Durante a avaliação clínica de um paciente com doença arterial obstrutiva periférica, o principal sinal e sintoma característico de claudicação é:
ADor em repouso no membro acometido.
BParestesia e formigamento na região distal.
CSurgimento de dor muscular durante a deambulação.
DDiminuição da temperatura cutânea no membro afetado.
EAusência de pulsos periféricos palpáveis no membro comprometido.
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GabaritoC — Surgimento de dor muscular durante a deambulação.
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Claudicação intermitente na doença arterial obstrutiva periférica
Gabarito: letra C. A claudicação intermitente é o sintoma patognomônico da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) e se caracteriza por dor muscular desencadeada pelo exercício (deambulação) e aliviada pelo repouso — exatamente o que descreve a alternativa C. As demais opções (dor em repouso, parestesia, diminuição da temperatura e ausência de pulsos) são manifestações que podem ocorrer na DAOP, mas não são o sinal/sintoma característico da claudicação; algumas, como a dor em repouso, indicam estágios mais avançados da doença.
A doença arterial obstrutiva periférica é causada, na grande maioria dos casos, pela aterosclerose, que leva à formação de placas que obstruem o lúmen arterial e reduzem o fluxo sanguíneo para os membros, principalmente os inferiores. Durante o exercício, a demanda metabólica dos músculos aumenta, mas o fluxo arterial comprometido não consegue suprir a necessidade de oxigênio, gerando isquemia muscular e dor. Essa dor é descrita como constritiva, em cãibra ou cansaço, acomete um grupamento muscular específico (mais frequentemente a panturrilha) e desaparece minutos após o repouso, quando a demanda metabólica volta ao normal. O caráter intermitente — dor que surge com o esforço e cessa com o repouso — é o aspecto da história clínica que melhor sugere o diagnóstico.
É importante distinguir a claudicação intermitente verdadeira das chamadas pseudoclaudicações, que também causam dor com o exercício, mas a dor não cessa imediatamente com a interrupção do esforço. Essas pseudoclaudicações podem ser causadas por afecções ortopédicas, neurológicas ou reumatoides. Na claudicação verdadeira, a dor é reproduzível com o mesmo nível de esforço e alivia rapidamente com o repouso.
A progressão da doença leva a um quadro mais grave: a dor isquêmica de repouso. Quando as oclusões arteriais são extensas e múltiplas, e o sistema de vasos colaterais não consegue manter o metabolismo aeróbico mesmo em repouso, surge dor contínua, muitas vezes descrita como "em queimação", localizada no dorso do pé e/ou nos pododáctilos. A extremidade fica fria e pálida, podendo tornar-se cianótica. A dor em repouso representa ameaça à viabilidade do membro e é um estágio mais avançado da doença, diferente da claudicação intermitente, que é a manifestação inicial.
A banca explora a confusão entre os diferentes estágios da DAOP: a claudicação intermitente é o sintoma inicial e característico, enquanto a dor em repouso, a parestesia, a diminuição da temperatura e a ausência de pulsos são manifestações que podem estar presentes em fases mais avançadas ou em outras condições. O candidato que não domina a evolução natural da doença pode marcar uma alternativa que descreve um sinal de isquemia crítica, mas não o sintoma definidor da claudicação. Guarde a sequência: claudicação intermitente (esforço) → dor em repouso (isquemia crítica) → lesões tróficas (úlceras, gangrena).
1Claudicação intermitente (esforço)
2Dor isquêmica de repouso
3Lesões tróficas (úlceras/gangrena)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A dor em repouso no membro acometido é um sinal de isquemia crítica, que ocorre em estágios avançados da DAOP, quando as oclusões arteriais são extensas e o fluxo colateral não é suficiente nem em repouso. Não é o sintoma característico da claudicação intermitente, que é desencadeada pelo esforço e aliviada pelo repouso. A banca troca o estágio inicial (claudicação) pelo avançado (dor em repouso).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Parestesia e formigamento na região distal são sintomas que podem ocorrer na isquemia aguda de extremidades, juntamente com dor, palidez, ausência de pulsos e esfriamento. Na DAOP crônica, a parestesia não é o sintoma característico da claudicação intermitente, que é a dor muscular desencadeada pelo exercício. A alternativa descreve um sintoma neurossensorial, não o quadro típico de claudicação.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A claudicação intermitente é definida pela dor muscular que surge durante a deambulação (exercício), aumenta até o limite de tolerância, obriga o paciente a parar e desaparece rapidamente com o repouso. É o sintoma patognomônico da lesão arterial oclusiva crônica. A dor acomete o grupamento muscular irrigado pela artéria obstruída (panturrilha, coxa, nádega) e é reproduzível com o mesmo esforço. A alternativa C descreve exatamente esse mecanismo: dor muscular durante a deambulação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A diminuição da temperatura cutânea no membro afetado é um sinal de isquemia crônica ou aguda, decorrente da redução do fluxo sanguíneo para a pele. Pode estar presente na DAOP, mas não é o sintoma característico da claudicação intermitente, que é a dor muscular relacionada ao esforço. A alternativa descreve um sinal de hipoperfusão tecidual, não o sintoma definidor da claudicação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ausência de pulsos periféricos palpáveis é um sinal de doença oclusiva proximal, podendo estar presente mesmo em pacientes assintomáticos. É um achado do exame físico, não um sintoma. A claudicação intermitente é um sintoma (dor), não um sinal. A alternativa confunde sinal (ausência de pulsos) com sintoma (dor), e não descreve o quadro característico da claudicação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os diferentes estágios da DAOP. A claudicação intermitente é o sintoma inicial e característico (dor com esforço, alívio com repouso). Dor em repouso, parestesia, diminuição da temperatura e ausência de pulsos são manifestações de isquemia mais avançada ou de outras condições. O candidato que não domina a evolução natural da doença pode marcar uma alternativa que descreve um sinal de isquemia crítica, mas não o sintoma definidor da claudicação. Fique atento: a questão pede o sintoma característico da claudicação, não qualquer manifestação da DAOP.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre DAOP, memorize a sequência evolutiva: claudicação intermitente (dor com esforço, alívio com repouso) → dor isquêmica de repouso (dor contínua, em queimação, no dorso do pé) → lesões tróficas (úlceras, gangrena). A claudicação é o sintoma que define o diagnóstico; os demais sinais indicam gravidade. Na prova, identifique a palavra-chave: se a alternativa menciona "dor durante a deambulação" ou "dor que alivia com repouso", é claudicação intermitente.