Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Avança SP 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg082141
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Qual das seguintes alternativas é o principal exame utilizado para confirmar o diagnóstico de rinite alérgica em um paciente com histórico clínico sugestivo?
AExame físico com rinoscopia anterior.
BTeste cutâneo de prick para alérgenos.
CTomografia computadorizada dos seios paranasais.
DExame de sangue para dosagem de IgE total.
ECultura de secreção nasal.
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GabaritoB — Teste cutâneo de prick para alérgenos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Diagnóstico da rinite alérgica: o papel dos testes cutâneos
Gabarito: letra B. O teste cutâneo de prick (skin prick test — SPT) é o principal exame complementar para confirmar o diagnóstico etiológico da rinite alérgica, identificando o alérgeno específico responsável pelos sintomas, conforme a literatura de Otorrinolaringologia e Alergia. O diagnóstico da rinite alérgica é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico, mas, quando há dúvida sobre o tipo de rinite ou a necessidade de identificar o alérgeno, o SPT e a dosagem de IgE alérgeno-específica são os exames de maior sensibilidade e especificidade.
A rinite alérgica é uma doença inflamatória da mucosa nasal mediada por IgE, desencadeada pela exposição a alérgenos em indivíduos sensibilizados. O quadro clínico clássico inclui rinorreia aquosa, espirros em salvas, obstrução nasal e prurido nasal, ocular ou faríngeo. O diagnóstico é fundamentalmente clínico: a anamnese detalhada (fatores desencadeantes, sazonalidade, história familiar de atopia, comorbidades como asma e eczema) e a rinoscopia anterior (mucosa pálida, edemaciada, conchas hipertrofiadas, rinorreia clara) já permitem, na maioria dos casos, firmar o diagnóstico. Os exames complementares entram quando a história não é suficiente para diferenciar o tipo de rinite ou para identificar o alérgeno específico, o que é crucial para orientar medidas de controle ambiental, tratamento farmacológico e, principalmente, a indicação de imunoterapia específica.
O skin prick test consiste na aplicação de pequenas gotas de extratos alergênicos padronizados na pele do antebraço ou das costas, seguida de uma puntura superficial com uma lanceta. A leitura é feita após 15 a 20 minutos, medindo-se o diâmetro da pápula e do eritema. Um teste positivo (pápula ≥ 3 mm em relação ao controle negativo) indica a presença de IgE específica para aquele alérgeno, confirmando a sensibilização. É um exame rápido, de baixo custo, seguro e com alta sensibilidade e especificidade quando realizado com extratos padronizados e por profissional treinado. A dosagem de IgE alérgeno-específica sérica (por exemplo, ImmunoCAP) é uma alternativa válida, especialmente quando o teste cutâneo não pode ser realizado (dermografismo, uso de anti-histamínicos, lesões cutâneas extensas), mas tem custo mais elevado e resultado não imediato.
É importante distinguir o papel de cada exame no contexto diagnóstico. A rinoscopia anterior é parte do exame físico e fornece sinais sugestivos, mas não confirma a etiologia alérgica. A tomografia computadorizada dos seios paranasais é reservada para avaliação de rinossinusite crônica, complicações de sinusite aguda ou suspeita de processos tumorais — não tem papel no diagnóstico de rinite alérgica. A dosagem de IgE total sérica é inespecífica: pode estar elevada em diversas condições (parasitoses, outras alergias, algumas imunodeficiências) e não confirma o diagnóstico de rinite alérgica. A cultura de secreção nasal é indicada na suspeita de rinite infecciosa bacteriana, não na alergia. A pegadinha da questão está em confundir o exame que "ajuda" (IgE total, rinoscopia) com o exame que "confirma a etiologia" (SPT ou IgE específica).
Guarde a hierarquia diagnóstica: história clínica + exame físico → suspeita; SPT ou IgE específica → confirmação etiológica; IgE total, eosinófilos, imagem e cultura → exames auxiliares ou para diagnósticos diferenciais. É exatamente essa distinção que separa as alternativas.
