Nefrolitíase: fatores litogênicos
Gabarito: letra C. A questão pede a alternativa que NÃO é fator litogênico. A ingesta de cálcio, quando adequada, é protetora contra a formação de cálculos — o risco aumenta com a baixa ingestão de cálcio, pois isso eleva a absorção de oxalato e sua excreção urinária. As demais alternativas (obesidade, hipocitratúria, gastroplastia bypass e hiperparatireoidismo) são fatores reconhecidamente litogênicos.
A nefrolitíase é uma doença multifatorial, em que a formação de cálculos ocorre quando a urina se torna supersaturada com solutos como cálcio e oxalato, levando à cristalização e agregação. Os fatores de risco são divididos em categorias: urinários (baixo volume, pH alterado, alta concentração de oxalato ou baixa de citrato), anatômicos (rim em ferradura, rim esponjoso medular), dietéticos (baixa ingestão hídrica, baixa ingestão de cálcio, alta ingestão de proteínas, sódio, açúcares e vitamina C) e comorbidades médicas (hiperparatireoidismo, gota, obesidade, diabetes, doença inflamatória intestinal, acidose tubular renal, má absorção intestinal).
A ingesta de cálcio merece destaque especial. O senso comum sugere que cálcio na dieta favorece cálculos, mas o oposto é verdadeiro: o cálcio dietético liga-se ao oxalato no intestino, reduzindo sua absorção e, consequentemente, sua excreção urinária. A baixa ingestão de cálcio aumenta a absorção de oxalato livre, elevando a oxalúria e o risco de cálculos de oxalato de cálcio. Por isso, a recomendação é manter ingestão dietética adequada de cálcio, e não restringi-la.
A hipocitratúria é um fator litogênico porque o citrato é o principal inibidor da cristalização: ele se liga ao cálcio urinário formando um complexo solúvel e inibe diretamente a agregação de cristais. A obesidade é fator de risco independente, associada à síndrome metabólica e à resistência à insulina, que alteram o pH urinário e a excreção de citrato. A gastroplastia bypass causa má absorção de gordura, levando à hiperoxalúria entérica: o cálcio dietético se liga à gordura entérica, aumentando a absorção de oxalato livre no cólon. O hiperparatireoidismo primário aumenta a reabsorção óssea e a excreção urinária de cálcio, favorecendo a supersaturação.
A pegadinha desta questão está na alternativa C: o candidato pode pensar que cálcio na dieta é litogênico, mas a literatura é clara — a baixa ingestão de cálcio é o fator de risco, não a ingestão adequada. A banca explora exatamente essa inversão de senso comum.
Alternativa A — ✅ Correta (é fator litogênico)
A obesidade é fator de risco independente para nefrolitíase, conforme a tabela de fatores do material: "Obesidade — Comorbidade médica". Está associada à síndrome metabólica, que altera o pH urinário (urina mais ácida) e reduz a excreção de citrato, favorecendo a formação de cálculos de ácido úrico e de oxalato de cálcio.
Alternativa B — ✅ Correta (é fator litogênico)
A hipocitratúria é fator litogênico porque o citrato é o principal inibidor da cristalização. O material descreve: "Alta concentração de oxalato ou baixa concentração de citrato na urina — Urinária". Sem citrato suficiente, o cálcio urinário fica livre para precipitar com oxalato ou fosfato.
Alternativa C — ❌ Incorreta (NÃO é fator litogênico) ⟵ GABARITO
A ingesta de cálcio, quando adequada, é protetora. O material lista como fator dietético: "Baixa ingestão de cálcio ou alta ingestão de oxalato". A restrição de cálcio na dieta aumenta a absorção de oxalato livre no intestino, elevando a oxalúria e o risco de cálculos. A recomendação clínica é manter ingestão adequada de cálcio, como mostra a tabela de tratamento: "Hipercalciúria — Ingestão dietética adequada de cálcio".
Alternativa D — ✅ Correta (é fator litogênico)
A gastroplastia bypass é fator litogênico por causar hiperoxalúria entérica. O material explica: "Ocorre hiperoxalúria entérica em pacientes com má absorção de gordura, o que leva à ligação do cálcio dietético à gordura entérica excessiva e ao aumento subsequente da absorção de oxalato livre no cólon. Isso é comumente observado em pacientes com diarreia crônica, doenças inflamatórias intestinais, doença celíaca e ressecção intestinal ou após cirurgia bariátrica."
Alternativa E — ✅ Correta (é fator litogênico)
O hiperparatireoidismo primário é comorbidade médica listada como fator de risco. O excesso de PTH aumenta a reabsorção óssea, elevando o cálcio sérico e a excreção urinária de cálcio, o que favorece a supersaturação e a formação de cálculos de cálcio.
Gabarito: letra C — a única alternativa que NÃO é fator litogênico é a ingesta de cálcio, pois a ingestão adequada é protetora; o fator de risco é a baixa ingestão.