Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Avança SP 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg082150
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Em relação ao diagnóstico da tuberculose da orelha média (otite média tuberculosa) em paciente adulto com otorreia crônica refratária ao tratamento convencional, considerando as características clínicas e propedêuticas desta condição, assinale a alternativa que apresenta corretamente os achados diagnósticos:
AOtoscopia evidenciando múltiplas perfurações timpânicas, granulações esbranquiçadas em mucosa da orelha média e paralisia facial periférica aguda indica biópsia das granulações com pesquisa de BAAR e cultura para diagnóstico definitivo.
BPerfuração timpânica única central, secreção mucoide escassa e tomografia evidenciando velamento mastoideo com erosão ossicular requer apenas prova terapêutica com tuberculostáticos por 2 meses.
COtorreia serosa persistente, perfuração timpânica posterior e tomografia normal sugerem diagnóstico presuntivo, dispensando investigação adicional na presença de PPD fortemente reator.
DSecreção purulenta abundante, pólipos em conduto auditivo externo e erosão da cadeia ossicular na tomografia requerem apenas PCR para M. tuberculosis no material de secreção.
EGranulações pálidas em orelha média, perfuração timpânica marginal e destruição mastoídea extensa indicam antibioticoterapia de largo espectro inicial, seguida de cultura para micobactéria se ausência de resposta.
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GabaritoA — Otoscopia evidenciando múltiplas perfurações timpânicas, granulações esbranquiçadas em mucosa da orelha média e paralisia facial periférica aguda indica biópsia das granulações com pesquisa de BAAR e cultura para diagnóstico definitivo.
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Tuberculose da orelha média: diagnóstico e propedêutica
Gabarito: letra A. A otite média tuberculosa (OMT) apresenta tríade clássica de otorreia crônica indolor, múltiplas perfurações timpânicas e granulações pálidas na mucosa da orelha média, frequentemente associada a paralisia facial. O diagnóstico definitivo exige biópsia das granulações com pesquisa de BAAR e cultura para micobactéria, conforme descrito na alternativa A. As demais alternativas apresentam condutas inadequadas ou achados incompatíveis com a doença.
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que acomete principalmente os pulmões, mas pode afetar qualquer órgão, incluindo a orelha média. A OMT é uma forma rara de TB extrapulmonar, mais comum em crianças e imunossuprimidos, mas pode ocorrer em adultos. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica ou linfática do bacilo, ou ainda a inoculação direta através da tuba auditiva. O diagnóstico é desafiador, pois os sintomas se assemelham a outras otites crônicas, e a confirmação exige métodos específicos.
As manifestações clínicas típicas da OMT incluem otorreia crônica, geralmente indolor, refratária ao tratamento convencional com antibióticos. A otoscopia revela múltiplas perfurações timpânicas, que podem coalescer, e granulações pálidas ou esbranquiçadas na mucosa da orelha média. A paralisia facial periférica é uma complicação relativamente comum, devido à proximidade do nervo facial com a orelha média. A perda auditiva é frequente e pode ser condutiva, mista ou neurossensorial. A tomografia computadorizada (TC) de ossos temporais pode mostrar velamento da mastoide, erosão ossicular e destruição óssea, mas esses achados não são específicos.
O diagnóstico definitivo da OMT é feito por meio da biópsia das granulações, que deve ser enviada para exame histopatológico (que pode mostrar granulomas caseosos), pesquisa de BAAR e cultura para micobactéria. A cultura é o padrão-ouro, mas pode levar semanas. A PCR (reação em cadeia da polimerase) para M. tuberculosis também pode ser realizada no material, com alta sensibilidade e especificidade, mas não substitui a biópsia. O PPD (teste tuberculínico) pode ser útil, mas não é diagnóstico, pois pode ser negativo em imunossuprimidos. O tratamento é feito com o esquema padrão para TB pulmonar (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol), por 6 meses, e a cirurgia pode ser necessária para complicações.
