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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — Avança SP 2024

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg082129
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia Geral - Programa Avançado
Paciente recém-nascido, sexo masculino, 40 semanas de idade gestacional, apresenta onfalocele gigante contendo fígado e intestino, associada à extrofia de cloaca. A respeito do manejo cirúrgico dessa complexa condição, assinale a alternativa correta:
  1. AA técnica de fechamento primário da onfalocele com redução do conteúdo visceral e fechamento da parede abdominal em um único tempo cirúrgico é a mais indicada, mesmo nos casos de onfalocele gigante.
  2. BA gastrosquise, por ser um defeito da parede abdominal mais grave que a onfalocele gigante, apresenta maior risco de infecção e complicações pós-operatórias.
  3. CA utilização de curativos tópicos com antissépticos, como a sulfadiazina de prata, é contraindicada no tratamento da onfalocele gigante devido ao risco de absorção sistêmica e toxicidade.
  4. DO uso de silo de silicone para fechamento gradual da onfalocele gigante, associado à técnica de "paint and wait" com aplicação de soluções antissépticas na pele ao redor do defeito, pode ser uma opção para evitar a síndrome compartimental abdominal.
  5. EA correção cirúrgica da extrofia de cloaca deve ser realizada em um segundo tempo cirúrgico, após a completa resolução da onfalocele gigante e estabilização clínica do paciente.
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GabaritoD — O uso de silo de silicone para fechamento gradual da onfalocele gigante, associado à técnica de "paint and wait" com aplicação de soluções antissépticas na pele ao redor do defeito, pode ser uma opção para evitar a síndrome compartimental abdominal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Onfalocele gigante e extrofia de cloaca: manejo cirúrgico

Gabarito: letra D. No manejo da onfalocele gigante, o fechamento primário em um único tempo é arriscado pela alta tensão da parede abdominal, que pode levar à síndrome compartimental; por isso, a conduta preferencial é o fechamento gradual com silo de silicone, frequentemente associado à técnica de "paint and wait" com antissépticos tópicos na membrana que recobre o defeito. Essa abordagem é a que melhor se alinha à fisiopatologia da condição e à segurança do recém-nascido.

A onfalocele é um defeito da parede abdominal em que os órgãos abdominais (fígado, intestino) ficam fora da cavidade, recobertos apenas por uma membrana (âmnio), que se rompeu do cordão umbilical durante a vida fetal. Quando o defeito é gigante — geralmente definido por conter fígado ou por diâmetro > 5 cm —, a cavidade abdominal é pequena e não acomoda o conteúdo visceral de uma só vez. Tentar reduzir tudo e fechar a parede em um único tempo gera aumento da pressão intra-abdominal, com prejuízo à ventilação, à perfusão renal e ao retorno venoso — a chamada síndrome compartimental abdominal. Por isso, a estratégia moderna é o fechamento gradual: coloca-se um silo de silicone (um recipiente estéril que protege as vísceras) e, ao longo de dias, reduz-se progressivamente o conteúdo até que a cavidade comporte o fechamento definitivo. Paralelamente, a técnica de "paint and wait" consiste em aplicar soluções antissépticas (como sulfadiazina de prata ou PVPI) sobre a membrana da onfalocele, promovendo a formação de uma crosta e a epitelização gradual, sem necessidade de cirurgia imediata. Essa abordagem evita a tensão excessiva e suas complicações.

A extrofia de cloaca é uma malformação complexa que envolve onfalocele, extrofia vesical e ânus imperfurado, entre outras anomalias. O tratamento é multidisciplinar e estagiado, mas a correção da extrofia não é adiada até a "completa resolução" da onfalocele — na verdade, a abordagem inicial costuma envolver a proteção das vísceras e a estabilização, com a reconstrução em etapas, mas não há uma regra de esperar a onfalocele "resolver" para então operar a extrofia; ambas as condições são tratadas de forma integrada, muitas vezes com o fechamento da parede e a reconstrução da cloaca em tempos cirúrgicos planejados, mas não necessariamente sequenciais nessa ordem rígida.

A gastrosquise, por sua vez, é um defeito em que as alças intestinais ficam expostas sem membrana, lateral ao cordão umbilical (geralmente à direita). Embora a gastrosquise tenha maior risco de perda de líquidos, hipotermia e infecção pela exposição direta das alças, não é correto afirmar que ela é "mais grave" que a onfalocele gigante de forma absoluta — a onfalocele gigante, por conter fígado e estar associada a outras malformações (como a extrofia de cloaca), tem prognóstico e complexidade próprios, muitas vezes piores. A comparação de gravidade é simplista e não é o critério para o manejo.

