológico: anticoagulação prolongada

Gabarito: letra D. Em paciente com câncer ativo e TVP, a conduta mais adequada é a anticoagulação com enoxaparina (HBPM) em dose terapêutica por pelo menos 3 a 6 meses, com manutenção prolongada (frequentemente 12 meses ou mais) enquanto o câncer estiver ativo, conforme as diretrizes de TEV associado a neoplasia (CHEST 2016). A alternativa D é a que melhor reflete essa recomendação, pois propõe 12 meses de HBPM com reavaliação posterior.

O tromboembolismo venoso (TEV) é uma complicação frequente e grave no paciente oncológico, e o manejo difere do paciente sem câncer. A neoplasia maligna é um fator de risco "muito alto" para TVP, conforme a tríade de Virchow (estase, lesão endotelial e hipercoagulabilidade), e o tratamento anticoagulante precisa ser mais prolongado e, historicamente, com preferência pela heparina de baixo peso molecular (HBPM) em relação à varfarina.

A base dessa recomendação vem do ensaio CLOT (2003), que demonstrou que a dalteparina (HBPM) era superior à varfarina na prevenção de TEV recorrente em pacientes com câncer, sem aumento do risco de sangramento. Estudos posteriores (LITE, ONCENOX) confirmaram esses achados. Mais recentemente, os anticoagulantes orais diretos (DOACs), como edoxabana e rivaroxabana, mostraram-se não inferiores à HBPM, porém com maior risco de sangramento, especialmente em neoplasias do trato gastrointestinal. Por isso, as diretrizes mais atuais (CHEST 2016, ASCO) recomendam a HBPM como primeira escolha nos primeiros 3 a 6 meses, com os DOACs como alternativa aceitável, e a manutenção do anticoagulante por tempo indeterminado enquanto o câncer estiver ativo ou em tratamento.

Na prática, para um paciente com adenocarcinoma de pulmão (câncer ativo) e TVP proximal (femoropoplítea), a conduta é: iniciar HBPM em dose terapêutica (ex.: enoxaparina 1 mg/kg SC 12/12h ou 1,5 mg/kg SC 1x/dia) e manter por pelo menos 3 a 6 meses. Após esse período, a anticoagulação deve ser continuada indefinidamente enquanto o câncer não estiver curado, com reavaliações periódicas do risco trombótico versus risco hemorrágico. A alternativa D captura exatamente essa lógica: 12 meses de enoxaparina com posterior reavaliação.

A pegadinha central desta questão é a duração do tratamento. Muitos candidatos aplicam a regra geral da TVP (3 meses) e escolhem a alternativa A ou B, esquecendo que o câncer ativo é uma indicação de anticoagulação prolongada. Outros podem se confundir com a alternativa C, que propõe 6 meses de apixabana, mas a HBPM ainda é a preferência clássica no cenário oncológico, e a duração de 6 meses é o mínimo, não o suficiente para suspensão sem reavaliação do risco. A alternativa D, com 12 meses e reavaliação, é a mais alinhada com a recomendação de manutenção prolongada.

Guarde o critério decisivo: câncer ativo = anticoagulação prolongada (HBPM preferida), enquanto TVP provocada por fator reversível (cirurgia, trauma) = 3 meses. É essa distinção que separa as alternativas.

  1. 1HBPM dose terapêutica
  2. 2Manter 3-6 meses
  3. 3Prolongar se câncer ativo
  4. 4Reavaliar risco
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O esquema HNF por 5 dias seguida de varfarina por 3 meses é o tratamento clássico da TVP em geral, mas não é o ideal no paciente oncológico. A varfarina é inferior à HBPM na prevenção de TEV recorrente em câncer (ensaio CLOT), e a duração de 3 meses é insuficiente para câncer ativo, que exige anticoagulação prolongada. Além disso, a varfarina tem interações e monitorização difícil nesse contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A rivaroxabana é uma opção válida (DOAC), mas a alternativa erra na duração: 3 meses é o tempo para TVP provocada por fator reversível, não para câncer ativo. Além disso, a recomendação de "dose profilática por tempo indeterminado" após 3 meses não é o padrão — a manutenção deve ser com dose terapêutica ou, em casos selecionados, dose reduzida (rivaroxabana 10 mg/dia), mas sempre após reavaliação e com evidência (EINSTEIN Choice). A HBPM permanece a preferência clássica no câncer.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A apixabana é um DOAC aceitável, mas a alternativa propõe apenas 6 meses de tratamento e depois "avaliação para suspensão ou manutenção". Embora 6 meses seja o período mínimo recomendado para TEV associado a câncer, a conduta padrão é continuar a anticoagulação enquanto o câncer estiver ativo, não suspender após 6 meses. A HBPM (enoxaparina) é a preferência histórica, e a alternativa D, com 12 meses e reavaliação, é mais aderente à recomendação de manutenção prolongada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A enoxaparina (HBPM) em dose terapêutica é a primeira escolha para TEV associado a câncer, conforme diretrizes CHEST 2016 e ASCO. A duração de 12 meses com reavaliação posterior reflete a recomendação de anticoagulação prolongada enquanto o câncer estiver ativo, com reavaliação periódica do risco trombótico versus hemorrágico. É a conduta mais adequada entre as opções.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O filtro de veia cava inferior (VCI) é reservado para pacientes com contraindicação à anticoagulação (ex.: sangramento ativo), não como tratamento de primeira linha. Além disso, o filtro aumenta o risco de TVP recorrente e não trata o trombo existente. A aspirina em dose antiagregante não é anticoagulante e não é indicada para tratamento de TVP aguda — no máximo, é considerada para prevenção secundária após interrupção da anticoagulação em casos selecionados, nunca como terapia inicial.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a duração do tratamento no paciente oncológico. O candidato que aplica a regra geral da TVP (3 meses) cai na alternativa A ou B. Lembre-se: câncer ativo = anticoagulação prolongada (HBPM preferida), com reavaliação periódica. A alternativa D, com 12 meses e reavaliação, é a que melhor reflete essa recomendação.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de TEV, identifique primeiro se há fator de risco reversível (cirurgia, trauma, imobilização) ou persistente (câncer, trombofilia). Reversível → 3 meses; persistente → prolongado (≥ 6 meses, frequentemente indefinido). No câncer, a HBPM é a preferência clássica, com DOACs como alternativa.

Gabarito: letra D

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