A banca explora a confusão entre os achados clínicos e os métodos diagnósticos da OMT. É fundamental saber que a biópsia com pesquisa de BAAR e cultura é o método de escolha para o diagnóstico definitivo, e que a simples prova terapêutica ou a PCR isolada não são suficientes. Além disso, a apresentação clássica com múltiplas perfurações e granulações pálidas deve levantar a suspeita, mesmo em pacientes sem sintomas pulmonares. A distinção entre OMT e otite média crônica supurativa (OMCS) comum é crucial: na OMT, a otorreia é indolor, há múltiplas perfurações e granulações pálidas, e a paralisia facial é mais frequente; na OMCS, a otorreia é purulenta, a perfuração é única e central, e há pólipos avermelhados.
Guarde o critério decisivo: o diagnóstico definitivo da OMT exige confirmação microbiológica ou histopatológica, sendo a biópsia das granulações com pesquisa de BAAR e cultura o método de escolha. É exatamente nesse ponto que as alternativas se dividem.
Otite média tuberculosa (OMT)
1Achados clássicos
Otorreia crônica indolor
Múltiplas perfurações timpânicas
Granulações pálidas
Paralisia facial
2Diagnóstico definitivo
Biópsia das granulações
Pesquisa de BAAR
Cultura para micobactéria
PCR (complementar)
3Tratamento
Esquema tuberculostático (6 meses)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa descreve corretamente os achados clássicos da OMT: múltiplas perfurações timpânicas, granulações esbranquiçadas e paralisia facial periférica aguda. Além disso, indica corretamente a conduta para o diagnóstico definitivo: biópsia das granulações com pesquisa de BAAR e cultura. A biópsia é essencial para confirmar a etiologia tuberculosa, pois os achados clínicos e de imagem não são específicos. A pesquisa de BAAR e a cultura são os métodos laboratoriais que identificam o M. tuberculosis.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa apresenta achados incompatíveis com a OMT: perfuração timpânica única central e secreção mucoide escassa são mais típicos de otite média crônica supurativa (OMCS) comum, não da forma tuberculosa. Além disso, a conduta de prova terapêutica com tuberculostáticos por 2 meses sem confirmação diagnóstica é inadequada. O diagnóstico de OMT deve ser confirmado por métodos específicos (biópsia, BAAR, cultura ou PCR) antes de iniciar o tratamento, que normalmente dura 6 meses. A prova terapêutica pode ser considerada em casos selecionados, mas não é a conduta padrão diante de achados sugestivos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa descreve achados que não são típicos da OMT: otorreia serosa persistente e perfuração timpânica posterior não são as manifestações clássicas. Além disso, a tomografia normal é incompatível com a doença, que geralmente causa alterações como velamento mastoideo e erosão ossicular. A conduta de dispensar investigação adicional na presença de PPD fortemente reator é incorreta, pois o PPD não é diagnóstico de OMT e um resultado positivo apenas indica infecção prévia, não doença ativa. A investigação deve ser completa, com biópsia e cultura, para confirmar o diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa descreve achados de secreção purulenta abundante e pólipos em conduto auditivo externo, que são mais sugestivos de otite média crônica supurativa (OMCS) ou colesteatoma, não da forma tuberculosa. A conduta de requerer apenas PCR para M. tuberculosis no material de secreção é insuficiente. Embora a PCR seja um método sensível e específico, ela não substitui a biópsia, que é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo. A PCR pode ser um complemento, mas a biópsia com histopatologia e cultura é essencial para confirmar a doença e excluir outras causas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa descreve granulações pálidas em orelha média e perfuração timpânica marginal, que podem ser encontradas na OMT, mas a conduta de antibioticoterapia de largo espectro inicial é inadequada. O tratamento da OMT é específico com tuberculostáticos, e o uso de antibióticos de largo espectro não trata a doença e pode atrasar o diagnóstico. A cultura para micobactéria se ausência de resposta também é uma conduta incorreta, pois a cultura deve ser solicitada precocemente, juntamente com a biópsia, para confirmar o diagnóstico. A destruição mastoídea extensa é um achado grave que reforça a necessidade de investigação imediata e tratamento específico.