Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — Avança SP 2024
Medicina›Otorrinolaringologia
Código
qg082162
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Qual é a metodologia correta para a realização do teste de Rinne, um teste de diapasão utilizado na avaliação da audição?
AO diapasão é colocado primeiro na frente do ouvido do paciente e, em seguida, na região mastoide, comparando a intensidade do som.
BO diapasão é vibrado e posicionado sobre o processo mastoide até que o paciente não ouça mais o som, sendo então colocado próximo ao ouvido para avaliar a condução aérea.
CO diapasão é colocado diretamente sobre a testa do paciente, e a lateralização do som indica a presença de perda auditiva.
DO diapasão é utilizado apenas em uma frequência de 256 Hz para garantir maior precisão no diagnóstico.
EO teste deve ser realizado com o paciente em pé, sempre com o diapasão vibrando próximo ao ouvido, sem contato direto.
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GabaritoB — O diapasão é vibrado e posicionado sobre o processo mastoide até que o paciente não ouça mais o som, sendo então colocado próximo ao ouvido para avaliar a condução aérea.
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Teste de Rinne: metodologia e interpretação
Gabarito: letra B. O teste de Rinne compara a condução aérea com a condução óssea: o diapasão vibrado é posicionado sobre o processo mastoide (avaliando a via óssea) e, quando o paciente deixa de ouvir, é colocado próximo ao meato acústico externo (avaliando a via aérea). Na audição normal, a condução aérea é mais eficiente que a óssea, portanto o som continua audível após a remoção da mastoide — Rinne positivo. A alternativa B descreve exatamente essa sequência.
O teste de Rinne é um dos testes com diapasão utilizados na avaliação audiológica básica, ao lado do teste de Weber e da prova de Schwabach. Seu objetivo é comparar a percepção sonora por via aérea e por via óssea, permitindo distinguir, de forma rápida e sem equipamentos, entre audição normal, perda auditiva condutiva e perda auditiva neurossensorial. O diapasão mais utilizado é o de 512 Hz, pois frequências mais baixas (como 256 Hz) podem gerar sensação tátil, confundindo o resultado; frequências mais altas (como 1024 Hz) são menos sensíveis para detectar perdas condutivas.
A técnica correta segue uma sequência rígida: primeiro, o diapasão é vibrado (geralmente golpeando-o contra o cotovelo ou a palma da mão, evitando golpes muito fortes que gerem harmônicos) e posicionado com a base sobre o processo mastoide, atrás da orelha. O paciente indica quando deixa de ouvir o som. Nesse momento, o diapasão — ainda vibrando — é rapidamente reposicionado com os ramos próximos ao meato acústico externo, sem tocar a pele. Se o paciente voltar a ouvir o som, a condução aérea é superior à óssea (Rinne positivo), o que é esperado na normalidade. Se o paciente não ouvir o som na via aérea, a condução óssea é igual ou superior à aérea (Rinne negativo), indicando perda auditiva condutiva.
A interpretação clínica é o que dá sentido ao teste. Na perda auditiva condutiva (ex.: obstrução do canal auditivo, otite média, otosclerose), a via óssea permanece íntegra, mas a via aérea está comprometida — logo, o Rinne é negativo no lado afetado. Na perda auditiva neurossensorial (ex.: lesão coclear ou do nervo vestibulococlear), ambas as vias estão comprometidas, mas a via aérea ainda é mais eficiente que a óssea — o Rinne permanece positivo, porém com tempos encurtados (Rinne positivo patológico). Essa distinção é fundamental e frequentemente cobrada em provas.
A pegadinha clássica da banca é inverter a ordem do teste ou confundir o Rinne com o teste de Weber. No teste de Weber, o diapasão é colocado sobre a testa (ou vértex) e o paciente indica em qual orelha ouve melhor o som — a lateralização indica o lado comprometido na perda condutiva (lateraliza para o lado afetado) e o lado íntegro na perda neurossensorial (lateraliza para o lado são). Já no Rinne, o diapasão não é colocado na testa, e sim na mastoide e depois próximo ao ouvido. Guarde essa fronteira: Rinne compara vias (aérea × óssea) na MESMA orelha; Weber compara as DUAS orelhas entre si.
1Vibrar diapasão (512 Hz)
2Base na mastoide (via óssea)
3Paciente deixa de ouvir
4Ramos próximos ao ouvido (via aérea)
5Ainda ouve? Rinne positivo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Inverte a ordem do teste. No Rinne, o diapasão é colocado PRIMEIRO na mastoide (via óssea) e DEPOIS próximo ao ouvido (via aérea), não o contrário. A alternativa descreve uma sequência invertida, o que comprometeria a comparação: o objetivo é verificar se, após cessar a percepção óssea, o som ainda é percebido pela via aérea. Colocar primeiro na frente do ouvido e depois na mastoide não permite essa comparação na ordem correta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Descreve exatamente a metodologia do teste de Rinne: o diapasão é vibrado e posicionado sobre o processo mastoide até o paciente não ouvir mais o som (avaliando a condução óssea); em seguida, é colocado próximo ao ouvido para avaliar a condução aérea. Se o som for novamente percebido, a condução aérea é superior à óssea (Rinne positivo, normal); se não for, a condução óssea é igual ou superior (Rinne negativo, sugestivo de perda condutiva).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Descreve o teste de Weber, não o de Rinne. No Weber, o diapasão é colocado sobre a testa (ou vértex) e a lateralização do som indica o lado comprometido: na perda condutiva, lateraliza para o lado afetado; na perda neurossensorial, para o lado íntegro. O Rinne não utiliza a testa como ponto de apoio, e sim a mastoide e o meato acústico externo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O diapasão de 256 Hz não é o mais indicado para o teste de Rinne. A frequência de 512 Hz é a mais utilizada, pois evita a sensação tátil (que ocorre em frequências mais baixas) e é adequada para detectar perdas condutivas. O diapasão de 256 Hz pode gerar resposta por vibração tátil, confundindo o resultado. Não há uma frequência única obrigatória, mas 512 Hz é o padrão recomendado.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O teste de Rinne exige contato direto do diapasão com o processo mastoide para avaliar a condução óssea. A alternativa afirma que o teste deve ser realizado "sem contato direto", o que inviabilizaria a avaliação da via óssea. Além disso, não há exigência de que o paciente esteja em pé; o teste pode ser realizado com o paciente sentado ou deitado, desde que o diapasão seja posicionado corretamente.
Gabarito: letra B — a metodologia correta do teste de Rinne é posicionar o diapasão vibrado sobre o processo mastoide até o paciente deixar de ouvir, e então aproximá-lo do meato acústico externo para comparar a condução aérea com a óssea.