Questão de Medicina — Gastroenterologia — Avança SP 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg082170
Banca
Avança SP
Órgão
IAMSPE
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Pré-requisito - Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Um paciente de 32 anos apresenta dor lombar à esquerda, principalmente após ingestão de líquidos em grandes volumes, acompanhada de episódios ocasionais de hematúria macroscópica. Exames de imagem, incluindo ultrassonografia e tomografia computadorizada com contraste, revelam hidronefrose no lado esquerdo, sem falha de enchimento ou cálculo e ureter normal sem dilatação. O exame de função renal sérica é normal. Qual a abordagem inicial mais adequada para confirmar o diagnóstico e avaliar a indicação terapêutica neste caso?
AUltrassonografia com Doppler para avaliar a presença de compressão vascular na junção uretero-piélica.
BCintilografia renal com diurético para avaliar a função renal diferencial e a presença de obstrução na junção uretero-piélica.
CRessonância magnética da pelve renal para excluir outras causas de obstrução e avaliar a presença de fibrose ureteral.
DCistoscopia com biópsia ureteral para confirmar a presença de tecido fibroso ou tumores obstrutivos.
EAngiotomografia computadorizada para avaliação detalhada da anatomia vascular renal e possíveis variações anatômicas.
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GabaritoB — Cintilografia renal com diurético para avaliar a função renal diferencial e a presença de obstrução na junção uretero-piélica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Estenose de junção ureteropiélica (JUP) e cintilografia renal com diurético
Gabarito: letra B. O quadro clínico — dor lombar à esquerda após ingestão de grandes volumes, hematúria macroscópica ocasional e hidronefrose sem cálculo ou falha de enchimento na tomografia — é clássico de estenose de junção ureteropiélica (JUP). A cintilografia renal com diurético (cintilografia de MAG-3 ou DTPA com furosemida) é o exame padrão-ouro para confirmar o diagnóstico, pois avalia a função renal diferencial e a presença de obstrução ao esvaziamento da pelve renal, guiando a decisão terapêutica.
A estenose de JUP é uma obstrução congênita ou adquirida no ponto de encontro entre a pelve renal e o ureter proximal. Ela impede o fluxo adequado de urina, causando dilatação do sistema coletor (hidronefrose) e, em casos mais graves, dano progressivo ao parênquima renal. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e pelos exames de imagem, mas a confirmação funcional é essencial: nem toda hidronefrose significa obstrução significativa, e a decisão de tratar cirurgicamente depende de evidências de que a obstrução está comprometendo a função renal.
A cintilografia renal com diurético funciona assim: o paciente recebe um radiofármaco que é filtrado pelos rins (como o MAG-3 ou DTPA), e a captação e excreção são monitoradas ao longo do tempo. Após a visualização da pelve renal dilatada, administra-se furosemida (diurético de alça), que aumenta o fluxo urinário. Se a obstrução for significativa, o radiofármaco permanece retido na pelve, mesmo após o diurético — caracterizando a obstrução. Além disso, o exame calcula a função renal diferencial (a contribuição percentual de cada rim para a função total), que é um dos principais critérios para indicar cirurgia: se o rim afetado contribui com menos de 40% da função total, a correção cirúrgica é geralmente recomendada.
Na prática, um paciente jovem com dor lombar após ingestão de líquidos e hidronefrose na imagem, sem cálculo, deve ser submetido à cintilografia renal com diurético para confirmar a obstrução e quantificar a função renal. Se a obstrução for confirmada e a função renal estiver comprometida, a pieloplastia (correção cirúrgica da JUP) é indicada. Se a função estiver preservada e a obstrução for leve, pode-se optar por acompanhamento clínico.
A pegadinha desta questão está em distinguir a cintilografia com diurético (que avalia função e obstrução) de outros exames que apenas avaliam anatomia ou vascularização. A ultrassonografia com Doppler, por exemplo, pode avaliar compressão vascular, mas não é o exame padrão para confirmar obstrução funcional. A angiotomografia avalia a anatomia vascular, mas não fornece dados funcionais. A ressonância magnética e a cistoscopia com biópsia são úteis em outras condições, mas não são a primeira escolha para estenose de JUP.
Guarde a fronteira entre exames anatômicos (US, TC, RM, angioTC) e exames funcionais (cintilografia com diurético): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A ultrassonografia com Doppler pode avaliar a presença de compressão vascular na JUP, como na síndrome de Fraley (compressão por vasos anômalos), mas não é o exame padrão-ouro para confirmar obstrução funcional. Ela fornece dados anatômicos e de fluxo, mas não quantifica a função renal diferencial nem confirma a obstrução ao esvaziamento. A cintilografia com diurético é superior para essa finalidade.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A cintilografia renal com diurético é o exame de escolha para confirmar o diagnóstico de estenose de JUP e avaliar a indicação terapêutica. Ela fornece dois dados essenciais: a função renal diferencial (percentual de contribuição de cada rim) e a presença de obstrução ao esvaziamento da pelve renal após estímulo com furosemida. Esses dados são fundamentais para decidir entre tratamento cirúrgico (pieloplastia) e acompanhamento conservador.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ressonância magnética da pelve renal pode ser útil para avaliar outras causas de obstrução, como fibrose ureteral ou tumores, mas não é o exame de primeira linha para estenose de JUP. Ela fornece detalhes anatômicos, mas não avalia a função renal diferencial nem a obstrução funcional de forma dinâmica. Além disso, o enunciado já descartou falha de enchimento ou cálculo na tomografia, tornando a RM menos relevante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A cistoscopia com biópsia ureteral é um exame invasivo indicado para avaliar lesões da mucosa ureteral, como tumores ou estenoses inflamatórias. No entanto, não é a abordagem inicial para estenose de JUP, que é uma obstrução funcional na junção ureteropiélica, não uma lesão intraluminal. O exame é desnecessário e invasivo para esse diagnóstico, e não fornece dados funcionais.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A angiotomografia computadorizada avalia a anatomia vascular renal e possíveis variações, como vasos acessórios que podem comprimir a JUP. Embora possa ser útil no planejamento cirúrgico, não é o exame inicial para confirmar obstrução funcional. Ela não quantifica a função renal diferencial nem avalia a resposta ao diurético, sendo inferior à cintilografia para o diagnóstico e decisão terapêutica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre exames anatômicos (US com Doppler, angioTC, RM) e o exame funcional (cintilografia com diurético). O candidato pode ser atraído pela alternativa A, que menciona compressão vascular — um mecanismo de estenose de JUP — mas o exame padrão para confirmar obstrução e avaliar função renal é a cintilografia. Lembre-se: para decidir se há obstrução significativa e se a cirurgia é necessária, precisamos de dados funcionais, não apenas anatômicos.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando o enunciado trouxer hidronefrose sem causa obstrutiva aparente (sem cálculo, sem tumor) e dor após ingestão de líquidos, pense em estenose de JUP e procure a alternativa que mencione cintilografia renal com diurético. Essa é a assinatura clássica da questão.