A alternativa C afirma que a sulfadiazina de prata é contraindicada na onfalocele gigante por risco de absorção sistêmica e toxicidade. Na prática, a sulfadiazina de prata é um dos agentes utilizados na técnica de "paint and wait", justamente para promover a epitelização da membrana. Há preocupação teórica com a absorção de prata, mas não é uma contraindicação absoluta — o uso é comum e aceito, com monitorização. Portanto, a afirmação de que é "contraindicada" está incorreta.

A alternativa E sugere que a correção da extrofia de cloaca deve ser feita em um segundo tempo, após a "completa resolução" da onfalocele gigante. Isso não é correto: a extrofia de cloaca é uma emergência cirúrgica que, idealmente, deve ser abordada precocemente, nas primeiras 24-48 horas de vida, para proteger as vísceras e iniciar a reconstrução. Não se espera a "resolução" da onfalocele (que, na verdade, não se resolve espontaneamente) — o manejo é integrado e estagiado, mas não nessa ordem de espera.

A pegadinha central desta questão é a comparação entre onfalocele e gastrosquise, e a ideia de que o fechamento primário é sempre possível. A banca explora o erro comum de achar que "quanto maior o defeito, mais urgente e mais simples é fechar tudo de uma vez". Na verdade, o oposto é verdadeiro: quanto maior a onfalocele, maior o risco de síndrome compartimental e maior a necessidade de fechamento gradual.

Conduta

Indicação

Fundamento

Fechamento primário em um único tempo

Onfalocele não gigante

Cavidade abdominal comporta o conteúdo visceral sem tensão excessiva

Fechamento gradual com silo de silicone

Onfalocele gigante

Evita síndrome compartimental abdominal; redução progressiva do conteúdo

Técnica "paint and wait" com antissépticos (ex.: sulfadiazina de prata)

Onfalocele gigante (membrana íntegra)

Promove epitelização gradual; não é contraindicação absoluta

Correção cirúrgica da extrofia de cloaca

Emergência (primeiras 24-48h de vida)

Proteção das vísceras e início da reconstrução; não se aguarda resolução espontânea da onfalocele

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o fechamento primário em um único tempo é o mais indicado, mesmo na onfalocele gigante. Isso é falso: na onfalocele gigante, o fechamento primário está associado a alta tensão da parede, risco de síndrome compartimental abdominal, dificuldade ventilatória e isquemia visceral. A conduta preferencial é o fechamento gradual com silo ou a técnica de "paint and wait". O erro está em generalizar a indicação do fechamento primário para todos os casos, ignorando a especificidade da onfalocele gigante.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a gastrosquise é "mais grave" que a onfalocele gigante por apresentar maior risco de infecção e complicações. Embora a gastrosquise tenha risco aumentado de hipotermia, perda de líquidos e infecção pela exposição direta das alças, a onfalocele gigante, por conter fígado e estar frequentemente associada a outras malformações (como a extrofia de cloaca), tem prognóstico e complexidade próprios, muitas vezes piores. A comparação de gravidade é simplista e não é o critério para o manejo. O erro está em estabelecer uma hierarquia de gravidade que não é absoluta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a sulfadiazina de prata é contraindicada na onfalocele gigante por risco de absorção sistêmica e toxicidade. Na prática, a sulfadiazina de prata é um dos agentes utilizados na técnica de "paint and wait", justamente para promover a epitelização da membrana. Há preocupação teórica com a absorção de prata, mas não é uma contraindicação absoluta — o uso é comum e aceito, com monitorização. Portanto, a afirmação de que é "contraindicada" está incorreta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente o manejo da onfalocele gigante: uso de silo de silicone para fechamento gradual, associado à técnica de "paint and wait" com antissépticos na pele ao redor do defeito, para evitar a síndrome compartimental abdominal. Essa é a abordagem recomendada na literatura e na prática cirúrgica pediátrica, pois permite a redução progressiva do conteúdo visceral sem tensão excessiva, minimizando o risco de complicações.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a correção da extrofia de cloaca deve ser feita em um segundo tempo, após a "completa resolução" da onfalocele gigante. Isso não é correto: a extrofia de cloaca é uma emergência cirúrgica que, idealmente, deve ser abordada precocemente, nas primeiras 24-48 horas de vida, para proteger as vísceras e iniciar a reconstrução. Não se espera a "resolução" da onfalocele (que, na verdade, não se resolve espontaneamente) — o manejo é integrado e estagiado, mas não nessa ordem de espera.

Gabarito: letra D

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