Diagnóstico da rinite alérgica: Suspeita clínica (Anamnese, Rinoscopia anterior); Confirmação etiológica (Teste cutâneo de prick (SPT), IgE alérgeno-específica); Exames auxiliares (IgE total (inespecífica), Eosinófilos); Diagnósticos diferenciais (Tomografia (rinossinusite), Cultura (rinite bacteriana))
Alternativa A — ❌ Incorreta
A rinoscopia anterior é parte do exame físico e mostra sinais sugestivos de rinite alérgica (mucosa pálida, edemaciada, conchas hipertrofiadas, rinorreia clara), mas não confirma o diagnóstico etiológico. Ela não identifica o alérgeno responsável e não diferencia a rinite alérgica de outras rinites com aspecto semelhante (como a rinite eosinofílica não alérgica). O diagnóstico de certeza da alergia exige a demonstração de IgE específica, seja por teste cutâneo ou sorológico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O teste cutâneo de prick é o principal exame complementar para confirmar o diagnóstico etiológico da rinite alérgica. Ele detecta a presença de IgE específica para alérgenos inalantes (ácaros, pólens, fungos, epitélios de animais), com alta sensibilidade e especificidade. É o exame de escolha quando a história clínica não é suficiente para identificar o alérgeno ou diferenciar o tipo de rinite, sendo fundamental para orientar o controle ambiental e a imunoterapia. A alternativa está correta ao apontar o SPT como o principal exame para confirmar o diagnóstico em paciente com história sugestiva.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada dos seios paranasais não é indicada no diagnóstico de rinite alérgica. Ela é reservada para avaliação de rinossinusite crônica, complicações de sinusite aguda, suspeita de processos tumorais ou avaliação pré-operatória de cirurgia sinusal. Na rinite alérgica não complicada, a TC não agrega informação diagnóstica e expõe o paciente a radiação desnecessária. O erro da alternativa é atribuir à imagem um papel que ela não tem na propedêutica da rinite alérgica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dosagem de IgE total sérica é um exame inespecífico: pode estar elevada em diversas condições (parasitoses intestinais, outras doenças alérgicas, algumas imunodeficiências) e pode estar normal em pacientes com rinite alérgica comprovada. Ela não confirma o diagnóstico de rinite alérgica nem identifica o alérgeno específico. O exame sorológico útil é a dosagem de IgE alérgeno-específica, não a IgE total. A alternativa confunde o exame "inespecífico" com o exame "específico".
Alternativa E — ❌ Incorreta
A cultura de secreção nasal é indicada na suspeita de rinite infecciosa bacteriana (rinossinusite bacteriana aguda ou crônica), não na rinite alérgica. Na rinite alérgica, a secreção é tipicamente mucoide e clara, sem crescimento bacteriano significativo. A cultura não tem papel no diagnóstico de alergia e não identifica o alérgeno. A alternativa atribui à bacteriologia um papel que pertence à imunologia (testes alérgicos).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre exames que "ajudam" e exames que "confirmam". A rinoscopia (A) e a IgE total (D) são exames que podem sugerir ou acompanhar a rinite alérgica, mas não fecham o diagnóstico etiológico. O candidato que não domina a hierarquia diagnóstica tende a marcar a IgE total por associá-la a "alergia", mas o exame correto é o que detecta IgE específica — o teste cutâneo de prick. Lembre-se: na dúvida entre IgE total e IgE específica, a específica (SPT ou sorologia) é sempre a que confirma.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de diagnóstico, monte o fluxo mental: (1) suspeita clínica → história + exame físico; (2) confirmação etiológica → SPT ou IgE específica; (3) exames auxiliares → IgE total, eosinófilos, citologia nasal; (4) diagnósticos diferenciais → imagem, cultura, endoscopia. Quando a pergunta for "qual exame confirma rinite alérgica", a resposta quase sempre será o teste cutâneo ou a IgE específica — nunca a IgE total ou a imagem.